Publicada em 19/08/2013 às 00h00. Atualizada em 19/08/2013 às 09h32

Conheça as alterações que ocorrem com o envelhecimento

A nutricionista Pricilla Moreira explica as alterações no corpo do idoso e como devemos encarar essa fase de forma natural.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"...nem sempre somos idosos com doenças, da mesma forma que nem sempre somos jovens livres de doenças".

 É comum associar velhice com adoecimento. A figura que temos do velho é de um ser dependente, frágil e doente. Mas, nem sempre somos idosos com doenças, da mesma forma que nem sempre somos jovens livres de doenças. Quando se trata de envelhecer, não se pode generalizar, mas todos podem e devem buscar envelhecer com boa qualidade.

Definir envelhecimento é algo complexo, pois ocorrem alterações, tanto psicológicas quanto biológicas e sociais. Biologicamente, o envelhecimento é considerado um processo natural que ocorre durante toda a vida. Ele é caracterizado pela perda progressiva na capacidade de manter o equilíbrio homoestático em condições de sobrecarga funcional. 

Um exemplo prático são as alterações em relação ao equilíbrio corporal. Em nosso corpo existem diversos mecanismos que mantêm o equilíbrio, desde os mais simples até os mais complexos. Esses mecanismos são compostos basicamente de sensores responsáveis pela detecção do desequilíbrio e de sensores efetores que executam as correções necessárias. Durante o envelhecimento ocorre redução, tanto no número quanto na sensibilidade desses sensores. Por isso, os idosos têm maior susceptibilidade para quedas.

O envelhecimento, de uma forma geral não é uniforme, alguns idosos apresentam alterações importantes, como o desequilíbrio, e outros não. O que ocorre, de forma geral, é um conjunto de transformações estruturais e funcionais que se acumulam de forma progressiva e específica para cada indivíduo.

Ocorrem também alterações na composição corporal do idoso, como por exemplo, o aumento da gordura corporal. Para se ter ideia, com 75 anos de idade o indivíduo tem praticamente o dobro de gordura que ele tinha com 25 anos. Dessa forma, tem-se um aumento expressivo da quantidade de tecido adiposo. 

Paralelamente a isso, ocorre uma redução da quantidade de massa magra, ou seja, de músculo. Aliado à redução da quantidade, há também diminuição da força e do desempenho muscular. Quando isso ocorre, tem-se um problema chamado sarcopenia que não é uma doença, mas pode levar o indivíduo à incapacidade funcional, piorando seu quadro de saúde. 

Outra alteração relevante é a redistribuição desse tecido adiposo. Ocorre uma redução da quantidade de gordura nos membros (braços e pernas) e um aumento do acúmulo de gorduras na região do tronco, aumentando, assim, a chamada gordura central. Quando essa gordura está intrínseca aos tecidos mais internos (viscerais), tem-se aumento da probabilidade de o indivíduo apresentar doenças cardíacas.

Existe também uma alteração importante com relação à água corporal total. Há uma redução de 15% a 20% da quantidade de líquidos no organismo, principalmente da água que fica dentro das células, a chamada água intracelular. Quando consideramos a redução de líquidos e o aumento de gorduras no organismo, entendemos que há alteração, tanto na absorção, quanto no metabolismo e excreção de medicamentos. Existem drogas chamadas lipofílicas, aquelas que se ligam à gordura. Exemplo disso é o Diazepam, medicamento que, por ter efeito cumulativo e ligar-se à gordura corporal, tem uma vida média no organismo do idoso de 80 horas e, por isso, pode haver dificuldade para ser eliminada. Pensando nisso, deve ser evitado o uso excessivo de medicamentos pelo idoso devido à  dificuldade em metabolizar e excretar alguns remédios.

O metabolismo do idoso também reduz com o avançar da idade e isso deve ser levado em consideração ao avaliar a sua necessidade calórica diária. 

"Um problema importante é a tolerância à glicose que está alterada, por isso o idoso pode apresentar aumento da glicemia que é inata ao processo de envelhecimento e pode gerar dificuldade em diagnosticar o diabetes..."

 

Um problema importante é a tolerância à glicose que está alterada, por isso o idoso pode apresentar aumento da glicemia que é inata ao processo de envelhecimento e pode gerar dificuldade em diagnosticar o diabetes, embora esta seja uma morbidade com alta prevalência nesse grupo populacional. Dessa forma, é preciso diferenciar o que é o aumento da glicemia associada ao processo de envelhecimento e o que é o aumento da glicemia devido ao diabetes. 

Deve-se fazer a diferenciação entre as alterações fisiológicas do envelhecimento (senescência) das alterações do envelhecimento patológico (senis) e, para tanto, é necessário conhecer e distinguir o considerado normal do patológico.

Muitas vezes o paciente idoso é considerado um paciente poliqueixoso, que reclama muito, sente muitas dores e a tendência, algumas vezes, é negligenciar várias alterações que são patológicas. É preciso investigar as queixas dos idosos e não generalizá-las como alteração do envelhecimento. 

Existem diversas outras mudanças decorrentes da senescência, entretanto, não é por isso que deixaremos de investigar e lidar com esse paciente de forma criteriosa e ética.

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