Publicada em 29/11/2017 às 15h23. Atualizada em 29/11/2017 às 15h38

Fatores associados à qualidade de vida dos idosos residentes em Instituições de Longa Permanência

Em segunda parte do artigo, pesquisadoras falam sobre qualidade de vida e medidas preventivas para a saúde de idosos asilados.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O surgimento de dores crônicas associadas à velhice é um fator redutor da qualidade de vida dos idosos causando diminuição do domínio físico. A autonomia do idoso passa a ser prejudicada e o nível de atividades é reduzido, aumentando, assim, o seu grau de dependência, caso que pode ser mais um dos motivos da institucionalização.



A rotina monótona e com baixos níveis de atividade dos ambientes asilares, convívio social limitado e a  falta  de  apoio  familiar e de amigos contribui para  uma baixa autoestima e abnegação da própria qualidade de vida (QV). Além disso, a maioria dos idosos asilados possuem uma renda baixa, o que leva à dependência e um sentimento  de menor autoestima, a tristeza por não ter recursos financeiro para  suas despesas e vontades acaba por implicar diretamente na redução da QV.

A QV depende da interpretação emocional individual dos eventos do cotidiano, por  exemplo, dois idosos podem ter diferentes posicionamentos sobre a QV ainda que estejam no mesmo ambiente, estando ela, assim, intimamente ligada ao modo como se percebe a vida.

A privação do sono e as modificações em seu padrão podem prejudicar a rotina diária e saúde do idoso, podendo levar a déficits de atenção, prejuízos na memória que alteram a capacidade de resposta, alterações  no  humor, aumento  da   dor,  prejuízo cognitivo ou mesmo demência.

O idoso frágil e vulnerável tende a  buscar  um sentido para  superar os acometimentos da vida na religião ou religiosidade, buscando cura, segurança e paz através de rezas e orações a um ser divino, o que interfere de modo positivo na QV dos idosos.

A redução na tomada de decisões, da capacidade de gerir seus bens, espaço e tempo confere a perda do sentimento de pertença. Com a vontade individual submetida a normas e horários fixos da instituição, o idoso tende a se tornar passivo e alienado, podendo leva-lo à perda da identidade e da percepção de controle, o que acaba por reduzir a qualidade de vida desses idosos.

Assim, a manutenção da qualidade de vida nos presentes estudos está, na maioria das vezes, associada a fatores como a manutenção das relações sociais e atividades de lazer, a prática da religião ou religiosidade, a manutenção dos padrões  de sono adequados, a percepção individual, capacidade funcional, percepção de controle, rotinas monótonas ou presença de doenças crônicas. 

Medidas Preventivas

"Estudos apontam que as medidas preventivas desenvolvidas em instituições estão ligadas às atividades de lazer oferecidas, acesso à informação e aos recursos financeiros que atendam às necessidades..." 

Estudos apontam que as medidas preventivas desenvolvidas em instituições estão ligadas às atividades de lazer oferecidas, acesso à informação e aos recursos financeiros que atendam às necessidades, visto que a oferta escassa de atividades de lazer diminuiu de modo considerável a qualidade de vida dos idosos. Nota-se que além do acesso a moradia, é necessário um ambiente físico adequado que ofereça atividades visando a melhoria da qualidade de vida, estimulando a coordenação motora, criatividade e raciocínio dos longevos.

Em um grupo de idosos estudados, notou-se a escassez de atividades trabalhistas dentro da instituição, poucos eram os que ajudavam no jardim ou  auxiliavam  na  cozinha, os  demais  assistiam televisão e conversavam entre si. Ressalta, ainda, a importância da promoção de  espaços de  lazer  e saúde aos institucionalizados, na busca de cuidadores que não associem velhice a  doença, mas sim que foquem no desenvolvimento do envelhecimento ativo e saudável.

Com a finalidade de supervisionar as ILPIs, surgiu  a Resolução da Diretoria Colegiada 283 (RDC 283). Originada  pela  ANVISA,  nela  contém as  Normas Gerais  de  Funcionamento das   ILPIs   concomitante às notificações anuais e obrigatórias  para  o bom funcionamento da ILPI, visto  que a saúde é entendida como um direito de todos e dever do Estado.

Com base nas lacunas e carências observadas nas ILPIs, aponta-se a necessidade de uma nova forma de  organização,  adequada e  reorganizada, com o propósito de implementação de serviços, como por exemplo, atividades com cunho de lazer e bem-estar, promoção e desenvolvimento das relações sociais e autonomia dos idosos, de forma que consiga suprir as demandas da  população   e favorecer a ressignificação do ser como produto de uma institucionalização adequada, sendo compreendida não apenas  como um local que abriga  idosos abandonados,  mas também como uma escolha de vida, a fim de que o estereótipo sombrio seja descontruído e que os direitos de cidadania dos idosos permaneçam intactos.

Verificou-se a importância da promoção e manutenção da qualidade de vida do idoso, dando enfoque àqueles residentes em instituição de longa permanência e as adversidades enfrentadas no processo de institucionalização, podendo ocasionar no comprometimento da saúde e bem-estar do indivíduo senil e comprometer, de  várias maneiras, sua qualidade  de vida.

Os idosos submetidos ao fator institucionalização estão mais dispostos a terem  sua  qualidade   de vida   diminuída. Cabe às instituições focar na humanização do ambiente físico e qualificação dos profissionais da equipe, adotando uma postura que proporcione a ressignificação do idoso, trazendo um novo olhar para o idoso residente de forma que suas particularidades sejam atendidas.

A maior parte dos estudos analisados deixou claro a necessidade da implementação de atividades de lazer, recreação, fisioterapia  ou desenvolvimento de atividades que, de alguma forma, proporcionem o envelhecimento ativo do idoso, proporcionando a qualidade  de vida e o prazer  em viver do longevo institucionalizado. Torna-se, assim, de  extrema relevância a  revisão integrativa que,  através  da coleta  e  análise  dos  estudos  objetivou  avaliar a  qualidade   de  vida  dos  idosos residentes  em instituição de  longa  permanência  investigando a importância da  ILPI na sociedade e a garantia  da qualidade  de vida dos seus residentes.

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