Publicada em 04/02/2013 às 00h00. Atualizada em 04/02/2013 às 09h36

Dor no punho e sensação de formigamento?

Você sabia que a Síndrome do Túnel do Carpo é uma das principais causas de afastamento do trabalho? Confira o artigo do fisioterapeuta Marcelino Lima.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

"A doença é mais comum entre as mulheres e acomete especialmente pessoas na idade adulta, em sua maioria trabalhadoras, sendo uma das principais causas de afastamento do emprego".

Considerada a neuropatia compressiva mais estudada pelo ser humano, a Síndrome do Túnel do Carpo (STC) representa uma compressão do nervo mediano que está localizado na altura dos punhos. A doença é mais comum entre as mulheres e acomete especialmente pessoas na idade adulta, em sua maioria trabalhadoras, sendo uma das principais causas de afastamento do emprego.

Essa neuropatia é caracterizada por diversos sinais e sintomas que trazem incapacidade funcional e diminuem gradual e progressivamente o desempenho ocupacional. Alguns desses sintomas são dor na linha articular dos punhos, alterações da sensibilidade, tais como sensação de formigamento ou agulhadas e, não raro, diminuição de força muscular. O problema traz como uma das consequências o decréscimo na força de preensão, o que dificulta o manuseio de qualquer objeto ou acessório em um posto de trabalho, por exemplo.



É importante lembrar que o membro superior, especialmente a mão, é de uso obrigatório para a realização da maioria das atividades da vida diária, podendo realizar forças de preensão de 45 kg, bem como segurar e manipular linhas delicadas. É ainda capaz de empurrar, desferir golpes, assim como ajudar na locomoção através de muletas e cadeiras de rodas. 

É, portanto, um instrumento essencial ainda no desenvolvimento de trabalho, sendo assim, qualquer acidente nesta região frequentemente obriga o trabalhador a ausentar-se do emprego, aumentando a incidência de afastamento nas estatísticas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). 

"Pesquisadores da Ann Harbor University, em Michigan, nos EUA, por exemplo, encontraram sinais de STC em 33% de um grupo de 800 trabalhadores que executavam atividades representativas do mercado moderno..."



Pesquisadores da Ann Harbor University, em Michigan, nos EUA, por exemplo, encontraram sinais de STC em 33% de um grupo de 800 trabalhadores que executavam atividades representativas do mercado moderno, tais como processamento de dados, montagem de automóveis e fabricação de móveis. Nesses casos, o problema geralmente ocorre por lesões crônicas, como consequência de sobrecargas em longo prazo, além dos movimentos repetitivos. Em usuários de computadores, as posturas estáticas e a atividade muscular sustentada são as mais importantes contribuições para esses Distúrbios Osteo-Musculares Relacionados ao Trabalho (DORT). 

A associação da STC às atividades laborais, no entanto, não é um consenso no meio científico, pois muitos estudos não encontram evidências sobre essa relação. Entretanto, embora haja controvérsias, não há como negar que a doença é muito comum entre jovens trabalhadores e suas implicações geram custos crescentes ao governo.

[IMAGEM]

Como evidencia a literatura, o afastamento do trabalho acarreta perdas em todos os sentidos: pessoais, familiares, sociais e econômicas. Diante desse panorama, é importante que se invista em programas de reabilitação efetivos para o retorno do indivíduo ao trabalho. Esses programas incluem alterações ergonômicas do posto de trabalho, exercícios preventivos, além de toda e qualquer medida que diminua ou exclua o fator causal da STC. Além da reabilitação física e psicológica, o suporte familiar e social e a participação das empresas são outros fatores fundamentais.

A cirurgia não pode ser descartada, mas as medidas preventivas devem ser adotadas no intuito de evitar a necessidade do procedimento cirúrgico. A STC pode ser a doença ocupacional mais comum dos membros superiores, mas se tomadas as medidas necessárias para redução da dor e retorno precoce ao trabalho, o índice de afastamento será amplamente reduzido, proporcionando um ganho para o trabalhador e para a própria empresa.

Compartilhe

Autor(es)

  • Marcelino Lima / Crefito 7: 128421 f

    Fisioterapeuta e Educador Físico. Pós-Graduando em Osteopatia – Escuela de Osteopatia de Madrid – Espanha. Pós-Graduado em Terapia Manual e Postura – CESUMAR –PR. Graduado em Fisioterapia – Universidade Católica do Salvador – BA. Graduado em Educação Física – Universidade Federal da Bahia. Formação internacional em Microfisioterapia.Formação completa em RMA – Reprogramação Músculo-Articular. Formação em Reeducação Postural Global. Formação em Podoposturologia. Formação em K taping. Membro da Associação Brasileira de Reabilitação da Coluna. Fisioterapeuta da CPX / ITC Vertebral Salvador e Lauro de Freitas.

Serviços Gratuitos
  • Clínica Avançada de Fisioterapia – CAFISS
    ADAB - Ambulatório Docente - Assistencial da Bahiana
    Tel: (71) 3276 8200
    Av. Dom João VI, nº 275, Brotas, CEP: 40290-000, Salvador, Bahia
  • Unidade de Assistência em Fisioterapia-UNAFISIO
    UCSAL - Campus de Pituaçu
    Tel.: (71) 3206-7800
    Avenida Prof. Pinto de Aguiar, 2589 - Pituaçu, Salvador, Bahia, CEP: 41.740-090

Redes Sociais