Publicada em 30/03/2017 às 20h01. Atualizada em 30/03/2017 às 23h17

Existe qualidade de vida após a menopausa: conheça alguns tratamentos

O uso da terapia hormonal é uma boa opção para melhoria da qualidade de vida e controle desses sintomas tão desagradáveis.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"A menopausa é um evento certo na vida de toda mulher, marcado pela interrupção permanente da menstruação e ocorre em média aos 51 anos."

A menopausa é um evento certo na vida de toda mulher, marcado pela interrupção permanente da menstruação e ocorre em média aos 51 anos. Hoje, é um fator preocupante para os profissionais de saúde o fato de que a mulher vive uma grande parte da sua vida após a menopausa. Ela é caracterizada pela falência dos ovários e, consequentemente, diminuição dos hormônios por eles produzidos: estrógeno e progesterona.

Pode ocorrer prematuramente quando houver algum tipo de agressão aos ovários ou quando eles necessitam ser retirados cirurgicamente. Como principais agressores, pode-se enumerar: o fumo, a quimioterapia e a radioterapia. 

Os principais sintomas da menopausa, quando ocorrem, são decorrentes da deficiência do estrógeno e podem durar de 2 a 10 anos. A queixa mais comum que leva a mulher à procura de tratamento é o fogacho (onda de calor). Esse sintoma pode levar à sudorese noturna que compromete o sono e, como consequência, fadiga e irritabilidade. 

Outros problemas relacionados à menopausa são: atrofia urogenital que leva ao ressecamento vaginal e dor na relação sexual; alguns sintomas urinários; doenças cardiovasculares; osteoporose; doenças cognitivas como a de Alzheimer e envelhecimento cerebral; hiperpigmentação, ressecamento e redução da espessura da pele; atrofia do epitélio bucal com diminuição da saliva, piora do hálito, predisposição a cáries e perdas dentárias; diminuição do metabolismo contribuindo para maior deposição de gordura na região abdominal e redução do volume das mamas.

Algumas dessas alterações podem ser controladas com mudanças no estilo de vida praticando atividade física e fazendo uma dieta balanceada, além de evitar alimentos gordurosos e industrializados.

Para aquelas mulheres que não apresentam contraindicações, o uso da terapia hormonal é uma boa opção para melhoria da qualidade de vida e controle desses sintomas tão desagradáveis. São contraindicações absolutas para a terapia hormonal: câncer de mama ou endométrio suspeito ou confirmado, doença coronariana, cerebrovascular ou tromboembólica, doença ativa do fígado ou da vesícula biliar. 

A terapia hormonal pode ser feita com estrogênio e progesterona juntos ou com estrogênio isolado quando a paciente for histerectomizada. Também pode ser usada a tibolona que é uma substancia sintética com efeito estrogênico, progestagênico e androgênico. Atualmente, a literatura e os eventos científicos vêm intensificando a importância da utilização de hormônios cuja molécula tem a mesma configuração daqueles produzidos pelo nosso organismo, os quais alguns estudiosos denominam de naturais ou bioidênticos. Para a via de administração desses hormônios, recomenda-se ser transdérmica, pois, quando usados por via oral, provocam grande perda na digestão, perda essa que pode atingir 85%. A dosagem depende da intensidade da sintomatologia e do peso da paciente. 

Quanto à duração da terapia hormonal, deve ser decidido de comum acordo, avaliando-se o risco de câncer de mama e o tempo em que for sanada a sintomatologia, hora em que a dosagem deve ser diminuída.

O esquema terapêutico é reavaliado anualmente através da análise sanguínea.

Associado ao tratamento hormonal deve haver controle de dieta e prática de exercícios físicos.

Outras formas de tratamento para os sintomas da menopausa são o uso de fitoestrogênios, além de tratamentos alternativos como a acupuntura e a homeopatia. 

Todas as medidas que venham a ser tomadas para as mulheres menopausadas, visam proporcionar uma melhor qualidade de vida, uma vez que as mulheres de hoje têm uma expectativa de vida de 80 anos, em média, e desejam continuar ativas no âmbito pessoal, profissional e sexual.

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Autor(es)

  • Margarida Santos Matos / CRM BA9380

    Ginecologista, Obstetra e Professora da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

  • Dr.ª Elenice Ramos / CRM 8694

    Médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia) e em Patologia do Trato Genital Inferior pela UFBa. Professora-Assistente em ginecologia do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Trabalha na Clínica IDEM.

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