Publicada em 04/04/2018 às 00h00. Atualizada em 04/04/2018 às 14h22

Exercício físico para a redução do risco cardiovascular: quanto é suficiente?

O professor e educador físico, Clarcson Plácido, discute a frequência do exercício e as alterações nos níveis de HDL (o “bom” colesterol) e LDL (o “mau” colesterol).

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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" Experimentos clínicos controlados sugerem que o exercício provoca benefícios em pessoas com doença arterial coronariana e com intolerância a glicose. "

O aumento dos níveis de atividade física estão associados a uma diminuição em eventos cardiovasculares. Experimentos clínicos controlados sugerem que o exercício provoca benefícios em pessoas com doença arterial coronariana e com intolerância a glicose. O exercício produz melhora no humor, pressão sanguínea, sensibilidade à insulina e perfil de lipoproteínas plasmáticas, contudo, o volume e a intensidade do exercício exigido a fim de se atingir esses benefícios e os mecanismos citados, são mal compreendidos. 

O artigo “Effects of the amount and intensity of exercicce on plasma lipoproteins” Kraus et AL (2002) relata mudanças no tamanho das partículas e níveis de lipoproteínas plasmáticas em um estudo randomizado realizado em oito meses, envolvendo diferentes volumes e intensidades de exercício entre homens com sobrepeso e mulheres com dislipidemias. Os achados confirmaram que volumes baixos de exercício com intensidade moderada ou alta (o equivalente a caminhar ou correr 12 milhas por semana, respectivamente), estão associados com mudanças potencialmente benéficas no perfil de lipoproteínas plasmáticas. Porém, níveis mais elevados de exercício de alta intensidade (equivalente a correr 20 milhas por semana) resultaram em mudanças mais marcantes nas lipoproteínas e foram necessárias para aumentar a produção de lipoproteínas de alta densidade (HDL). As respostas gradativas dos níveis de lipoproteínas plasmáticas ao aumento do volume de exercício podem ajudar a explicar a diminuição progressiva no risco cardiovascular associado com os níveis aumentados de exercício.

Quando comparados o grupo-controle (sem exercício) com todos os grupos que realizaram exercício, foram identificadas mudanças potencialmente benéficas nas lipoproteínas plasmáticas: diminuição no total de triglicérides e lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) com aumento no tamanho das partículas de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e uma tendência para diminuição no número de partículas LDL. Nos grupos com um volume baixo de exercício, esses efeitos foram independentes da intensidade de exercício e não foram relacionadas ao aperfeiçoamento da aptidão física. Porém, um aumento nos níveis de colesterol HDL e tamanho das partículas e os maiores efeitos no LDL foram observados apenas no grupo intensidade-alta /volume-alto.

Essas mudanças incluem uma diminuição significativa no número de partículas de LDL, insinuando uma diminuição na concentração de apolipoproteina B LDL, já que há uma molécula de apolipoproteina B por partícula de LDL. Em vista da elevação proeminente dos níveis de HDL em corredores de longa distância, os achados a respeito do HDL podem parecer surpreendentes, mas estão de acordo com outros estudos, mostrando que a resposta do HDL média em estudos com exercício é pequena (1,2 mg/dl de HDL colesterol) e que os níveis de HDL são aumentados apenas com níveis de exercício mais altos (o equivalente a correr 10 a 15 milhas por semana).

Em função desses achados, é importante ressaltar que não é qualquer tipo, frequência, volume e intensidade de exercício físico que será capaz de modificar a concentração das lipoproteínas plasmáticas alterando, dessa forma, o risco de doenças cardiovasculares. É importante que, tanto a área médica (que faz as recomendações) quanto o professor de educação física (quem prescreve) devem estar atentos para que o paciente tenha uma melhor resposta clínica como resultado dessas intervenções.

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Referências:

Effects of the Amount and Intensity of Exercice on Plasma Lipoproteins; www.duke.cardiologydomain.com/images/uploaded/dukeh/1_krausnejm_2002.pdf

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