Publicada em 14/03/2018 às 10h40. Atualizada em 15/03/2018 às 15h25

Beba muita água para se prevenir das chamadas “pedras nos rins”!

Saiba mais sobre modos de prevenção e sobre inovadores tratamentos contra o cálculo renal, que é como esse problema é conhecido na medicina.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O aumento de peso na população e hábitos de dieta com muito sódio criam contexto propício para o desenvolvimento de cálculos nos rins. Confira, nesta entrevista com o Urologista Dr. Luiz Renato Montez Guidoni, mais informações sobre esse problema e seus variados métodos de tratamento.

iSaúde – O que são as, popularmente, chamadas “pedras nos rins”?

Luiz Renato Montez Guidoni – Cálculos renais, conhecidos, popularmente, como pedras nos rins, são formações endurecidas de minerais e outras substâncias existentes nos rins ou nas vias urinárias. Na maior parte das vezes, são formados por oxalato de cálcio, fosfato de cálcio e ácido úrico.

"...pedra no rim não dói, mas quando ela sai do rim e não consegue chegar até a bexiga, a dor é comparada à do parto."

iS – A quais sinais a pessoa deve estar atenta para saber se está com “pedras nos rins”? Quais exames podem determinar esse diagnóstico?

Luiz Renato Montez Guidoni – Muitas pessoas podem apresentar pedra nos rins sem nenhum tipo de sintoma, mesmo tendo pedras grandes, pois a cólica acontece apenas quando o rim fica obstruído, ou seja, quando o cálculo renal migra para o ureter (o canal por onde a urina, produzida no rim, chega à bexiga). Dessa forma, pedra no rim não dói, mas quando ela sai do rim e não consegue chegar até a bexiga, a dor é comparada à do parto. No momento da dor, o melhor exame para o diagnóstico é a tomografia de abdome e pelve sem contraste. Em pacientes sem dor, para descobrirmos esses cálculos, realizamos exame de ultrassonografia (USG) de rins e vias urinárias.

iS – Quais problemas elas ocasionam? E por que a dor causada por elas é tão intensa?  

Luiz Renato Montez Guidoni – As pedras, enquanto não obstruem os rins, não causam dor. Mas elas podem ser responsáveis por infecção urinária de repetição e perda progressiva de função renal (nos casos de pedras maiores). Entretanto, uma das maiores angústias dos portadores de cálculo renal é a imprevisibilidade do momento da próxima cólica, ou seja, essas pessoas estavam absolutamente sem queixas e, de repente, em 15 minutos, são obrigadas a correr para um serviço de saúde para tratamento.

A dor é extremamente intensa, pois corresponde à distensão rápida do rim e do ureter (canal que transporta a urina do rim para bexiga). Essa distensão acontece porque o rim continua a produzir urina e o canal obstruído não permite a chegada na bexiga.

iS – As pedras podem se alojar em diferentes órgãos e/ou partes do corpo?

Luiz Renato Montez Guidoni – As pedras do rim não têm nenhuma relação com as pedras da vesícula biliar (são formadas por outras causas e, enquanto uma faz parte do trato digestivo, a outra só passa pela via urinária, sem nenhuma forma de comunicação entre elas).

As pedras são produzidas nos rins e, assim como a urina, entram no ureter, chegando até a bexiga para, posteriormente, serem expelidas pela uretra (que é o canal que liga a bexiga ao meio externo). Como o diâmetro do ureter é 1/3 do diâmetro da uretra, todos os cálculos que passam pelo ureter e chegam à bexiga conseguem sair do nosso corpo pela uretra, geralmente, com nenhum ou mínimo sintoma.

iS – Há fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento desse problema? Possui causa genética?

Luiz Renato Montez Guidoni – Sim. Pelo menos 60% dos pacientes que experimentam a desagradável cólica renal têm antecedente familiar de formação de pedras no rim. Além disso, pacientes com alteração de ácido úrico e aqueles que consomem pouca água, muito sal e/ou proteína, têm maior propensão à formação de cálculos. O ganho de peso também está envolvido no aumento de risco para formação desses cálculos.

iS – Há hábitos ou medicamentos que contribuem para a prevenção contra esse problema? Há alimentos que devem ser evitados? É verdade ou mito que uma dieta com menos cálcio ajuda na prevenção? 

Luiz Renato Montez Guidoni – O hábito de beber líquidos e uso moderado de sal e proteína ajudam a prevenir. Geralmente, a quantidade de água necessária é variável de acordo com cada indivíduo. Um bom modo de entender se estamos consumindo água de forma adequada é observarmos a cor e odor da urina, ou seja, quando ambos estão mais fortes, significa que está faltando água!

O uso indiscriminado de suplemento de proteína, dieta à base de proteína e shakes para emagrecimento, pode favorecer a formação dessas pedras.

Em relação ao cálcio, na maior parte dos pacientes não há problema em sua ingestão (só o urologista pode, a partir de exames, definir), devendo preocupar-se mais com o consumo baixo de sódio.

iS – Conhece dados estatísticos nacionais e internacionais sobre esse problema?

Luiz Renato Montez Guidoni – Aproximadamente, 1 em cada 11 pessoas apresentam cólica renal durante a vida. Essa estatística vem aumentando bastante. Acredita-se que, principalmente, por conta do aumento de peso da população (obeso é mais propenso a formar cálculo) e por hábitos de dieta com mais sódio e menos líquidos. Para se ter uma ideia, eram 3% em 1976, 5% em 1994 e, em 2010, já subiu para 9%. Em termos de gênero, antigamente, a proporção era de 1 mulher a cada 3 homens, mas, hoje em dia, essa proporção está se aproximando de 1 mulher para 1,5 homens.

"Aproximadamente, 1 em cada 11 pessoas apresentam cólica renal durante a vida. Essa estatística vem aumentando bastante. Acredita-se que, principalmente, por conta do aumento de peso da população ..."

Para finalizar, é importante mencionar dois problemas associados e que também geram decorrentes dúvidas no consultório: a cólica renal e a infecção de urina. A cólica renal é um sintoma agudo da existência dos cálculos renais. Trata-se de uma dor intermitente na região lombar, que começa subitamente e pode irradiar para a lateral do abdômen e região genital. A dor é caracterizada pelo seu aumento progressivo de intensidade, seguido de alívio, para depois se agravar novamente. É importante ressaltar que não há uma posição específica que diminua ou termine com essa dor.

Os sintomas, comumente, têm início quando o cálculo renal sai do rim e obstrui o canal da urina, causando uma dilatação renal e provocando essas dores intensas, que, em alguns casos, geram calafrios, náusea, vômitos e sangue na urina, provocado pela movimentação do cálculo no rim e no ureter. Muitas vezes, é necessária a internação hospitalar para que a medicação adequada seja aplicada. Nesse momento, o Urologista avaliará a necessidade ou não da realização de procedimento cirúrgico endoscópico.

Já a infecção de urina é desencadeada pela presença de micro-organismos no trato urinário, geralmente, bactérias como a E.coli (Escherichia coli), que representa quase 90% dos invasores. A intensidade da doença depende da capacidade imunológica de cada paciente, bem como do microrganismo em questão e da aderência à parede do trato urinário. Dor, ardência e dificuldades ao urinar são os sintomas que podem indicar a infecção urinária.

As duas doenças possuem um importante sintoma em comum: o aumento da frequência urinária (urinar muitas vezes, porém em pequeno volume), por isso, ambas devem ser prontamente avaliadas por um médico (preferencialmente urologista), principalmente na ocorrência de febre e calafrios. Uma simples infecção urinária pode levar a uma infecção generalizada (septicemia), caso não seja diagnosticada e tratada adequadamente. Já a cólica renal, se não tratada, pode até acarretar perda da função de um rim.

Palavras Chave:

cálculo renal rim urologia
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