Publicada em 04/06/2018 às 15h52. Atualizada em 04/06/2018 às 16h09

Ele é altamente contagioso e grave. Saiba mais sobre o sarampo

Apesar de não ser mais um problema de saúde pública, o sarampo continua a preocupar profissionais de saúde.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Segundo dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), 11 países têm registros de 385 casos confirmados de sarampo somente neste ano. A Venezuela lidera a lista, com 279 ocorrências, e o Brasil aparece em segundo lugar, com 46. Segundo a enfermeira do Hospital Humberto Castro Lima, Lourdes Dória, “apesar de o sarampo ter deixado de ser um problema de saúde pública no nosso país, continua sendo potencialmente uma ameaça, se não mantivermos as coberturas vacinais permanentemente elevadas”. Neste bate-papo com o iSaúde, ela destaca a importância da vacinação que, no Brasil, é introduzida logo depois de a criança completar um ano de idade. Porém, a vacina pode  ser tomada em qualquer fase da vida, no caso de pessoas não imunizadas. Confira a entrevista.

iSaúde – Como podemos definir o sarampo?

Lourdes Dória – sarampo é uma doença infectocontagiosa grave, causada por um vírus (Morbilivirus) que é transmitido pelas secreções respiratórias e provoca inflamação generalizada nos vasos sanguíneos.

iS – Quais são as principais características do vírus que causa essa doença?

Lourdes Dória – As principais características do vírus do sarampo é a altíssima contagiosidade, além das manifestações clínicas que provocam sintomas que variam de gravidade de pessoa para pessoa. 

iS – Qual é o período de incubação da doença e qual é a fase mais contagiosa?

Lourdes Dória – O período de incubação varia entre 10 e 18 dias. Em média, no final da segunda semana após o contágio, começam a aparecer as manifestações da doença (febre e sintomas respiratórios) e em dois ou três dias depois, a erupção cutânea característica, é nessa fase que ocorre a contaminação.

iS – Como são caracterizados os sintomas? Quais os mais graves?

Lourdes Dória – O exantema é um sintoma bem característico! Geralmente, a febre alta e a tosse são sintomas constantes do sarampo. A complicação mais grave está relacionada ao aparelho respiratório, que pode levar à pneumonia causada pelo vírus do sarampo, que é bastante agressivo, facilitando a instalação de infecções bacterianas.

iS – É verdade que quem já teve a doença torna-se imune ao vírus?

Lourdes Dória – É verdade. Quem já teve contato com o vírus do sarampo torna-se imune.

iS – O sarampo em adolescentes e adultos tende a ser mais grave? Por quê?

Lourdes Dória – De fato, o sarampo em adolescentes e adultos tende a ser mais grave. No entanto, em crianças pequenas, particularmente nas que têm menos de um ano, é mais grave do que em crianças maiores. 

iS – A vacina é o método mais eficaz de prevenir a doença? Como ela atua?

Lourdes Dória – Sim. A vacina contra o sarampo é eficaz, segura e provoca pouca reação. A estratégia empregada para produzi-la é a da atenuação do vírus. Na prática, isso significa que o vírus é manipulado e enfraquecido em laboratório, pois embora continue a ser um vírus vivo, perde a capacidade de transmitir a doença. Quando a pessoa recebe a vacina, porém, responde do mesmo modo que responderia se tivesse entrado em contato com o vírus ativo da doença. A vacina do sarampo confere proteção permanente, isto é, para toda a vida.

iS – Com que idade devemos vacinar as crianças? Essa vacina pode ser tomada em outras fases da vida? (adolescência, maturidade...) 

Lourdes Dória – O esquema de vacinação brasileiro envolve a administração de duas doses. A primeira é dada logo depois que a criança completou um ano, geralmente sob a forma de vacina tríplice viral, isto é, que combina as vacinas do sarampo, rubéola e caxumba.  A segunda dose é dada entre 4 e 6 anos de idade. Não há contraindicação para a vacina do sarampo. Ela é recomendada para crianças a partir de um ano de idade, mas pode ser dada para pessoas de qualquer idade.

iS – De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), 11 países têm registros de 385 casos confirmados somente neste ano. A Venezuela lidera a lista, com 279 ocorrências, e o Brasil aparece em segundo lugar, com 46. Por que novos casos estão surgindo?

Lourdes Dória – Apesar de o sarampo ter deixado de ser um problema de saúde pública no nosso país, continua sendo potencialmente uma ameaça, se não mantivermos as coberturas vacinais permanentemente elevadas. Enquanto houver casos da doença no mundo, corremos o risco de importar o vírus.

iS – Quais medidas vêm sendo adotadas para combater esse aumento do número de casos? 

Lourdes Dória – Campanhas de vacinação são realizadas durante todo o ano. Há o comprometimento dos profissionais que trabalham no programa e o comprometimento político dos governos para manter a cobertura vacinal.

Palavras Chave:

sarampo imunização vacina
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