Publicada em 12/12/2014 às 00h00. Atualizada em 13/12/2014 às 08h37

Cegueira parcial e total?

No 13 de dezembro é celebrado o Dia do Cego. O que você sabe sobre cegueira?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Pela passagem do Dia do Cego, celebrado em 13 de dezembro, o iSaúde Bahia conversou com a médica oftalmologista, Camila Koch que explicou a diferença entre cegueira parcial e legal, além de alguns cuidados que a gestante deve ter para evitar a cegueira congênita em seu bebê. Confira a entrevista.

iSaúde Bahia - Como podemos caracterizar a cegueira? O que é cegueira parcial?  Qual a diferença de cegueira para baixa visão?

Dra. Camila Koch - Cegueira total é quando o paciente não enxerga nem a luz, ou seja, não tem percepção luminosa. A cegueira legal é quando a visão no melhor olho com correção é menor que 20/200 ou perda de campo visual menor que 10 graus. Ou seja, para enxergar deve-se ficar a 20 pés do objeto que enxergará o que uma pessoa normal enxerga a 200 pés. A cegueira parcial é chamada visão subnormal, que fica entre pior que 20/60 e melhor que 20/200 ou perda de campo visual menor que 20 graus no melhor olho com correção.

iSB - Quais as principais causas da cegueira nas diversas fases da vida (infância, juventude, maturidade)?

Dra. Camila Koch - Em adultos, a maior causa de cegueira irreversível é o glaucoma. A catarata é a maior causa de cegueira reversível em países como o Brasil, em desenvolvimento. E nos países desenvolvidos a DMRI (doença macular relacionada à idade) é a maior causa. Em crianças, as maiores causas de cegueira são erros refrativos (corrigidos com óculos), opacidade de córnea (por deficiência vitamínica) e catarata congênita principalmente em países em desenvolvimento. Houve uma diminuição importante de cataratas congênitas com a vacinação da rubéola, mas o pré-natal ainda não é realizado por todas as gestantes. Um estudo com crianças com catarata congênita está sendo realizado no Hospital Humberto Castro Lima, oportunizando tratamento e acompanhamento dessas crianças, a fim de melhorar a sua visão.  

iSB - Existem cuidados que a gestante possa tomar para evitar a cegueira congênita?

Dra. Camila Koch - O pré-natal deve ser realizado corretamente e a mãe deve ser vacinada, conforme comentei sobre a rubéola. É importante lembrar que as crianças devem passar pelo teste do olhinho ao nascer e, se detectado alterações, devem ser encaminhados ao oftalmologista de imediato, pois o ideal é realizar a cirurgia de catarata congênita antes dos seis meses de idade. Além disso, a criança deve ser acompanhada pelo pediatra tendo o leite materno exclusivo até os seis meses e após a complementação adequada para evitar deficiências vitamínicas. Caso os genitores percebam desvios do olho da criança, o reflexo sair escuro quando tirar uma foto ao invés de vermelho ou alguma mancha que chame a atenção, devem procurar o oftalmologista para indicar a melhor conduta.

iSB - Existe uma estatística de pessoas cegas em Salvador? E no Brasil? E de pessoas com baixa visão?

Dra. Camila Koch - No mundo, 1% da população apresenta algum grau de deficiência visual. No Brasil, existem em torno de 640.000 cegos. Na Bahia há 15 mil pessoas cegas. É difícil realizar estudo de tamanha dimensão sobre baixa de visão.

iSB - Existe algum tipo de trabalho de adaptação promovido por médicos e profissionais afins para o paciente que fica cego?

Dra. Camila Koch - Existe uma subespecialidade oftalmológica, Visão Subnormal, que são oftalmologistas que estudam mais essa parte de baixa de visão podendo auxiliar os pacientes com tratamentos e aparelhos específicos. Além disso, existe o Instituto de Cegos que proporciona o acompanhamento desses pacientes. Infelizmente nem todos conseguem atendimento e acompanhamento pois ainda falta investimento do governo na área da saúde.

iSB - Quais medidas a sociedade e o poder público podem adotar para promover a inclusão e a melhor qualidade de vida da pessoa cega?

Dra. Camila Koch - O governo deve investir na saúde e na educação. Talvez quem não trabalhe na área da saúde não saiba o quanto a saúde pública está abandonada. Existem médicos especialistas em maior número que o necessário no país, diferentemente do que nosso governo alega. Faltam investimentos de aparelhos, exames, estrutura física para cuidar dos doentes. Nós médicos somos preparados para diagnosticar e tratar, mas infelizmente não podemos receitar óculos sem aparelhos, não podemos operar sem equipamentos e nem mesmo acompanhar crianças depois de cirurgia de catarata. Sabemos que essa é a parte cara da medicina, sem contar que procedimentos estão há mais de dez anos sem reajuste pelo SUS, ao seja, se torna inviável um hospital manter um bom atendimento somente pelos atendimentos SUS. Investir na educação, pois não há um dia de atendimento SUS em que eu não examine pacientes analfabetos, sem suporte para decidir quem são os governadores que melhorariam o país e sem educação necessária para auxiliar e respeitar deficientes visuais. A sociedade deve saber votar para os auxiliar nas suas necessidades especiais.

iSB - Qual a importância de se promover o Dia do Cego – 13 de dezembro?

Dra. Camila Koch - Em primeiro lugar estimular a prevenção da cegueira. Orientar sobre as doenças mais prevalentes no nosso meio que podem levar à cegueira, a fim de que as pessoas busquem o tratamento adequado e em tempo correto, pois algumas doenças são irreversíveis. Em segundo lugar, chamar a atenção do governo que há falta de equipamentos na rede pública para atender esses pacientes adequadamente. E, em terceiro lugar, promover uma integração desses pacientes na sociedade, já sofridos com a sua deficiência visual.

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Autor(es)

  • Camila Ribeiro Koch Pena

    Camila Ribeiro Koch Pena / CRM 20722

    Graduada em medicina pela Universidade Federal Rio Grande, mestre em Medicina pela Universidade Nova de Lisboa (Portugal). Possui especialização Médica em Oftalmologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Fellowship em Catarata: Hospital Humberto Castro Lima (IBOPC). Observership em Segmento Anterior: New York Presbyterian Weill Cornell (New York). Observership em Uveítes: The Wilmer Eye Institute at Johns Hopkins Hospital (Baltimore). Atua com Oftalmologia Clínica e Cirúrgica com ênfase em Catarata e Segmento Anterior, Trauma e Uveíte, além de Oftalmologia Geral. Na área Acadêmica atua como Preceptora do departamento de Catarata do serviço de Residência Médica do Hospital Humberto Castro Lima. Integrante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da American Academy of Oftalmology.

Serviços Gratuitos
  • Hospital Humberto de Castro Lima - Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção da Cegueira (IBOPC)
    Tel.: (71) 3173.8200
    Rua Pedro Lessa, nº 118, Canela, Salvador, Bahia, CEP 40.110-050
  • Ambulatório Docente-Assistencial da Bahiana - ADAB
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