Publicada em 29/05/2017 às 00h00. Atualizada em 29/05/2017 às 11h56

O que são alergias alimentares?

Com ocorrência mais comum do que se imagina, a alergia alimentar ainda é pouco conhecida sobre seus fatores de risco, sua patogenia ou processos celulares e moleculares nela implicados.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A real prevalência da alergia alimentar é, até o presente momento, desconhecida. Estima-se que afete 4% da população geral, oscilando em adultos de 1,4 a 4%, podendo chegar a 6% em crianças menores de três anos.

Estudos e pesquisas científicas demonstram que, apesar do importante papel das diferentes culturas sobre hábitos alimentares populacionais, um grupo basicamente limitado a apenas oito alimentos, é responsável por 80 a 90% das reações alérgicas. São eles: leite de vaca, ovo, trigo, soja, amendoim, castanhas (nozes, amêndoas, pistache, avelã), peixes e frutos do mar.

Nas últimas décadas tem sido observado o aumento da prevalência da alergia alimentar (AA). Isso se atribui principalmente a mudanças no estilo de vida da população contemporânea, exposição maior a substâncias tóxicas e poluentes e, inclusive, novos hábitos alimentares.

Acreditava-se, no princípio, que as alergias alimentares fossem apenas de caráter infantil. Porém, atualmente, verificam-se casos em adolescentes e adultos, justamente pela não identificação precoce ou quebra de mecanismos de defesa, ou seja, pelo não desenvolvimento de tolerância ao alimento desencadeante na infância o que ocasiona a manifestação de sintomas e sinais na vida adulta.

Apesar de divulgado corriqueiramente para a sociedade, ainda persistem erros na definição de AA - inclusive por parte de alguns profissionais de saúde ao transmitir algumas informações.

Muitas pessoas dizem ter "alergia", contudo a alergia alimentar não pode ser confundida com outras patologias ou gostos pessoais. A maioria considera que quaisquer reações adversas à ingestão de alimentos seria alergia alimentar, mas não é o caso.

Para esclarecer:

- Reação adversa a alimentos (também denominada hipersensibilidade alimentar) é qualquer reação anormal que ocorra após a ingestão de alimentos (que podem ser tóxicos ou não tóxicos);

- Alergia alimentar envolve mecanismos imunológicos IgE-mediado (reações alérgicas mediadas, ou seja, que ocorrem pela participação por células especiais do sistema imune. Os sintomas aparecem rápido após a ingestão do alimento que provoca a alergia) ou não IgE-mediado (reações alérgicas não mediadas pelas células  como acontece acima.  A reação demora mais de ocorrer após exposição ao agente causador. O tipo de manifestação ocorre diferentemente, na qual os sintomas apresentam-se na pele, pulmão e também surgem sintomas associados como inflamação do trato gastro-intestinal);

- Hipersensibilidade alimentar não alérgica: considerada como reações adversas causadas por alguma característica fisiológica do indivíduo, como alterações metabólicas (ex.: deficiência de lactase);

- Reações tóxicas podem mimetizar AA e são decorrentes de fatores inerentes aos alimentos, como: contaminantes tóxicos ou substâncias farmacológicas presentes no alimento.

Determinantes:

A resposta imunológica do organismo depende de diversos fatores e eles, na alergia alimentar,  são tidos como determinantes para seu desenvolvimento ou não, como, por exemplo: Predisposição genética (casos na família); Tipo de antígeno e dose (a dose do causador da alergia em potencial que faz com que a resposta alérgica se desencadeie); Competência do sistema imune (se o sistema imune do indivíduo encontra-se fortalecido ou não, susceptível ou não a causadores de alergia, verificada também pela recorrência da doença); Integridade orgânica funcional (se o organismo por completo mantém íntegras suas barreiras de defesa); Equilíbrio nutricional (a boa nutrição, adequada em quantidade e qualidade ao indivíduo é fator determinante para desenvolvimento, agravo ou melhoria nos casos de alergia alimentar.

Diagnóstico:

Primeiramente, a história clínica do paciente constitui a base diagnóstica da alergia alimentar e, em complementação auxiliar, vêm os exames bioquímicos. Outro ponto importante nessa discussão é que ela é frequentemente superestimada pela população, implicando dietas de exclusão restritivas e interferência nem sempre positiva na qualidade de vida do indivíduo e de seus familiares. Portanto, é de extrema importância uma abordagem diagnóstica realizada pelos profissionais habilitados, como o alergologista, com apoio multiprofissional de nutricionistas e médicos de outras especialidades, permitindo identificar o indivíduo realmente alérgico e indicar o tratamento.

Tratamento:

Um dos aspectos relacionados ao tratamento da alergia alimentar envolve a orientação para que não ocorram novas crises. Dietas monitoradas por profissionais da nutrição e com acompanhamento de equipe multidisciplinar, com médicos especialistas na área, promovem, muitas vezes, a exclusão do alérgeno do cardápio sem, no entanto, interferir no equilíbrio alimentar do indivíduo e, consequentemente, interferindo pouco e de forma regulada na sua saúde. 

Medidas preventivas, orientações e comportamento, de modo geral, nas ALERGIAS ALIMENTARES:

- Evitar alimentos de alto risco para desenvolvimento de alergia alimentar;

- Não compartilhar alimentos, lanches e utensílios de forma direta e em higienização (algumas pessoas apresentam alergias até mesmo a “traços”, ou seja, pequenas quantidades do alérgeno e, caso ainda esteja presente o ingrediente ou o nutriente no utensílio, a reação ocorre);

- Ler cuidadosamente rótulos de alimentos prontos ou informar-se sobre ingredientes de uma receita preparada para consumo comum;

- Entrar em contato com todo e qualquer SAC (serviço de atendimento ao consumidor), caso haja necessidade de maiores informações sobre o conteúdo do produto, de risco ou não;

- Lavar sempre mãos e certificar-se de que as superfícies de contato e utensílios estejam devidamente higienizados;

- Ao preparar uma refeição para um indivíduo alérgico, manter os demais alimentos afastados, pois o vapor pode ser suficiente para uma contaminação cruzada;

- Embora rara, pode haver alergia alimentar a mais de um insumo, portanto, é necessário estar sempre atento;

- Verificar com o nutricionista a elaboração de uma dieta personalizada hipoalergênica (com baixos graus/níveis e quantidade/diversidade de alimentos alérgenos, ou seja, dieta com baixas chances de desencadear alergia alimentar) qual o alimento substituto para aquele que é o causador da patologia, para equilíbrio adequado da dieta, e opções para as diversas ocasiões às quais os pacientes estão expostos (são utilizadas algumas fórmulas);

- Comparecer a consultas e acompanhamentos de equipe de saúde competente para os casos de alergia alimentar.

A prevenção da alergia alimentar em pacientes com alto risco de desenvolvê-la é uma das principais armas disponíveis. Vários estudos têm ressaltado o efeito protetor do aleitamento materno no desenvolvimento de alergia. Mais recentemente, os probióticos têm sido explorados como opção terapêutica para a alergia alimentar, mas ainda são necessários estudos conclusivos.

O único tratamento preconizado até o momento é a restrição absoluta da dieta do paciente daquele alimento responsável. Muitas vezes torna-se uma medida árdua, uma vez que os antígenos mais envolvidos estão presentes de modo constante na culinária cotidiana, conforme observado nos exemplos anteriores.

Embora o tratamento ideal da alergia alimentar como um todo seja o afastamento por completo da dieta do paciente daquele alimento responsável, novos recursos estão sendo empregados para o progresso diagnóstico e de possibilidades capazes de equilibrar com segurança as manifestações do sistema imune.

Referências:

Referências:

ASBAI.Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar – 2007. Rev. bras. alerg. imunopatol. São Paulo. v. 31, n. 2, 2008.
CASTRO, F.F.M; JACOB, C.M.A; CASTRO, A.P.B.M; YANG, A.C. Alergia Alimentar. Barueri, SP: Manole, 2010.Food Allergy, 2010.

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