Publicada em 31/10/2018 às 00h00. Atualizada em 31/10/2018 às 15h06

Adolescência. Fase de conflito?

Entenda os desafios e transformações do adolescente contemporâneo.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"A adolescência caracteriza-se por um momento de emergência de pulsões sexuais guardadas desde a infância, que, muitas vezes, vêm  interferir no aproveitamento escolar, nas interações sociais e familiares".

A adolescência caracteriza-se por um momento de emergência de pulsões sexuais guardadas desde a infância, que, muitas vezes, vêm  interferir no aproveitamento escolar, nas interações sociais e familiares. É então que o sujeito passa a questionar ideais construídos quando criança, em busca de novos padrões e modelos com os quais tenta identificar-se. Por isso, essa fase é costumeiramente chamada de “rebelde” e perpassada por conflitos, já que é comum questionar e contestar as regras estabelecidas, numa tentativa incessante de fazer algo diferente no mundo. Essa fase é encarada com resistência pela sociedade em geral, mas, no entanto, é indispensável que seja vivida pela oportunidade de o jovem posicionar-se pela primeira vez de forma mais crítica, buscando referências próprias. 

Hoje em dia, um dos desafios contemporâneos é o apelo à extrema velocidade de informação e da produção em geral, o que implica em dificuldades ao lidar com a espera, com a frustração e com a falta. Esse sintoma da contemporaneidade tem repercussão significativa na adolescência. A necessidade de viver com regras e o “não ter” ou “não poder” passa a ser cada vez mais sofrido e difícil de ser assimilável para quem passa pela adolescência. Há, associado a este fato, a emergência de uma nova geração de pais que sofrem os mesmos efeitos da hipermodernidade na qual educar os filhos, inserindo os limites necessários, torna-se também um desafio.

No Brasil, vemos o mesmo fenômeno vivido em países europeus, onde a adolescência tem-se estendido, considerada até os 25 anos. Essa expansão etária tem alguns motivos no Brasil. Há um retardo crescente do jovem em consolidar-se no mercado de trabalho e, até mesmo, em satisfazer-se na formação universitária. Isto implica na postergação da independência financeira, principalmente pelo alto padrão de consumo cobrado na sociedade brasileira. Dessa forma, vemos cada vez mais investimento na vida profissional e em bens de consumo próprios, em detrimento do matrimônio e consolidação de uma nova família, ou até mesmo estruturação de um patrimônio próprio. É de se questionar, então, de quem é a responsabilidade sobre a criação de jovens que relutam em deixar a adolescência: os pais, o sistema ou os próprios jovens?

" É de se questionar, então, de quem é a responsabilidade sobre a criação de jovens que relutam em deixar a adolescência: os pais, o sistema ou os próprios jovens?"



No que diz respeito aos pais, podemos perceber que existe sim, nos dias atuais, mais complacência em relação à permanência dos filhos em casa e sua dependência financeira, assim como uma maior parceria na construção dos seus projetos. Essa postura marca uma ruptura em comparação aos pais de décadas anteriores, e configura-se hoje um maior “protecionismo” da parte dos pais, enquanto o mercado está mais cruel.

A psicologia enquanto prática deve estar apta a fazer leituras das fases do desenvolvimento emocional, assim como das mudanças econômicas e sociais da contemporaneidade. Dessa forma, os profissionais habilitam-se para poder escutar e ajudar cada um a conduzir seus conflitos, seja o adolescente e/ou suas famílias. Acredito que seja próprio das funções parentais estimular o filho a encontrar seu próprio caminho, não sem que eles se responsabilizem por seu próprio processo. Tudo depende da forma como cada um possa se colocar e se posicionar diante dos seus impasses e dúvidas, sejam eles subjetivos ou submetidos a uma questão socioeconômica. Não há mágica, há um esforço em tentar sair de uma posição de comodidade e assumir os riscos que a vida possa oferecer, sem necessariamente precisar abandonar o “furor adolescente” que marca cada um na busca de seu percurso.  

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