Publicada em 14/11/2017 às 10h55. Atualizada em 18/11/2017 às 10h24

Diabetes: quais alimentos não doces devem ser evitados?

Você sabia que mesmo a maneira de preparar os alimentos é algo importante para que o diabético mantenha bem seu estado de saúde?

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O diabetes está diretamente associado ao consumo de açúcar e alimentos doces, a exemplo das frutas. Porém, outras fontes alimentares também devem ser evitadas como “farinha de trigo ou amido de milho, arroz branco, massa e batata inglesa, devido à presença de amido, um carboidrato, que após a digestão se transformará em glicose, elevando a glicemia”, é o que explica a nutricionista e professora Fabiana Pacheco. Quer saber mais sobre o assunto? Confira a entrevista.

iSaúde Bahia – O tipo de diabetes que a pessoa tem possui alguma relação com os alimentos a serem evitados por ela?

Fabiana Pacheco – Independentemente do tipo de diabetes, a insuficiência ou a ausência na produção de insulina ocorre por meio do pâncreas do indivíduo, elevando a glicemia (glicose na circulação sanguínea). Por essa razão, alimentos como: açúcar, mel, açúcar light, açúcar mascavo, açúcar demerara, melado ou preparações (por exemplo, geleias, bolos), que possuam estes nutrientes, não podem ser consumidos por diabéticos, independentemente do tipo.

iSB – A maneira de preparo de um alimento também possui alguma relevância para o caso do diabético? Qual modo é mais indicado?

Fabiana Pacheco – As pessoas com diabetes devem optar por preparações assadas, cozidas ou grelhadas. Evitar preparações fritas e ou empanadas porque é necessário controlar os níveis de gordura no sangue. Caso esses níveis estejam elevados, deve-se iniciar o tratamento para reduzi-los. O diabetes é fator de risco para doenças cardiovasculares, entre elas: infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

iSB – Além de alimentos doces, quais outros devem ser evitados ou ter seu consumo reduzido pelos diabéticos? O que há nesses alimentos que pode prejudicá-los? 

"O ideal é substituir a farinha de trigo pela farinha integral, acrescentar sementes e grãos para aumentar o teor de fibras, trocar o arroz e a massa branca por integral ou misturar vegetais (por exemplo, couve, brócolis)".

Fabiana Pacheco – Os diabéticos devem reduzir os alimentos com farinha de trigo ou amido de milho, arroz branco, massa e batata inglesa, devido à presença de amido, um carboidrato, que após a digestão se transformará em glicose, elevando a glicemia. O ideal é substituir a farinha de trigo pela farinha integral, acrescentar sementes e grãos para aumentar o teor de fibras, trocar o arroz e a massa branca por integral ou misturar vegetais (por exemplo, couve, brócolis). Outra indicação é substituir a batata inglesa por batata doce (que tem uma velocidade menor para elevar a glicemia).

iSB – O sódio também pode ser um problema para essas pessoas? Por quê?

Fabiana Pacheco – O sódio está presente nos alimentos naturalmente, faz parte do composto Cloreto de Sódio (NaCl), conhecido como “sal de cozinha”, e é utilizado pela indústria como tempero e conservante dos alimentos. O sódio que os diabéticos ingerem, proveniente do sal de cozinha e dos alimentos industrializados, deve ser reduzido, pois o teor de sal na alimentação aumenta a absorção de glicose na corrente sanguínea, conforme estudo publicado no British Medical Journal, em 1986. Isto ocorre porque há um transportador comum para a molécula de sódio e de glicose, que as transporta do intestino para a corrente sanguínea. Outra razão para redução do consumo de sódio é que ele pode contribuir para elevar a pressão arterial, aumentando os riscos de acidente vascular cerebral (trombose), infarto agudo do miocárdio, doenças renais crônicas e arritmia cardíaca.

iSB – Em relação às frutas, há algo que os diabéticos devem evitar ou moderar nas porções? 

Fabiana Pacheco – Todas as frutas podem ser consumidas por diabéticos, porém as quantidades são limitadas.

iSB – Qual relação as diabetes de tipo 1 e 2 possuem com a necessidade de uso das insulinas basal, bolus, de ação rápida, intermediária e lenta?

Fabiana Pacheco – O diabético tipo 1 não produz insulina, ele precisa recebê-la exógena, conforme o esquema que o medico indicou para o seu tratamento. Normalmente, inicia com dose baixa de insulina lenta e esquematiza as doses de insulina regular ou de ação rápida, conforme o teste de glicemia capilar (hemoglicoteste). 

Já com o tipo 2 de diabetes, pode ocorrer a redução de produção da insulina, pois as células do pâncreas, produtoras de insulina, podem ser tão exigidas ao ponto de não terem mais funcionalidade. Caso isso ocorra, o paciente terá que utilizar também a insulina exógena como os pacientes com diabetes tipo 1.

As gestantes com diabetes gestacional, que não obtiveram melhora com a dieta, podem utilizar a insulina apenas para reduzir os níveis de glicemia, pois ela não passa a barreira placentária. Os hipoglicemiantesorais (medicamentos utilizados para diminuir a glicose no sangue) passam essa barreira, por isso, não podem ser utilizados por gestantes.

iSB – E os hipoglicemiantes, o que são? Para que servem?

Fabiana Pacheco – Os hipoglicemiantes ou antidiabéticos são medicamentos usados para diminuir a quantidade de glicose no sangue. 

iSB – Por que os pacientes não podem tomar insulina em pílulas ou cápsulas, apenas por injeção?

Fabiana Pacheco – Até o momento, não foi desenvolvida uma insulina em forma de comprimido. A prioridade na administração da insulina é garantir que ela chegue à corrente sanguínea intacta, somente assim o medicamento conseguirá desempenhar seu papel no controle dos níveis de glicose no sangue. E a insulina sublingual (bucal) tem a grande dificuldade de individualizar a dose a ser utilizada para evitar crises de hipoglicemia. É importante destacar que já existem tecnologias que permitem a passagem de substâncias pelo estômago, sem modificar a sua estrutura. Desta maneira, a insulina seria absorvida para corrente sanguínea pelas paredes do intestino. Mas há problema para a individualização da dose necessária. Existem várias pesquisas sendo realizadas no mundo para desenvolver um sistema de administração oral de insulina, principalmente na forma de comprimidos ou cápsulas. Seria um avanço para o conforto no tratamento do paciente diabético e aumentaria as taxas de adesão ao tratamento do paciente.

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Autor(es)

  • Fabiana Pacheco / CRN2 5942

    Nutricionista. Docente do curso de Nutrição da Faculdade Anhanguera de Pelotas.

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