Publicada em 02/05/2012 às 00h00. Atualizada em 02/05/2012 às 17h07

Como vive uma pessoa que retirou um tumor do intestino?

O oncologista Dr. Pedro Villar responde a essa e outras perguntas do iSaúde Bahia. Confira a entrevista e aprenda a se cuidar melhor.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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iSaúde Bahia - Como vive uma pessoa que retirou um tumor do intestino? O intestino funciona de forma normal?

Dr. Pedro Villar - Depende da cirurgia que foi realizada. O intestino grosso tem 1,5 m, se retirado parcialmente não vai existir nenhuma alteração. Se retirado totalmente (extremamente raro, pois o tumor geralmente aparece em um único local) o paciente apresenta alteração na quantidade de vezes que vai ao banheiro e existe uma alteração das fezes de sólidas para líquidas (temporária, em torno de seis meses o corpo se adapta, mas nunca volta ao hábito anterior). Em alguns casos, principalmente em cirurgias de urgência, o paciente faz a colostomia (o intestino é cirurgicamente colocado na parede abdominal e o paciente fica com uma bolsa sendo esvaziada quando cheia), que pode ser temporária ou definitiva.



iSaúde Bahia - De quanto em quanto tempo uma pessoa que já fez a cirurgia deve fazer exames diagnósticos da doença? Quais os exames? 

Dr. Pedro Villar -
 O acompanhamento de quem faz a cirurgia é bastante rigoroso nos primeiros cinco anos (tempo definido como doença curada em oncologia) e, após isso, segue-se a rotina. Nos primeiros dois anos (que é o tempo que normalmente a doença recidiva) faz-se exames de sangue habituais (hemograma, função renal, função hepática e eletrólitos) e marcadores tumorais (são exames de sangue específicos para monitorização de tumores) como o CEA (Antígeno Carcinoembrionário). Nessa mesma revisão inicial (6/6 meses nos primeiros 2 anos), faz-se raio-x de tórax e ultrassonografia abdominal (o fígado e o pulmão são locais onde o tumor pode metastizar) e colonoscopia (o tumor, na maioria das vezes, retorna no local onde se originou e a colonoscopia avalia isso perfeitamente)

iSaúde Bahia - Explique melhor o que faz um pólipo evoluir para um câncer? Isso sempre ocorre?

Dr. Pedro Villar - 
O pólipo intestinal é uma proliferação anormal das células que compõem o intestino grosso. Não é considerado doença e sim um alteração do corpo que acontece com o envelhecimento (como mudança da cor do cabelo e perda da elasticidade da pele). Na maioria das vezes, passa despercebido sem causar sintomas no paciente. Existe uma doença chamada Polipose Familiar na qual o paciente desenvolve, em 100 % dos casos, pólipos em todo o intestino (mais de 100) que evoluem fatalmente para o câncer de intestino, sendo indicada a cirurgia de retirada de todo o intestino grosso. Contudo, na maioria das vezes (menos de 5 %), o pólipo não se transforma em câncer. Não existe tratamento para o aparecimento dos pólipos (já se tentou algumas medicações com aspirina, mas não é de uso rotineiro), porém, na colonoscopia, pode-se retirá-lo sem danos ao paciente e evitando, em 100% dos casos, que ele evolua para câncer. 

Toda a célula que se reproduz (como o pólipo) pode sofrer alguma mudança por influência de muitos fatores (cigarro, bebida, radiação, dieta rica em gordura). Nessa mudança, ele pode perder a capacidade de se controlar e ficar imortal reproduzindo-se sem parar (câncer).

iSaúde Bahia – Existe uma forma de evitar o aparecimento dos pólipos? Por que eles aparecem em formato de verruga? A endoscopia detecta? 

Dr. Pedro Villar - 
Como descrevi anteriormente, alguns trabalhos mostram que o uso regular de aspirina diminui o aparecimento de pólipos. Não a usamos como rotina, porque pode causar uma série de complicações, como sangramentos. A endoscopia (colonoscopia) não só detecta, como retira, evitando que evolua para câncer (neoplasia maligna). O formato de verruga é uma das formas que o pólipo pode aparecer, existem outras como mancha etc. Não existe explicação do porquê desse formato, mas ele possibilita a sua retirada sem complicações para o paciente.

iSaúde Bahia – A colonoscopia só é indicada nos casos de histórico familiar e idade acima de 40 anos? Essa doença afeta os mais jovens? Existe alguma estatística sobre isso? 

Dr. Pedro Villar - 
A colonoscopia é indicada para todas as pessoas acima de 50 anos, independentemente de ter sintomas ou qualquer tipo de histórico familiar. Lembre-se de que o câncer de intestino grosso normalmente não apresenta nenhum sintoma inicialmente.  No caso de a pessoa apresentar histórico familiar ou doenças que predispõem ao desenvolvimento do câncer numa idade mais jovem (doença de Chron, Retocolite Ulcerativa, Polipose Familiar Intestinal) indica-se a colonoscopia aos 40 anos mesmo que não apresente nenhum sintoma. Sim, a doença pode acontecer em jovens, porém é extremamente raro antes dos 40 anos (a não ser no caso dos portadores das doenças que citei anteriormente).

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Autor(es)

  • Pedro Villar

    Pedro Villar / CRM BA 18293

    Formado em medicina na Universidade Federal da Bahia (Ufba) em 2000, fez residência em cirurgia geral no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo de 2001/2003, realizando, posteriormente, residência em oncologia (cirúrgica) no Hospital do Câncer de São Paulo (A.C. Camargo) que é o maior centro de oncologia da América Latina. Hoje coordena o setor de oncologia do Hospital Roberto Santos e o setor de cirurgia oncológica no CICAN. Atua em clínica particular e, no momento, faz mestrado com o tema “Qualidade de Vida no Paciente com Neoplasia do Trato Gastrointestinal”.

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