Publicada em 14/03/2013 às 00h00. Atualizada em 14/03/2013 às 10h29

Escoliose: você sabe o que é isso?

Conheça a história de Karina Andrade que descobriu que tinha escoliose aos 18 anos.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Meu nome é Karina Andrade, tenho 23 anos e sou de São Caetano do Sul – SP.

" Um amigo brincou comigo me chamando de “torta”, achei estranho e pedi para que minha mãe olhasse o que estava acontecendo. Foi então que levamos um susto, minha coluna estava tão torta que formava um caroço enorme nas minhas costas..."

Descobri que tinha escoliose (encurvamento da coluna vertebral) em 2007, aos 18 anos de idade, por acaso. Um amigo brincou comigo me chamando de “torta”, achei estranho e pedi para que minha mãe olhasse o que estava acontecendo. Foi então que levamos um susto, minha coluna estava tão torta que formava um caroço enorme nas minhas costas, o que prova que ninguém repara nas nossas costas e, por isso, demorei tanto a notar.

Ao passar por um médico ortopedista e tirar o raio-X, minha coluna tinha o formato de um “S”. Nunca tinha ouvido falar nada sobre isso e eu não entendia como minha coluna poderia ser assim e eu não saber. Nessa época eu já estava com uma curva de 42 graus. 

Comecei a correr atrás de algum tipo de tratamento para isso e, infelizmente, só caía em mãos de médicos “errados”. Entre alguns médicos em que passei tive as seguintes respostas pro meu caso: 1- Usar colete 23 horas por dia para que evitasse o desenvolvimento, pois devido a minha idade e a minha curvatura avançada eu não conseguiria corrigi-la mais. 2- Apenas RPG e natação/hidroginástica para fortalecer as costas e “segurar” a coluna e, para ele, o colete não resolveria nada agora. 3- Apenas exercícios e postura pra não piorar e não engordar jamais. 4- E ainda teve um que disse que na minha idade não tinha mais nada a ser feito, que eu deveria ficar tranquila, pois só aumentaria cerca de um grau por ano (o que é uma mentira comprovada).

Eu até cheguei a fazer RPG, Pilates, hidroginástica, fisioterapia, mas nada adiantou! Acabei “esquecendo” da escoliose por um tempo. Foi quando resolvi marcar uma consulta apenas para ver como eu estava (já em 2012).

Chegamos à consulta (minha mãe e eu) e, surpreendentemente, fomos enfim muito bem atendidas e o médico esclareceu tudo sobre essa deformidade, os riscos que corria e os possíveis tratamentos. Fiz um novo raio-x, mas de acordo com ele, com 42 graus já teria indicação cirúrgica (acima de 40).

" Fiz um novo raio-x, mas de acordo com ele, com 42 graus já teria indicação cirúrgica (acima de 40)".

 

Infelizmente a notícia não foi boa, minha curva tinha aumentado e estava com 50 graus. Por ser progressiva, esses graus só iriam aumentar com o tempo e poderiam espremer meus órgãos, principalmente o pulmão, o que me traria problemas respiratórios futuramente, além da estética, teria uma vida comprometida se não optasse por fazer a tão temida cirurgia! Não tendo outra saída, aceitei fazê-la e tentei me conformar buscando tudo sobre ela na internet e conversando com pessoas que a fizeram. 

Exames pré-operatórios (coração, sangue e urina) feitos e aprovados para a cirurgia, que foi realizada em 20/09/2012, às 13 horas, no Hospital Alvorada de Moema. Procurei ficar calma e bem confiante através de muita oração, pois toda cirurgia tem riscos e para uma desse porte é preciso ficar bastante tranquila.

Cheguei ao hospital às 10 horas e fiquei aguardando no quarto, tentando não pensar em nada. Meu médico chegou e já avisou a meus pais que a cirurgia demoraria, pois apenas o preparatório e a colocação do aparelho de monitoramento deveriam demorar duas horas e a cirurgia seria de quatro a seis horas! No meu caso, foi das 14h às 20h.

Entrei na sala de cirurgia, uma sala fria, cheia de médicos e aparelhos, mas nem tive tempo de ficar com medo, logo a anestesia fez efeito e eu não me lembro de mais nada. Acordei na Semi-UTI com minha mãe e meu namorado em volta que diziam que eu estava retinha, que conseguiram corrigir 100%. Depois, só acordei de madrugada, com sede e fome, mas graças a Deus eu já estava liberada pra comer e beber. 

Eu estava muito bem, não tinha dores, apenas muito incômodo. Porém, me deram um remédio para dor, chamado Tramal, que não me fez bem. Fiquei inchada e com muita tontura. Então, conversamos que eu não tinha dor e suspenderam o remédio. Eu não precisei tomar Morfina, mas geralmente, ela é fundamental no pós-cirúrgico.

Ficar na UTI foi ruim, é difícil ter que ficar deitada olhando para o teto, tomando soro e muitos remédios na veia, pois eles são 100% absorvidos pelo organismo, nos deixando mal e atacando o estômago. Mas tudo isso faz parte e é necessário.

No sábado de manhã (22/09) meu médico me mandou para o quarto, onde eu já me sentia melhor e conseguia descansar mais. Por causa dos remédios, eu não conseguia comer e tinha muita náusea, o que me deixou com muita fraqueza! Mas, aos poucos, fui melhorando, foram trocando os remédios, comecei a me movimentar mais, fiz fisioterapia e caminhava pelo corredor do hospital com dificuldade, até porque eu estava muito inchada.

Recebi a tão esperada alta na quinta-feira, dia 27/09, o que foi ótimo e acelerou minha recuperação. Em casa, conseguia me alimentar muito bem e o único problema é que o médico falou que eu não poderia engordar. Na verdade, eu nunca poderei engordar e, em caso de gravidez, devo tentar manter o corpo para não forçar a coluna.

"Em menos de um mês da cirurgia, já sentava, levantava e ia ao banheiro sozinha, só demorei pra ter coragem de levantar sozinha da cama quando estava deitada e caminhava com bastante insegurança também".

Em menos de um mês da cirurgia, já sentava, levantava e ia ao banheiro sozinha, só demorei pra ter coragem de levantar sozinha da cama quando estava deitada e caminhava com bastante insegurança também. Mas, com o tempo, voltei a me movimentar normalmente, é tudo uma questão de tempo e de poder psicológico. A cicatrização também foi perfeita, foi utilizada aquela “cola” de cirurgias plásticas e pouquíssimos pontos, os quais caíram sozinhos depois.

Hoje, quatro meses depois, já voltei a trabalhar normalmente e estou fazendo RPG para corrigir uma diferença nas escápulas e nos ombros, o que é normal pois meu corpo ainda está em adaptação a minha nova postura, que estava errada há anos.

Coloquei 18 pinos e duas hastes de titânio, mas já tenho uma boa movimentação do tronco, pois não comprometeu as vértebras de cima e nem as de baixo.

Para concluir, posso dizer que apenas me arrependo de ter desistido da escoliose por um tempo, pois sei que isso poderia ter impedido de corrigir toda a minha curva, o que graças a Deus não aconteceu. Por isso, aconselho, principalmente aos pais, que observem sempre a postura de seus filhos, que vejam se a mochila da escola não está muito pesada pra eles e recomendo exercícios físicos para fortalecimento muscular, natação é a mais indicada. Se perceberem algo de estranho, procurem um médico imediatamente, pois quanto antes começar a tratar, melhor. Se eu tivesse detectado a escoliose cedo, eu poderia tê-la corrigido usando apenas o colete.

Eu não me arrependo de ter feito a cirurgia, mas também não vou dizer que foi fácil. A semana no hospital foi ruim e a recuperação foi bastante lenta, por isso é fundamental ter muita paciência e seguir direitinho tudo o que o médico pedir, como não fazer esforço, não tomar sol na cicatriz, evitar lugares cheios pra não tropeçar e não cair. Depois de  seis meses já poderão voltar às atividades físicas, que, aliás, deverão ser feitas para sempre, sendo as melhores natação ou hidroginástica, para manter a musculatura das costas sem impacto, mas tem quem prefira musculação,  que, com um bom acompanhamento, também ajuda.

Espero ter ajudado e esclarecido possíveis dúvidas.

Se precisarem de qualquer coisa, meu e-mail é kat-karina@hotmail.com

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Autor(es)

  • Karina Andrade /

    Formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Finanças, trabalho em um escritório de contabilidade.

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