Publicada em 19/06/2018 às 16h17. Atualizada em 19/06/2018 às 16h30

Atividade Física na Gestação: devemos praticá-la?

Segundo a OMS, a prática da atividade física regular está associada à redução de problemas de saúde, como doenças do coração e o AVC, além de promover o bem-estar. Veja como a inclusão de exercícios físicos pode contribuir na qualidade de vida da gestante.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"...a prática da atividade física regular está associada à redução de mortes prematuras, doenças do coração, acidente vascular cerebral, câncer de cólon e mama e diabetes tipo 2, previne hipertensão arterial, obesidade, osteoporose, além de promover o bem-estar..."

Atualmente, tem havido uma preocupação mundial crescente pela qualidade e estilo de vida, bem como quais as consequências e efeitos nocivos à saúde que a inatividade física pode causar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prática da atividade física regular está associada à redução de mortes prematuras, doenças do coração, acidente vascular cerebral, câncer de cólon e mama e diabetes tipo 2, previne hipertensão arterial, obesidade, osteoporose, além de promover o bem-estar, reduzindo o estresse, a ansiedade e a depressão.

A inatividade física não representa apenas um risco de desenvolvimento de doenças crônicas, mas também custo econômico para o indivíduo e para a sociedade, sendo mais predominante em mulheres, idosos, indivíduos de baixo nível socioeconômico e incapacitados. 

Estudos internacionais mostram as mulheres mais inativas que os homens, relatando que o quadro é preocupante e exige ações e políticas de saúde pública para minimizar o impacto deletério na saúde dessa população. Para a mulher, a gravidez é o período ideal para modificações positivas no estilo de vida, incluindo a prática de atividade física e uma dieta alimentar mais saudável. A literatura médica demonstra que mulheres sedentárias apresentam um importante declínio do condicionamento físico durante a gravidez, e apontam a falta de atividade física regular como um dos fatores associados a uma susceptibilidade maior a doenças durante e após a gestação.

Desse modo, na ausência de complicações médicas e obstétricas, as mulheres devem ser encorajadas a manter a prática de atividade física durante a gestação, podendo também iniciar uma nova atividade física, uma vez que há benefícios a curto e longo prazo já comprovados em literatura em diversas áreas do organismo materno e fetal.

E quais seriam esses benefícios?

Estudos mostram que a atividade física na gestação mantém ou melhora o condicionamento físico e ajuda a prevenir o ganho de peso excessivo. Evidenciou-se também que as mulheres que interromperam a sua atividade esportiva durante a gravidez apresentaram um maior aumento de peso, comparado às mulheres não praticantes e àquelas que não interromperam a sua atividade ao longo de sua gravidez. 

O exercício físico na gestante está indicado na redução e prevenção de lombalgias, em função da alteração da coluna cervical, que muda a postura correta da gestante pelo aumento do útero na cavidade abdominal. Nesses casos, o exercício físico contribuirá para a adaptação de nova postura física, refletindo-se em maior aptidão para a gestante durante a prática da atividade física e do trabalho diário.

O tipo de parto também pode ser influenciado pela prática de atividade física. Bungum et al. (2000), estudando mulheres que nunca tinham engravidado previamente, as chamadas nulíparas, evidenciaram que, ao engravidar, aquelas gestantes sedentárias apresentaram risco 4,5 vezes maior de nascimentos por cesárea do que as gestantes ativas fisicamente. Resultados de outro estudo demonstraram que a participação em exercícios físicos, especialmente nos dois primeiros trimestres, esteve associada, efetivamente, ao menor risco de cesáreas.

Evidências comprovam ainda que a prática regular de atividade física na gestação promove a melhora da função cardiovascular e o controle da diabetes mellitus gestacional.

Ademais, a atividade física oferece vantagens durante a gestação também nos aspectos emocionais, colaborando para que a gestante se torne mais autoconfiante e satisfeita com a aparência, eleve a sua autoestima e apresente maior satisfação na prática dos exercícios.

Mas... E o bebê, não há malefícios para o feto?

Decerto, a grande preocupação feminina nesse período é sobre algum malefício que a prática de atividade física poderia trazer ao bebê ainda no útero materno. Todavia, há evidência em literatura, de que o feto é capaz de tolerar exercício físico materno em gravidezes não complicadas e que qualquer resposta fetal ao exercício materno não tem nenhum efeito adverso duradouro. Dados na literatura médica têm demonstrado que testes padronizados para o bem-estar fetal têm sido geralmente tranquilizadores após exercício de curta ou longa duração na gestação, tanto em mulheres previamente ativas como em sedentárias. Desse modo, parece haver consenso de que a prática de atividade física monitorada e regular durante a gestação não colabora para a prematuridade.

Existe então uma recomendação a ser seguida?

Nas décadas passadas, as gestantes eram aconselhadas a diminuir qualquer tipo de esforço físico, fosse ele por exercícios físicos ou por atividades ocupacionais, chegando, até mesmo, a parar de trabalhar nos estágios finais da gestação, já que a atividade física durante a gestação era relacionada a abortamentos e partos prematuros. 

No Brasil, por exemplo, um estudo mostra que apenas 12,9% das mulheres praticaram algum tipo de exercício durante algum tempo na gestação e que 4,3% das gestantes fizeram exercícios físicos durante toda a gestação, por falta de conhecimento dos benefícios ou por falta de oportunidades.

Todavia, as diversas organizações mundiais têm reafirmado, desde 2002, que há benefícios da prática de atividade física durante a gestação e no período pós-parto, tanto para mulheres previamente ativas quanto para sedentárias. Assim, na ausência de complicações médicas ou obstétricas, essa atividade deve ser recomendada, desde que supervisionada, uma vez que os efeitos benéficos da prática regular de atividade física se estendem, a longo prazo, tanto para a saúde fetal quanto para a saúde materna, bem como previnem condições futuras, como obesidade, diabetes e hipertensão arterial.

Isto posto, atualmente, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomenda que gestantes, sem contraindicações absolutas, pratiquem atividade física moderada por, no mínimo, trinta minutos na maioria dos dias da semana. Esses exercícios podem ser diversos e incluem: aeróbicos (como a caminhada e atividades aquáticas); de força ou resistência, como a musculação e o pilates; o alongamento e o relaxamento ou dança. 

Pratique atividade física na gestação! Ela interage de forma positiva com as estratégias para adoção de uma dieta saudável, estimula abandono de hábitos não saudáveis (como o uso do tabaco, do álcool e das drogas), promove a integração social, reduz mortalidades por doenças cardiovasculares e por todas as causas ao longo da sua vida, além de melhorar a sua autoestima! 

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