Publicada em 16/08/2011 às 18h59. Atualizada em 23/08/2011 às 23h03

Entenda porque a adolescência é considerada a fase do conflito

A adolescência requer cuidado, atenção e respeito. Veja como o psicoterapeuta pode auxiliar o jovem de 12 a 20 anos a se encontrar no mundo de hoje.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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“A adolescência é um cruzamento de caminhos entre o íntimo e social; é o lugar das passagens, dos encontros, das aberturas e dos fechamentos”.

A adolescência pode ser entendida como uma etapa que se estende desde os 12 ou 13 anos até aproximadamente os 20 anos. Nessa etapa do desenvolvimento, existem constantes transformações físicas, sexuais, orgânicas, cognitivas e psicológicas, por ser uma transição entre a infância e a fase de constituição do adulto, pois esse se depara agora, com novas exigências intelectuais e sociais variadas.

Além das mudanças físicas na adolescência, existem as mudanças na estrutura, organização do pensamento e do autoconceito que podem ser divididas em Adolescência Precoce (11-14 anos) onde surgem as abstrações, pensamentos que possuem, em uma mesma opinião ou em atitudes: ideias contraditórias, sem existir consciência disso por parte do jovem; Adolescência Média (15- 17 anos), confusão diante da existência de características contraditórias, percepção dos diferentes papéis na sociedade e Adolescência Tardia (18-21 anos) abstrações de ordem superior que integram pensamentos mais complexos, quando se inicia a capacidade de resolução dos pensamentos contraditórios, desenvolvimento de valores, crenças pessoais e convicções morais.



Mas a adolescência não é só constituída de mudanças físicas e psicológicas, ela também é um cruzamento de caminhos entre o íntimo e social; é o lugar das passagens, dos encontros, das aberturas e dos fechamentos.

“Na sociedade ocidental, esse processo de passagem é mais complicado, pois não existe a passagem direta, nem gradativa das responsabilidades ou direitos de um adulto”.



Não existe uma só adolescência, mas sim várias, ao longo da vida. O conceito de que ela é um fenômeno universal é muito duvidoso, pois, em algumas sociedades, a passagem da vida infantil à adulta se faz gradativamente, onde as crianças recebem tarefas e direitos com o passar dos anos de forma que quando atingem a maior idade possuem plenamente a condição do adulto, não existindo assim a fase de “crise de identidade”. Já em outras, há um ritual (assim que se iniciam as modificações físicas) de passagem, que quando finalizado, o individuo recebe todos os direitos e deveres de um adulto.

Na sociedade ocidental, esse processo de passagem é mais complicado, pois não existe a passagem direta, nem gradativa das responsabilidades ou direitos de um adulto. Muitas vezes, o jovem se encontra em um meio termo, onde ainda não possui maturidade suficiente para essas tais novas responsabilidades, como definir carreira profissional, assim como também lhe são negados direitos que deseja, pode e precisa exercer. Mas é importante salientar que nem todos os adolescentes vivem crises existenciais, muitos passam imunes a qualquer tipo de crise e chegam à idade adulta. Outro tipo da diversidade do adolescer são os fatores sociais, culturais, familiares e pessoais que atuam no ambiente do adolescente, fazendo com que assumam comportamentos e ideias bastante diferentes entre eles.

Tendo em vista o processo da adolescência, o psicólogo atua de acordo com a concepção de saúde, onde não é considerada somente a questão da doença, mas sim toda a esfera do ser humano na promoção da saúde tais como lazer, moradia, educação, assim como as suas relações sociais e materiais. O psicólogo é, então, o profissional que considera aspectos da saúde mental, objetivando a qualidade de vida através da identificação de fatores emocionais que são benéficos ou negativos para a saúde psíquica e geral do homem.

Especificamente o psicoterapeuta que atende o adolescente, terá uma atuação voltada para facilitar o entendimento sobre os adoecimentos ou sofrimentos psíquicos e de como o rumo da sua vida, ou determinadas situações podem estar diretamente ligadas a fatores emocionais, que, quando compreendidos e utilizados a seu favor, podem modificar determinados comportamentos, realidades, escolhas. Logo, a identificação desses fatores através da autocompreensão ajuda a identificar os seus desejos.

Dessa forma, seja com a psicoterapia breve ou em grupo, o psicólogo, por meio do vínculo terapêutico com o adolescente, sigilo e parceria com a família através do suporte psicológico, intervem conjuntamente com o jovem nessa etapa de transformações intensas. Isso ocorre, principalmente quando o auxilia a identificar sentimentos, dificuldades, dúvidas, aspectos positivos relacionados à adolescência, assim como diferenças entre os pensamentos, comportamentos e papéis existentes no seu meio social ou familiar, a fim de encontrar ações de enfrentamento que proporcionem qualidade de vida, autoreflexão no processo de constituição de sua identidade, através de seus dilemas, descobertas e observações.

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Autor(es)

  • Núcleo de Psicoterapias Integradas da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública /

    Ana Luiza de Paula - CRP-03/8048
    Amanda Cerqueira - CRP-03/IP 7723
    Caroline Severo – CRP-03/8164
    Emanuela Leal – CRP-03 /IP 8338
    Flávia Santiago – CRP-03 /IP 8133
    Integrantes do Núcleo de Psicoterapias Integradas da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

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