Publicada em 17/08/2012 às 00h00.

A Anvisa publicou novas regras para a fabricação e distribuição de protetores solares. Você está por dentro do assunto?

A conscientização quanto aos danos causados pelo sol na pele tornou o protetor solar um artigo indispensável. Confira o comentário da Dra. Ariene Pereira Paixão sobre as novas regras da Anvisa e o que levar em conta na hora de escolher seu filtro solar.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Optar pelo produto mais novo, caro ou com mais ativos em sua fórmula nem sempre é o ideal".

Além do conhecido fator de proteção solar (FPS), os produtos que chegam ao mercado brasileiro alardeiam atributos como o combate aos radicais livres, filtros fotoestáveis, proteção da imunidade e do DNA das células e a prevenção contra rugas e manchas. Diante dessa ampla gama de opções, a pergunta inevitável é: será que isso tudo é necessário? Optar pelo produto mais novo, caro ou com mais ativos em sua fórmula nem sempre é o ideal. É preciso levar em conta o tipo de pele e o tempo de exposição ao sol. Uma coisa é um protetor ter 300 funções que, na teoria, são boas, outra é penetrar na pele, interagir com o tecido. É complexo.

Apesar de o UVB ser mais agressivo, estudos vêm mostrando que o UVA  pode degenerar a célula, causar câncer e ser responsável pelo fotoenvelhecimento, pela formação de manchas e pelas alergias de sol. 

Presentes em bem menor quantidade, os raios UVB se concentram nos horários entre 10h e 16h.  O problema é que, diferentemente dos raios UVB, para os quais existe uma medida padrão (o FPS, calculado com base na vermelhidão da pele), não é fácil saber até que ponto vai a proteção contra os raios UVA.  Nem todos os produtos trazem a informação na embalagem e, quando trazem, as medidas variam. As duas mais comuns são o PPD ("persistent pigment darkening") e a porcentagem. Como os raios UVA não têm efeitos visíveis por não queimarem a pele, a pessoa não percebe que há algo fazendo mal ao corpo e acaba se expondo mais do que deveria.

"O fator 100 (FPS) não existe, pois nenhum filtro tem proteção total e esta informação não deve constar no rótulo".

 

As novas regras para a fabricação e distribuição de protetores solares publicadas pela Anvisa reforçam muitas coisas que já sabíamos:  
O fator 100 (FPS) não existe, pois nenhum filtro tem proteção total e esta informação não deve constar no rótulo. Nós dermatologistas recomendamos que o fator mínimo de proteção solar utilizada deva ser 15 FPS, no entanto, atualmente existem filtros no mercado que oferecem fator de proteção de 2, 4, 8 etc. Com a entrada em vigor das novas regras da Anvisa, este Fator de Proteção Solar não poderá ser inferior a 6. 

A resistência à água, sol e suor é temporária e, por isso, precisamos repor o filtro solar a cada  duas horas, se quisermos garantir a proteção adequada. Por isso, é de fato importante a comprovação da característica "resistente à água/suor" nos filtros comercializados e a divulgação da necessidade de reaplicação nos rótulos do produto.  Além dessa informação, é importante ser divulgado: O Fator de Proteção UVA (porcentagem) + PPD (1/3 do FPS total: ex FPS 30, tem que ter PPD mínimo de 10) e UVB (porcentagem).

O mantra é velho, passar protetor solar diariamente é obrigatório. Com os termômetros subindo e o sol a pino, a proteção torna-se indispensável à saúde.

Confira a notícia publicada no iBahia.

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Autor(es)

  • Ariene Pereira Paixão / CRM 7821

    Dermatologista sócia da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Professora de Dermatologia da Escola Baiana de Dermatologia.

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