Publicada em 07/05/2018 às 14h09. Atualizada em 07/05/2018 às 14h11

Impacto da pressão arterial elevada na saúde

Dentre todas as causas de incapacitação e morte, a hipertensão arterial é o segundo fator mais importante. Confira este artigo com o Dr. Alexandre Gonçalves de Souza.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A hipertensão arterial sistêmica, também chamada de pressão alta, é o mais importante fator de risco para doenças cardiovasculares graves (como o infarto do miocárdio – ataque cardíaco – e os acidentes vasculares cerebrais – derrames). Atualmente, a medida da pressão arterial considerada “normal” fica com a pressão arterial sistólica (a maior) < 140 mmHg e/ou a pressão arterial diastólica (a menor) < 90 mmHg (no popular, dizemos, menor que 14 por 9).

A importância da pressão alta é devido a sua alta prevalência, ou seja, é comum ser encontrada. Apesar de não haver muitos estudos amplos a respeito do tema no Brasil, tese de doutorado na UFRS confirma uma estimativa da prevalência da hipertensão arterial em adultos no Brasil em cerca de 30%¹.

A respeito do impacto da hipertensão arterial sistêmica no desenvolvimento de doença, foi publicada na revista The lancet uma avaliação da contribuição de cada fator de risco para o impacto em doenças no mundo. Foi avaliado o impacto de 79 diferentes fatores de risco com relação a: mortes atribuídas a estas condições, anos de vida perdidos, anos de vida sem incapacidade e anos de vida ajustados pela incapacidade².

A presença de fatores de risco cardiovasculares contribui com 88,5% das mortes por doença cardiovascular, ou seja, apenas 11,5% destas mortes não estão relacionadas aos fatores de risco cardiovasculares.

E dentre todas as causas de incapacitação e morte, a hipertensão arterial é o segundo fator mais importante, contribuindo com 9,6% de toda a perda em anos de vida ajustados pela incapacidade, perdendo apenas para a somatória de todos os 14 itens correspondentes à dieta, que associados contribuem com 10%.

Então, a hipertensão arterial sistêmica (níveis elevados de pressão arterial sistólica) é o fator isolado mais importante para a perda de anos de vida ajustados pela incapacidade no mundo dentre todos os fatores avaliados, ultrapassando a desnutrição infantil que era o principal fator na última avaliação em 2000.

Na tabela referente aos países, isoladamente, a hipertensão novamente aparece como o maior fator relacionado à perda de anos de vida ajustados pela incapacidade em ambos os sexos no Brasil.

Como a hipertensão arterial sistêmica não causa sintomas, não podemos confiar apenas em nos sentirmos bem para sabermos que não temos pressão alta ou mesmo de que ela está sob controle. Por isso, cada vez mais, indicamos o autocontrole como forma de diagnóstico e fiscalização, facilitando o alcance de metas e, consequentemente, diminuição do risco relacionado a este fator de risco.

Recentemente, pela facilidade e diminuição do custo dos aparelhos, está cada vez mais fácil realizar esse controle, com os chamados monitores de pressão arterial. Nós devemos utilizá-lo com inteligência para obter o melhor controle sem gerar um grande custo com relação ao estresse pelos resultados das medidas e da perda de tempo para realizar essas medidas. A Sociedade Brasileira de Hipertensão orienta quais são os monitores disponíveis no país aprovados pela ANVISA em seu site.

Para terminar, a U.S. Preventive Services Task Force, avaliando o papel da medida ambulatorial (o MAPA – um exame que mede a pressão arterial por 24 horas) e da medida residencial (a medida realizada em casa com esses monitores automáticos), recomendou o uso dessas formas para screening para hipertensão arterial ou, melhor dizendo, para a busca ativa do diagnóstico de hipertensão arterial em pessoas sem sintomas³. Nessa recomendação, pessoas com risco aumentado de pressão alta devem realizar medidas ao menos uma vez por ano, mesmo que sem sintomas.

Referências:

¹ – Picon, RVC. Prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica no Brasil e manejo usual da doença na atenção primária. Tese de doutorado. Acessado em 23/10/2015, no site: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/76194>

² – GBD 2013 Risk Factors Collaborators. Global, regional, and national comparative risk assessment of 79 behavioural, environmental and occupational, and metabolic risks or clusters of risks in 188 countries, 1990–2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Published online September 11, 2015 dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(15)00128-2

³ – Albert L. Siu, MD, MSPH, on behalf of the U.S. Preventive Services Task Force. Screening for High Blood Pressure in Adults: U.S. Preventive Services. Ann Intern Med. doi:10.7326/M15-2223

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