Publicada em 02/07/2012 às 00h00. Atualizada em 03/07/2012 às 14h21

Como identificar se seu filho está como problema na vista?

A oftalmologista Dr.ª Regina Pinheiro explica como seu filho desenvolve a visão e como detectar problemas visuais

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"Cerca de 20 a 25% das crianças em idade escolar apresentam algum tipo de problema visual".

A criança ao nascer não está com o seu sistema visual formado, tanto anatomicamente quanto com as conexões junto ao sistema nervoso central, mesmo nos bebês a termo. Este bebê tem uma visão desfocada e não percebe adequadamente as cores, mas, com o passar do tempo, a visão vai se desenvolvendo e melhorando. A visão desenvolve-se até os 7- 10 anos de vida, sendo que os primeiros cinco anos são os mais importantes. A seguir, algumas características da visão e do desenvolvimento neuro-sensitivo em algumas fases da vida:



Alguns fatores ajudam a identificar se há problema visual nas crianças. Dentre os sinais que apontam para isso estão: a irritação constante nos olhos; a aproximação do papel junto ao rosto, quando escreve e lê; a dificuldade para copiar bem da lousa a distância; os olhos franzidos para ler o que está escrito na lousa; cabeça inclinada para ler ou escrever, como se procurasse um ângulo melhor para enxergar; tropeços frequentes por não enxergar pequenos obstáculos no chão; nistagmo; estrabismo; dificuldade de enxergar em ambientes muito claros; não fixação do olhar ou acompanhamento de um objeto com os dois olhos aos três ou quatro meses de idade; dificuldade para movimentar um ou os dois olhos para todas as direções; ou qualquer alteração nos marcos de desenvolvimento, de acordo com a idade da criança. 

"Quando o bebê é prematuro, a incidência de problemas de visão é maior".



Quando o bebê é prematuro, a incidência de problemas de visão é maior. A Retinopatia da Prematuridade (ROP) é uma das doenças mais comuns que acomete esses bebês, que nascem com peso inferior a 1.500 gramas ou antes de 32 semanas de gestação.

É caracterizada pelo crescimento desorganizado dos vasos sanguíneos que suprem a retina do bebê. Esses vasos podem sangrar e, em casos mais sérios, a retina pode descolar e ocasionar a perda da visão da criança. 

Isso acontece mais nos bebês prematuros pela imaturidade desses vasos sanguíneos. Os vasos terminam de se formar até o final da gestação e nos prematuros não estão totalmente formados. Mesmo crescendo após o nascimento prematuro, podem se desenvolver de modo desarranjado, ocasionando a retinopatia. Nessas crianças, os vasos sanguíneos da retina são muito imaturos e começam a se desenvolver de maneira anormal causando hemorragias que levam à cegueira. Outro fator que pode ocasionar a doença é o uso irracional de oxigênio no berçário. O primeiro exame para diagnosticar a doença deve ser feito de quatro a seis semanas após o nascimento.

Os estágios vão desde o crescimento anormal leve dos vasos sanguíneos até o estágio mais grave que é a retina completamente descolada.

"Nem todos os casos de Retinopatia da Prematuridade precisam ser tratados. Os que não precisam de tratamento clínico deverão ser acompanhados periodicamente pelo oftalmologista..."

Nem todos os casos de Retinopatia da Prematuridade precisam ser tratados. Os que não precisam de tratamento clínico deverão ser acompanhados periodicamente pelo oftalmologista até que a retina apresente amadurecimento normal dos vasos sanguíneos. Entretanto, quando a Retinopatia da Prematuridade não regride espontaneamente, os vasos continuam crescendo e a retina termina por se descolar. Nesses casos, são necessários tratamentos cirúrgicos. A criança pode não ficar completamente cega, mas com uma baixa visual muito grave, necessitando de auxílios ópticos visuais para enxergar.

Cerca de 20 a 25% das crianças em idade escolar apresentam algum tipo de problema visual. As ametropias representam a maior parte desses distúrbios, com sua prevalência variando de 4,56% a 14,11% dependendo da fonte pesquisada (ametropias que necessitam de correção). Hipermetropia e astigmatismo hipermetrópico são os vícios refrativos mais frequentes, seguidos de miopia e astigmatismo miópico. A ambliopia aparece com uma prevalência entre 1 a 5%, representando uma das maiores causas de cegueira previnível em crianças, sendo que 50% dos casos têm o estrabismo como etiologia. O estrabismo tem prevalência em torno de 1 a 4% em crianças em idade escolar e anisometropia de 1 a 2%.

Outras doenças menos frequentes são também causas importantes de distúrbios visuais em crianças, como as coriorretinites, cataratas, retinopatia da prematuridade entre outras, somando uma prevalência de aproximadamente 4% na população citada.

Os distúrbios visuais mais prevalentes em crianças podem ser identificados através de uma triagem com oftalmologista, realizada idealmente no período neonatal (teste do olhinho) e, depois, anualmente. O teste do olhinho consiste na visualização do reflexo vermelho retiniano pelo oftalmologista, ajudando no diagnóstico precoce de doenças como catarata e glaucoma congênitos. Para ametropias, anisometropias e ambiopia, testes de acuidade visual e refração sob cicloplegia são ideais para o diagnóstico. O estrabismo muitas vezes é percebido por familiares e pode ser diagnosticado e classificado com testes oftalmológicos específicos.

Dr.ª Regina agradece a colaboração dos residentes do IBOPC e HGRS. 

Palavras Chave:

oftalmologia visão olhos filhos
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