Publicada em 29/11/2017 às 15h03. Atualizada em 01/12/2017 às 02h10

Como garantir a qualidade de vida de idosos em abrigos?

Estudo avalia o bem-estar de idosos residentes em instituição de longa permanência.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

A tendência de envelhecimento populacional constitui uma realidade mundial com alterações de transição demográfica marcantes, o que tem acarretado  modificações epidemiológicas no que diz respeito ao aumento da  população idosa e, concomitantemente, na necessidade de  garantia dos  direitos fundamentais, bem-estar,  melhoria e manutenção da  qualidade  de vida (QV) dessa população.

Assegurar a qualidade de vida na velhice frente ao crescente número de idosos tem sido motivo de amplas discussões, visto sua associação com os níveis de autonomia na tomada de decisões e independência nas  atividades da vida   diária, muitas vezes prejudicada  por morbidades  e incapacidades.  A estreita relação com os fatores psicológicos, visão acerca de si mesmo e percepção de controle, também desempenham uma enorme influência na promoção da saúde e independência funcional, associados a satisfação e qualidade  de vida do indivíduo senescente.

A compreensão da qualidade de vida estar associada ao significado de velhice dado pelo idoso, havendo assim uma considerável ligação da QV com fatores como as mudanças e imagens do corpo, curso de vida, hábitos, se sobrevivem com  ajuda  de familiares e  terceiros ou se possuem independência.  Os conceitos de QV na literatura são tanto globais quanto divididos em componentes. Ela não está atrelada apenas à saúde com o bem-estar físico, funcional, cognitivo e emocional, mas às outras áreas da vida, como âmbito de trabalho, família, círculo de amigos e outros eventos do dia a dia.

Em consequência dessa maior necessidade de atenção à saúde do idoso, as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) surgem nesse cenário como uma oportunidade de devolver a qualidade de vida a esses idosos, suprindo as necessidades de moradia, alimentação e cuidado, garantindo os direitos fundamentais estabelecidos pelo estatuto do idoso. A  inserção nas ILPIs,  em sua maioria, ocorre quando o idoso não possui um lar ou quando a família não possui suporte (financeiro, emocional, cuidadores ou um lar adequado)  nem recebe ajudas governamentais necessárias para  cuidar do idoso no domicílio.

O perfil do idoso institucionalizado é caracterizado por morbidades, perda da autonomia, incapacidades, fragilidade e sedentarismo, e o distanciamento progressivo da família pode ser notado como resultado do abandono, tornando as instituições de longa  permanência  um lar, um lugar  de  cuidado e proteção  com o intuito de garantir  a  atenção  e qualidade de vida desses indivíduos. No ambiente da instituição, é necessário que o idoso desenvolva uma nova vivência, com diferentes hábitos, normas, horários e relações sociais. As mudanças advindas da institucionalização podem acarretar, muitas vezes, mudanças comportamentais e  de  identidade, fazendo com que vivam um mundo particular, com perda da individualidade e tendência ao isolamento. Entende-se, então, a importância do desenvolvimento de atividades nas instituições, refletindo em melhoria da saúde, autoestima e bem-estar.

"As mudanças advindas da institucionalização podem acarretar, muitas vezes, mudanças comportamentais e  de  identidade, fazendo com que vivam um mundo particular, com perda da individualidade e tendência ao isolamento."

São  marcos dos indivíduos acima de 65 anos o aumento de problemas específicos da senilidade, como diminuição da  capacidade visual e auditiva, incontinências, demências, depressão  e isolamento. Grande  parte  dos  idosos admitidos a  IPLI,  além dos fatores miséria e abandono, em segundo lugar são acometidos por problemas mentais e físicos, e a  própria  institucionalização pode  ser vista como um agente  propiciador  de  estresse e  problemas psíquicos, visto que o isolamento pode levar o idoso a solidão, tristeza e desinteresse em viver.

Dessa forma, toda a problemática vivenciada pelo idoso como resultante da institucionalização pode comprometer, de várias maneiras, sua qualidade de vida.  Torna-se, assim, de suma importância a investigação da percepção individual do  idoso no  que  diz  respeito  ao  seu  bem-estar,  com o objetivo de avaliar a qualidade  de vida e propor o   envelhecimento saudável.   

Estudos

Diferentes estudos abordam que o homem idoso possui, em diferentes facetas, uma QV maior em relação à mulher idosa.  Essa diferença percentual se deve ao fato de que as mulheres regalam menos da vida, apoiando pensamentos negativos, dando lugar a depressão e ansiedade.

A qualidade de vida é bem menor em idosos de idade mais avançada (acima de 80 anos), o que, muitas vezes, tende a agravar-se com a institucionalização. Há uma associação significante entre o motivo da institucionalização e a qualidade  de vida do longevo. Por exemplo, os idosos que veem a institucionalização como uma nova oportunidade de vida e recomeço apresentam um nível mais alto de QV, ao contrário daqueles que se consideram um fardo e desprezados pela família.

O analfabetismo e o baixo grau de escolaridade dos idosos institucionalizados agrava negativamente a QV dessas pessoas, causando conflitos no atendimento, inclusão e aceitação das regras da instituição. Entre os domínios analisados por este estudo, as relações sociais foram o que fator que mais contribuiu, analisando que um dos aspectos importantes para a manutenção da QV do idoso é o convívio social, no qual cabem as instituições, a promoção de atividades físicas, lazer, trabalho e cultura.

Segundo o estudo, idosos submetidos à institucionalização apresentavam uma menor qualidade de vida quando comparados aos idosos não institucionalizados,  o que estaria ligado à necessidade de planejamento social e reestruturação da saúde, visando instituições efetivas  que  foquem na  promoção da  saúde  do idoso.

Com relação aos aspectos físicos, a saúde foi vista por idosos de um grupo de convivência como algo que se tem e se busca prevenir, já para os idosos moradores  da  instituição,  saúde  significa não ter doença e não sentir dor, representando algo que lhes falta, julgando, dessa forma, não possuir qualidade de vida adequada.

A perda da capacidade funcional aliada à redução da autonomia manifesta-se com o comprometimento dos sentidos, o que tende a reduzir ainda mais a qualidade de  vida  do  longevo. Dessa forma, é evidente a importância do incentivo a relações sociais nas instituições, juntamente a  exercícios físicos e mentais, atividades laborais e manutenção da  QV dos idosos institucionalizados. 

Compartilhe

Saiba Mais

     

    Redes Sociais