Publicada em 22/03/2013 às 00h00.

Como funciona a pílula do dia seguinte?

Dra. Margarida Mattos explica como funciona esse contraceptivo de emergência e os riscos do uso excessivo.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"A sua indicação é para situações especiais quando se deseja prevenir uma gravidez, após uma relação sexual desprotegida".

A pílula do dia seguinte, também chamada de contraceptivo de emergência, é baseada na utilização de medicamento ou dispositivo após uma relação sexual desprotegida. É um método que evita a gravidez após a relação sexual. 

Esses medicamentos são constituídos de hormônios. É importante ressaltar que, como o próprio nome relata, não devem ser usados com frequência e sim esporadicamente. Quanto mais vezes são usados, menos eficaz fica o método e, por esta razão, não devem ser administrados como rotina. 

A sua indicação é para situações especiais quando se deseja prevenir uma gravidez, após uma relação sexual desprotegida.  Chama-se relação sexual desprotegida aquela que pode levar a uma gravidez indesejada.

"A mulher pode usar esse tipo de método contraceptivo: quando há falha no método em que a paciente está em uso; estupro e quando ocorre uso inadequado de um método contraceptivo, como, por exemplo: ruptura do preservativo..."

 

A mulher pode usar esse tipo de método contraceptivo: quando há falha no método em que a paciente está em uso; estupro e quando ocorre uso inadequado de um método contraceptivo, como, por exemplo: ruptura do preservativo (fato comum), esquecimento prolongado do uso do contraceptivo oral, atraso no uso do contraceptivo injetável ou cálculo incorreto do período fértil.

Como deve ser usada?

Atualmente a contracepção do dia seguinte ou de emergência deve ser tomada até 72 horas após a relação sexual.  O uso é via oral.

O ideal é que a mulher tome a medicação logo após a relação sexual, contudo, pode ingerir até 72 horas após. Quanto maior o atraso na administração da medicação, maior o risco de falha, o que favorece a gestação. Contracepção de emergência não deve ser usada como rotina.

O uso da pílula do dia seguinte não afeta o sistema reprodutor, desde que tomada da forma indicada. 

Tem efeitos colaterais? 

Náuseas e vômitos podem ocorrer em algumas mulheres por conta do uso da medicação, além de dor mamária, cefaleia e vertigem. Estes sintomas podem desaparecer em 24 horas.

As náuseas e vômitos podem ser minimizados com o uso de medicações antieméticas, uma hora antes da ingestão do anticoncepcional de emergência.  Se o vômito ocorrer nas primeiras duas horas após a sua administração,  recomenda-se que a dose seja repetida. Caso ocorra o vômito novamente e dentro do mesmo prazo, a administração do medicamento deve ser feita por via vaginal. 

"Se o vômito ocorrer nas primeiras duas horas após a sua administração,  recomenda-se que a dose seja repetida".

 

A única contraindicação absoluta pela Organização Mundial da Saúde é gravidez confirmada.

Com relação ao mecanismo de ação da anticoncepção de emergência,  existem vários trabalhos sobre o tema, mas as informações ainda são escassas sobre esse mecanismo.  Ainda persistem dúvidas, principalmente sobre um suposto “efeito abortivo”.  É necessário lembrar que uma relação sexual só resulta em gravidez se ela acontecer no dia da ovulação ou nos cinco dias que a precedem. Este período de fertilidade, de seis dias, varia para cada ciclo e para cada mulher, decorrente da possibilidade de a ovulação ocorrer tão cedo como no 10° dia do ciclo menstrual, ou tão tardiamente quanto no 23°.  Os espermatozoides, por sua vez, precisam esperar entre um e cinco dias no trato genital feminino até que se produza a ovulação. E é exatamente nesse período que a contracepção de emergência atua.  

O mecanismo de ação principal da AE varia bastante conforme o momento do ciclo menstrual da mulher. Se a medicação for usada nos primeiros dez dias após a menstruação, a ovulação é impedida ou retardada. A ovulação pode ser impedida ou retardada em quase 85% dos casos e, nessas circunstâncias, os espermatozoides não terão qualquer oportunidade de contato com o óvulo.  Contudo, se a medicação for tomada próxima ao período de ovulação, haverá pouca capacidade de impedir ou postergar a ovulação, o que pode explicar grande parte dos casos de falha do método.  Quando administrada depois de ocorrida a ovulação, ocorre alteração da viscosidade do muco cervical, tornando-o espesso e hostil o que leva o espermatozoide a ter dificuldade de se movimentar e se deslocar do útero até as trompas.  Este efeito reduz significativamente a probabilidade de fecundação nos casos em que a contracepção de emergência não foi capaz de inibir a ovulação.

Atualmente existem duas formas atuais aceitáveis de usar a contracepção de emergência: A primeira, também conhecida como método de Yuzpe em que se usa uma associação de estrogênio e progestágeno e a segunda consiste na administração de  apenas progestágeno.

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