Publicada em 11/04/2012 às 00h00.

Astrocitoma Difuso de grau II, você sabe o que é isso?

Conheça a comovente história de Lidionete, mãe de Vitor de 11 anos que tem o astrocitoma difuso de grau II (tumor cerebral).

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Já se passaram 4 anos e 3 meses do diagnóstico e hoje meu filho leva uma vida o mais normal possível. Na escola, cursa o sexto ano do ensino fundamental e os professores dizem que é um bom aluno..."

Meu nome é Lidionete, tenho 39 anos, natural de São Paulo, capital, casada, 3 filhos.

Tudo seguia bem na nossa vida, até que meu filho caçula Vitor passou a apresentar dificuldades para falar com pessoas fora do círculo familiar. Não se tratava de um problema fisiológico, pois em casa era um “tagarela” e não tinha qualquer dificuldade em se expressar. Mas um “bloqueio”, que lhe causava “vergonha” e, consequentemente, esse impedimento. Procuramos uma psicóloga e posteriormente um psiquiatra e depois uma neuropediatra. Nenhuma anormalidade que justificasse esses sintomas foi encontrada. A médica solicitou uma ressonância magnética e foi assim que descobrimos que meu filho, então com 6 anos, tinha um tumor cerebral. Era final do ano de 2007. 

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A localização do tumor era a pior possível, no bulbo, tronco cerebral, bem junto aos nervos que controlam o coração, a respiração e outras funções, como deglutição, movimentos da face, força muscular, equilíbrio. A cirurgia de altíssimo risco foi realizada e ficamos sabendo que parte do tumor era “inoperável”, pois estava infiltrado difusamente em região vital. O nome do tumor é Astrocitoma Difuso de grau II, de crescimento lento e infiltrativo. É da mesma linhagem do pior dos tumores cerebrais, o “Glioblastoma Multiforme”, que nada mais é do que um Astrocitoma Difuso de grau IV.

"Há mais de 50 tipos de tumores cerebrais, sendo muitos deles benignos ou tratáveis, mas o Astrocitoma Difuso é um tipo que não responde satisfatoriamente à radioterapia ou quimioterapia".

Parece que nosso mundo ruiu quando soubemos do resultado da biópsia... Há mais de 50 tipos de tumores cerebrais, sendo muitos deles benignos ou tratáveis, mas o Astrocitoma Difuso é um tipo que não responde satisfatoriamente à radioterapia ou quimioterapia. Infelizmente ainda não existe tratamento que possa curar definitivamente esse tipo de tumor. Como a radioterapia traz efeitos deletérios ao cérebro de crianças, a equipe que o acompanha no GRAACC (Instituto de Oncologia Pediátrica, ligado à UNIFESP), decidiu adotar conduta expectante, ou seja, acompanhar por imagens de ressonância a cada 3 meses e somente usar radioterapia ou quimioterapia como última medida, já que não são capazes de curar. 

Lembro como foi o pior dia da minha vida... Era março de 2008 e meu filho completaria 7 anos. Um dia antes do seu aniversário fomos a uma consulta com uma médica neuropsiquiatra e foi muito triste quando ela olhou as imagens da ressonância pós-cirurgia e balançou negativamente a cabeça... Tive coragem de perguntar quanto tempo de vida meu filho teria e ela disse: “Não dá pra dizer, mãe... Três, quatro meses??” Ao final da consulta ela me abraçou e chorei muito... Na festa de aniversário, foi pura emoção. Muito difícil engolir todo esse sentimento e não deixar transparecer para meu filho, que de nada sabia e deveria ser poupado.



Somos cristãos (adventistas do sétimo dia). Nossos familiares, a igreja, amigos de várias localidades e até pessoas que nem conhecíamos se uniram em oração, pra que Deus mostrasse uma saída. Talvez se o caso tivesse solução pela medicina, eu me acomodasse e nem teria buscado alternativas de melhorar o nosso estilo de vida. Comecei a pesquisar incansavelmente, lendo centenas de páginas de artigos na internet e dezenas de livros... Foi em março de 2008 que as mudanças começaram. Adotamos medidas que abrangem vários aspectos, como a qualidade do ar, da água, banhos de sol, sono adequado, atividade física e principalmente, a alimentação. Sabemos que a evolução ou não de um câncer depende da quantidade de mutações... Quanto mais mutações, mais agressivo e virulento ele será. Descobri também que essas mutações são influenciadas pela resposta imunológica e, se o organismo estiver fortalecido, as chances de controle são muito maiores. As estratégias nutricionais que seguimos resumem-se a adotar uma alimentação o mais natural possível, evitando alimentos artificiais, embutidos, com corantes, conservantes, açúcar, gorduras saturadas etc. Para nutrir e desintoxicar, utilizamos sucos de vegetais crus diariamente. Também muitas frutas, alimentos integrais, amêndoas e alguns suplementos.  

"Foi em março de 2008 que as mudanças começaram. Adotamos medidas que abrangem vários aspectos, como a qualidade do ar, da água, banhos de sol, sono adequado, atividade física e principalmente, a alimentação".

Não foi fácil implantar essas medidas, mas ao mesmo tempo foi suave e sem stress. A cada dia meu filho melhorava. Ele havia saído da cirurgia com algumas sequelas. Perdeu a força muscular do lado direito do corpo e também o equilíbrio. A mão direita ficava “pendurada”. Após 6 meses de intensa fisioterapia, melhorou muito. Trocou a dominância para o lado “esquerdo” e aprendeu a comer e escrever com a mão esquerda. Seu equilíbrio também melhorou muito e, após 10 meses da cirurgia, já conseguia subir e descer escadas sem apoio. 

E a cada ressonância era aquela expectativa... Muita ansiedade, pois se trata de uma doença muito grave. Mas para honra e glória de Deus esse tumor não cresceu e continua lá, quietinho. Segundo os médicos, está “dormindo”... Já se passaram 4 anos e 3 meses do diagnóstico e hoje meu filho leva uma vida o mais normal possível. Na escola, cursa o sexto ano do ensino fundamental e os professores dizem que é um bom aluno... É tranquilo e de bem com a vida. Brinca, corre, pula, como as outras crianças. Gostamos de passear e viajar também. Mês que vem completará 11 anos. Raramente pega viroses ou resfriados... Antes éramos “assíduos” em pronto-socorro... Até os 6 anos, tomou muito antibiótico, agora já fazem mais de 3 anos que não tem sido mais necessário. As sequelas pós-cirúrgicas tornaram-se praticamente imperceptíveis... Quem não o conhece, não diz que é portador de um problema desse. É um milagre do poder de Deus.

Aqui em casa temos um diálogo sem qualquer preconceito com relação ao termo “câncer”. Principalmente porque ouvimos esta palavra a todo o momento na TV, no rádio e também em outros meios de comunicação. O Vitor sabe que tem um tumor, que também é conhecido por “câncer”, mas que está sob controle. Ele tem ciência parcial da gravidade, pois quando vamos ao GRAACC encontramos outras crianças com tumores cerebrais e graves sequelas e não há como “tapar” os olhos para essa realidade... Mas acho desnecessário entrar em detalhes com ele, ainda mais porque nunca se interessou saber sobre isso, não faz perguntas e nem comenta sobre a questão.

Em maio de 2009 comecei a escrever o blog Jornada Contra o Câncer e não fazia ideia do alcance que teria. O objetivo era compartilhar a nossa experiência e também as estratégias naturais que vínhamos utilizando. Desde então, passei a receber e-mails de pessoas dos mais variados lugares, que de alguma forma se identificaram conosco ou passavam por experiência semelhante.  Sinto-me recompensada ao saber que as informações ali disponibilizadas têm contribuído de alguma forma. 

Ah, e sobre a “dificuldade” de falar, que relatei no início deste depoimento foi descoberto tratar-se de “Mutismo Seletivo”. Esta síndrome não tem qualquer ligação ou relação com o tumor, mas foi através desse problema que começamos a investigar e descobrimos o problema maior... 

Agora as ressonâncias magnéticas de controle são a cada 6 meses, e a próxima deverá ser em junho de 2012. Os médicos olham para meu filho com bastante surpresa. O futuro não sabemos, mas hoje minha fé está mais fortalecida e aprendi a esperar em Deus. Não sei se é plano d’Ele que meu filho fique completamente curado, mas mesmo assim sou imensamente grata por tudo que tive e a oportunidade de aprender, devido a essa doença. É um aprendizado que vou levar pelo resto da minha vida e quero continuar compartilhando com o máximo possível de pessoas. 

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Autor(es)

  • Lidionete Costa de Souza

    Lidionete Costa de Souza /

    Mãe de Vitor André Costa de Souza e autora do blog www.jornadacontraocancer.blogspot.com

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