Publicada em 25/05/2016 às 00h00. Atualizada em 26/05/2016 às 10h47

Conheça o passo a passo da alimentação infantil nos primeiros anos de vida

A nutróloga infantil, Dra. Luiza Cabus, explica o que a criança deve ingerir e em quais momentos da vida.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"É bem conhecido o fato de que alimentação nos primeiros anos de vida pode evitar o desenvolvimento de doenças na vida adulta como: patologias cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e obesidade, entre outras."

É bem conhecido o fato de que alimentação nos primeiros anos de vida pode evitar o desenvolvimento de doenças na vida adulta como: patologias cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e obesidade, entre outras. É preciso, no entanto, tomar bastante cuidado com os “modismos” no que se refere à alimentação principalmente quando lidamos com crianças que estão em um uma fase crítica para o crescimento e desenvolvimento. Nada substitui uma boa orientação dietética feita por profissional qualificado, porém, se os pais quiserem obter informações sobre alimentação dos filhos que o façam em sites oficiais como da Sociedade Brasileira de Pediatria ou do Ministério da Saúde.

O objetivo deste pequeno texto é dar orientações gerais sobre a alimentação nos dois primeiros anos de vida. Até os seis meses de vida, a criança necessita apenas do leite materno. Nem mesmo chás, água ou sucos são recomendados porque podem ocasionar o desmame e também o uso de mamadeiras e água contaminada podem ocasionar infecções entéricas. Muitas vezes, a mãe pergunta como saber se o bebê “não está precisando de água” e a explicação é que o leite materno já fornece a quantidade adequada de água até os seis meses de vida e que ela pode verificar isso avaliando que seu filho está urinando na fralda de seis a oito vezes ao dia. Se a mãe necessita sair ou está trabalhando, pode ordenhar manualmente seu leite – com os devidos cuidados higiênicos simples, como lavar as mãos e retirar anéis e pulseiras. Esse leite ordenhado pode ser estocado no congelador por até 15 dias em recipiente de vidro com tampa de plástico e aquecido em banho-maria ou micro-ondas, quando for ofertado à criança com o uso de colher. A partir dos seis meses, as necessidades de calorias da criança aumentam, o lactente já consegue sustentar o tronco quando apoiado, já é capaz de adequadamente coordenar a deglutição e aí são introduzidos os alimentos sob a forma pastosa e de colher. O leite materno deverá ser mantido, se possível até os dois anos de vida, porém com a introdução, aos seis meses, daquilo que se chama de alimentação complementar. 

Se a criança não é amamentada nesse período dos primeiros seis meses de vida, devem ser utilizadas fórmulas lácteas infantis, ou seja: modificadas para se adequarem às suas necessidades não há necessidade de acrescer a essa fórmulas os chamados “engrossantes” como as mucilagens ou amido de milho. O chamado leite de vaca in natura se refere ao leite não modificado para essa idade e esse é pobre em gorduras de cadeia longa (necessários para o cérebro e retina), zinco e vitamina A e com teor alto de proteína que é inadequado para essa faixa etária.

Aos seis meses, inicia-se com uma fruta amassada – não há restrição quanto ao tipo de fruta. Essa deve ser dada de colher uma vez ao dia. É mais adequado que seja a fruta e não na forma de sucos, porém se for essa a forma ofertada não deve exceder o volume máximo de 100 ml ao dia e sem a adição de açúcar.

A quantidade de proteína para duas papas é de 50 a 70 gramas. A carne vermelha contém ferro heme, ou seja: de alta absorção. A proteína deve ser desfiada e cozida. Se for utilizado o ovo, esse é dado na forma inteira – não há mais necessidade iniciar com a gema e depois a clara.  

O “tempero” da papa é feito apenas com tempero verde (coentro, hortelã, cebolinha) e cebola, não é adicionado sal ou caldos industrializados. Após todos os alimentos cozidos e amassados, acrescenta-se 3 ml de óleo vegetal para cada 100 gramas de papa: soja ou canola – como já foi dito, a criança necessita de óleo. 

Aos sete meses, é introduzida a segunda papa e, aos 11 meses, a criança já começa a ingerir a alimentação da casa – Lembrar que esse termo: “alimentação da família” deve ser bem avaliado: se os adultos da casa são vegetarianos, se não consomem glúten, se fazem restrições excessivas de gordura, se não usam lactose etc. O que precisamos entender é que, se as crenças dos pais em relação à alimentação puderem prejudicar o crescimento e desenvolvimento da criança nesses primeiros anos de vida, devem ser adaptadas para que isso não ocorra. Não há porque o glúten não seja introduzido aos seis meses, não há porque não ingerir alimentos sem lactose como regra, a carne vermelha, se consumida em quantidades adequadas, não prejudica a criança, óleo é necessário para o desenvolvimento cerebral. 

Se um adulto decide por seguir uma dieta (por mais inadequada que seja do ponto de vista médico), essa é uma decisão autônoma. Se uma criança tem seu crescimento e desenvolvimento comprometidos por restrições extremas, isso é uma questão médica e legal. Ou seja: os hábitos da família e da cultura em relação aos alimentos devem ser respeitados sempre, desde que a criança não seja prejudicada por eles. O inverso também ocorre: há pais que oferecem a crianças refrigerantes, doces em excesso, alimentos com excessivo teor de gordura trans, “fast foods” de forma sistemática. Isso também causa dano à criança e deve ser discutido com os pais.

Em resumo, a criança aprende nos dois primeiros anos de vida a ingerir consistências variadas de alimentos. Os pais não devem achar que a criança “não gosta” de um alimento porque ofereceram uma vez e ela não aceitou. Os estudos mostram que são necessárias 12 a 15 exposições ao alimento para que algumas crianças o aceitem. A criança segue os hábitos alimentares da família – Assim, não adianta dizer a ela que frutas e vegetais são necessários se os pais não as consomem. Intervenções em alimentação obtêm maior êxito se a família participa. Por fim, a alimentação é uma prática social e é recomendado que a família se reúna para as principais refeições do dia. 

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