Publicada em 23/10/2012 às 00h00. Atualizada em 02/10/2014 às 11h11

Câncer de Mama: informação e prevenção são as armas nessa luta.

No Outubro Rosa o oncologista Dr. Pedro Villar explica sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Neste mês de outubro o mundo inteiro está em sintonia na campanha “Outubro Rosa” que incentiva a prevenção do câncer de mama. A iniciativa começou nos Estados Unidos, na última década do século XX. Uma das ações do movimento é mobilizar a sociedade e instituições sobre a importância da luta contra o câncer, incentivar a prevenção e iluminar de rosa monumentos no mundo inteiro para lembrar a campanha.

O câncer de mama acontece quando uma célula do ducto mamário (que canaliza o leite para o bico do seio) perde a capacidade de se controlar e começa a reproduzir-se de forma desordenada e continuamente levando ao aparecimento de um caroço na mama que tem a capacidade de invadir os órgãos do corpo, evitando que funcionem, levando à morte (tipo um parasita). Os tipos mais comuns são o carcinoma ductal (localizado nos ductos que transportam o leite) e carcinoma lobular (localizado nas unidades produtoras de leite) sendo mais comum o primeiro.

 Sintomas

Em estágios iniciais (caroço menor que 1cm), a neoplasia de mama não apresenta nenhum sintoma. Com o crescimento do câncer, surge um nódulo que é indolor, duro, fixo e, em alguns casos, forma uma ferida na pele. Muitas vezes aparece um caroço na axila, popularmente conhecido como íngua com as mesmas características do nódulo na mama. Em casos avançados, a doença apresenta-se como um caroço grande (do tamanho de um limão), inchaço na mama e alterações no bico do seio. Raramente apresenta sangramento. 

Para diagnosticar o câncer de mama, existem três formas, a primeira e a mais simples é o autoexame, principalmente depois do período menstrual. A orientação é que seja realizado após o banho. A paciente examina a mama com as pontas dos dedos empurrando a mama levemente contra as costelas procurando um caroço com as seguintes características: indolor, com consistência dura (como pedra) e fixo (o nódulo enraizado na mama). 

É extremamente importante que a mulher faça o autoexame, pois ele é essencial para a detecção da doença, no entanto, é preciso ressaltar que o nódulo inferior a 1 cm não pode ser detectado através do autoexame e, por isso, deve-se seguir a investigação através de outros exames. 

Ultrassom

A mama da mulher tem dois tipos de tecidos: o primeiro é a glândula mamária que produz o leite e o segundo é a gordura que está ao redor. O ultrassom tem a capacidade de melhor visualizar essa camada mamária que possui líquido. 

Mamografia

Ao contrário do ultrassom, a mamografia visualiza melhor a parte que tem a gordura. Não existe um exame melhor do que o outro, eles são complementares. Mas o autoexame e o exame do médico conseguem fechar o diagnóstico em mais de 95% das vezes, ou seja, se a mulher fizer o check-up completo é extremamente difícil que um câncer passe despercebido.

Ultrassom é indicado para mulheres jovens, pois elas têm mais tecido mamário e o exame pode visualizar melhor essa região. Se a mulher não tiver histórico familiar e não tiver sintoma nenhum, pode realizar acima dos 40 anos, se a mulher tiver qualquer sintoma na mama como dor, caroço ou secreção, deve fazer a ultrassom independentemente da idade. 

A mamografia é um exame que possui radiação muito pequena, mas quando realizado com frequência expõe a paciente a alguns riscos como o acúmulo de radiação. Por esse motivo, a Sociedade Americana de Medicina indica que seja realizada acima dos 50 anos ou, havendo histórico familiar, pode começar com 45 anos. Além disso, a mamografia é um exame pouco confortável nos mamógrafos mais antigos. Por sua vez, os mais novos, como os mamógrafos digitais, não apertam tanto o seio e são mais confortáveis para a paciente. 

A melhor maneira de diagnosticar o câncer em estágios precoces, nos casos em que o médico pode oferecer cura, é através do autoexame, exame médico, ultrassom e mamografia. Mas, para aqueles que têm histórico familiar em parentes de primeiro grau (mãe, avó e filho), existe um exame genético para detectar a mutação nos dois genes, o BRC1 e BRCA2, o que pode aumentar a incidência do câncer. Se esses dois genes estiverem alterados, as chances do aparecimento do câncer de mama aumentam de 30% a 80%. Esse exame pode ser realizado em clínicas particulares, seu custo é alto, o Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece e os convênios não o autorizam. 

BRCA1 é um gene que, se alterado, aumenta a chance do câncer de mama e em outros órgãos como ovário e colo do útero, o BRCA2, mais raro, o de mama, ovário e pâncreas. No caso de detectar, no exame genético, a alteração desses genes, deve-se discutir com o médico a possibilidade de fazer a mastectomia profilática, que é a retirada da mama para evitar o câncer em 66% a 100% dos casos, porque, mesmo que seja retirada toda a mama, ainda assim, pode ficar algum resíduo microscópico.

"Uma vez detectada a suspeita de câncer, deve-se partir para uma segunda etapa que é a biopsia".



Uma vez detectada a suspeita de câncer, deve-se partir para uma segunda etapa que é a biopsia, através de uma parte do tecido do nódulo, retirado através de exame ou de cirurgia, que é encaminhada para análise do patologista. Se confirmado o câncer, a indicação é estadiar o paciente, que significa verificar até que ponto ele se expandiu, uma vez que tem uma grande capacidade de se irradiar pelo corpo, entrar na corrente sanguínea e linfática e se espalhar principalmente para axila, pulmão, cérebro e fígado. A partir daí,  indica-se o tratamento. Os exames solicitados em pacientes com câncer de mama são: tumografia do cérebro, do abdomem, do tórax e cintilografia óssea para verificar se há alguma invasão óssea. 

Após o resultado dos exames, o paciente com câncer de mama é classificado em quatro estágios I, II, III e IV. Cada caso deve ser avaliado para a escolha do tratamento adequado e, a depender da situação, realiza-se primeiro a quimioterapia ou a cirurgia.

A conduta do médico vai depender do resultado da biopsia e do tamanho do tumor que, se for de até 3 cm, é feita uma quadrectomia, ou seja, retirada de uma parte da mama e, nesse caso, a cirurgia é menor e esteticamente melhor para a paciente. No entanto, nesse caso, é obrigatório realizar a radioterapia para complementar o tratamento. Se o tumor tiver mais de 3cm e a paciente quiser retirar toda a mama, não é necessária a radioterapia. Em alguns casos, pode-se fazer a reconstrução da mama na mesma cirurgia ou em outros, faz-se a segunda parte do tratamento com radioterapia e a cirurgia plástica depois de  um ano, geralmente.

Câncer de Mama: veja alguns tratamentos e orientações

 

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Autor(es)

  • Pedro Villar

    Pedro Villar / CRM BA 18293

    Formado em medicina na Universidade Federal da Bahia (Ufba) em 2000, fez residência em cirurgia geral no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo de 2001/2003, realizando, posteriormente, residência em oncologia (cirúrgica) no Hospital do Câncer de São Paulo (A.C. Camargo) que é o maior centro de oncologia da América Latina. Hoje coordena o setor de oncologia do Hospital Roberto Santos e o setor de cirurgia oncológica no CICAN. Atua em clínica particular e, no momento, faz mestrado com o tema “Qualidade de Vida no Paciente com Neoplasia do Trato Gastrointestinal”.

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