Publicada em 14/12/2017 às 16h12.

Efeitos do calor: quais as principais reações orgânicas às altas temperaturas

Nos últimos tempos temos ouvido reclamações do calor em todos os lugares por onde circulamos. Afinal o que faz a gente sentir tanto calor? A Dr.ª Rita de Carvalho explica.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O nosso corpo é um equipamento bastante sensível que busca viver em equilíbrio com o meio ambiente. Para que esse equipamento funcione bem, é necessário que a temperatura interna esteja numa faixa de 36ºC a 36,7ºC. Para manter essa temperatura, o corpo utiliza-se de um sistema regulador que é controlado pelo hipotálamo, uma área do cérebro; ele age como um termostato ajustado para manter os órgãos internos a 37ºC (graus Celsius).

É interessante observar que a temperatura corporal não é a mesma em todo o corpo. Enquanto a temperatura central praticamente não altera, variando mais ou menos 0,6°C, mesmo quando o organismo está exposto a grandes variações de frio ou calor, na periferia do corpo, ela passa por variações ao longo do dia, sendo mais baixa pela manhã e mais alta no fim da tarde ou à noite. Essa variação obedece a um dos ritmos do corpo humano que é o ritmo circadiano.

A temperatura do corpo pode ser medida em alguns lugares. Ainda existem discordâncias sobre o local ideal para mensurar a temperatura corporal. Os locais habitualmente mensurados são:

Axilar: temperatura normal encontra-se de 35,5 a 37,0° C, com média de 36,0 a 36,5° C.

Bucal: temperatura normal encontra-se de 36,0 a 37,4° C.

Retal: temperatura normal encontra-se de 36,0 a 37,5°.

Com isso podemos perceber essa variação da temperatura, a depender do ponto do corpo onde esteja sendo medida.

"... existe um sistema termorregulador que visa manter a temperatura dos órgãos centrais do corpo. Esse sistema utiliza vários mecanismos para que esse autoajuste seja efetuado sem causar danos à funcionalidade do ser humano."

Como já vimos anteriormente, existe um sistema termorregulador que visa manter a temperatura dos órgãos centrais do corpo. Esse sistema utiliza vários mecanismos para que esse autoajuste seja efetuado sem causar danos à funcionalidade do ser humano. Assim é que, geralmente, nem tomamos consciência de que essa regulação está ocorrendo. Essa regulação busca manter o equilíbrio entre a produção de calor, gerada pela combustão alimentar, no fígado e nos músculos e a perda calórica.

Em determinadas circunstâncias, mesmo dentro de condições fisiológicas, a temperatura corporal se eleva, como durante as refeições, a prática de exercícios intensos, gravidez ou ovulação.

O calor produzido no interior do corpo alcança a superfície corporal através de vasos sanguíneos que formam um sistema de vasos comunicantes logo abaixo da pele, no tecido subcutâneo; todavia, pouco calor se dissipa para a superfície, devido ao efeito isolante proporcionado pela presença do tecido adiposo – que é uma camada de gordura existente no corpo que serve como proteção.

A condução de calor para a pele é comandada pelo nível de constrição de pequenos vasos e das comunicações entre eles; quando alcança a superfície, o calor corporal é transmitido do sangue para o exterior, em proporções decrescentes, por meio de irradiação, evaporação, convecção e condução, respectivamente.

Os estímulos que alcançam os receptores periféricos são levados ao centro regulador do hipotálamo onde são analisados desencadeando uma resposta na superfície do corpo. Pode ocorrer: uma constrição dos vasos da pele, piloereção, síntese de hormônios e tremores musculares; ou ainda perda de calor, por meio de estimulação de glândulas sudoríparas e vasodilatação dos vasos cutâneos.

Muito embora o organismo seja dotado de todos esses recursos para a regulação térmica, existem algumas situações em que ele pode não ser totalmente eficaz. Isso é o que ocorre na insolação quando o corpo é submetido à exposição prolongada ao sol intenso ou ao calor, gerando um mal-estar. Os sintomas podem variar desde os mais frequentes, como pele seca e avermelhada, pulsação acelerada, falta de ar, enjoo, tontura e cefaleia (dor de cabeça), podendo chegar a queimaduras de pele, desidratação e febre. Nos casos mais graves, pode ocorrer perda de consciência.

Para tratar a insolação, é necessário que sejam adotadas imediatamente algumas medidas bastante simples: deve-se levar a pessoa imediatamente para um local bem arejado (ventilado), com sombra e hidratá-la por via oral, para repor os líquidos perdidos. Podem ser utilizados soro caseiro, água de coco e outros isotônicos, além da própria água potável. O líquido deve ser ingerido em doses pequenas e repetidas. Deve-se evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, tendo em vista que fazem com que o corpo perca ainda mais líquidos.

Caso haja queimaduras na pele, convém também aplicar compressas frias de soro fisiológico, para aliviar a reação inflamatória da pele, além de aplicar sobre a pele loções corporais refrescantes; nos casos mais graves, se a pessoa estiver inconsciente, deite-a com a cabeça de lado para evitar que ela aspire possíveis vômitos, peça ajuda e procure um serviço de saúde.

No entanto, a insolação é uma situação que pode ser prevenida. 

Para evitar esse problema, que pode ocorrer nos dias quentes, devemos ingerir mais líquidos do que a sede sinaliza, usar roupas leves e claras, preferencialmente de algodão, que permitem a troca de calor com o ambiente, e manter uma alimentação leve, à base de frutas e verduras.

O choque hipertérmico acomete principalmente atletas ou quem pratica atividade física prolongada em condições desfavoráveis, como um ambiente quente e úmido. Essa prática causa um desequilíbrio na homeostase – o sistema de regulação interna do organismo, fazendo com que haja um aumento substancial na temperatura interna do nosso corpo e pode provocar problemas nas funções fisiológicas, tais como distúrbios no sistema circulatório e excretor, podendo ainda ocasionar coma ou morte. 

"Sempre é bom lembrar que crianças pequenas e pessoas idosas são mais sensíveis aos efeitos do calor e merecem cuidados redobrados. "

 

Sempre é bom lembrar que crianças pequenas e pessoas idosas são mais sensíveis aos efeitos do calor e merecem cuidados redobrados. Doentes crônicos e gestantes também devem merecer uma atenção mais diferenciada.

As pessoas que trabalham diretamente sob o sol - vendedores ambulantes, guardas de trânsito, salva-vidas, também precisam estar mais atentas aos cuidados de hidratação com uma ingestão de líquidos adequada e o uso do protetor solar, óculos escuros e chapéus de aba larga.

Importante também evitar a permanência prolongada dentro de carros estacionados sob o sol. Isso tem causado diversos problemas graves. No trânsito, durante o engarrafamento, tão presente nas grandes cidades, é fundamental a ingestão de água a intervalos regulares.

Palavras Chave:

efeitos do calor
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