Publicada em 14/09/2012 às 00h00. Atualizada em 14/09/2012 às 00h31

Japonês de olho redondo? Não é mangá, trata-se de um tipo de cirurgia plástica!

Conhecida como Ocidentalização, essa intervenção cirúrgica é bem mais comum do que imaginamos. Confira o artigo do cirurgião plástico Dr. Victor Pochat.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Muitos orientais e seus descendentes possuem características palpebrais peculiares como a ausência da dobra (prega) palpebral e o arredondamento do canto palpebral medial (próximo ao nariz). Essas características podem ser modificadas cirurgicamente através da chamada ocidentalização, proporcionando aparência palpebral mais semelhante à dos ocidentais.

"Essas características podem ser modificadas cirurgicamente através da chamada ocidentalização, proporcionando aparência palpebral mais semelhante à dos ocidentais".

Esse é um procedimento exclusivamente de cunho estético e tem relação com a globalização e mudanças culturais, sendo procurado principalmente pelos jovens nas últimas décadas. 

Indicações

Essa cirurgia somente deve ser indicada para orientais que possuam ausência da “prega” palpebral superior ou epicanto medial (arredondamento do canto palpebral medial), associado ou não ao excesso de pele ou de bolsas de gordura na região. A indicação desse procedimento em outras situações pode levar a resultados artificiais, devendo ser evitada.

A cirurgia é indicada a partir dos 18 anos, quando o indivíduo já tem maturidade suficiente para uma decisão que envolve uma mudança de características raciais.

Cuidados pré-operatórios 

Como é um procedimento que deve ser realizado em ambiente cirúrgico, é importante que o paciente não possua nenhum tipo de doença que contraindique o procedimento. Além disso, são necessários exames de rotina no pré-operatório (exames laboratoriais, raio-x do tórax e eletrocardiograma).

Existem variadas técnicas para a confecção cirúrgica da “prega” palpebral. A mais comum envolve uma incisão direta no sulco palpebral e a fixação (e às vezes remoção parcial) dos músculos na derme (estrutura profunda da pele) e em uma placa denominada tarso, que dá suporte à pálpebra. Esse procedimento pode ser realizado com anestesia local, associada à sedação ou anestesia geral, de acordo com a preferência do paciente e equipe de cirurgia e anestesia. No pós-operatório, os pacientes são orientados a evitar exposição solar durante os primeiros meses e utilizar compressas frias diretamente na pálpebra para redução do inchaço local. Além disso, são indicados colírios e pomadas oftálmicas para manter a lubrificação adequada dos olhos. 

Resultados

Logo após a cirurgia, já é possível notar a presença da prega palpebral, antes ausente. Com a redução progressiva do inchaço, os resultados vão se tornando mais evidentes. Entre  três e seis  meses, os resultados já podem ser considerados mais definitivos. 

Dúvida

- Essa cirurgia deixa alguma cicatriz?

Geralmente sim, embora as cicatrizes fiquem em uma posição na qual ficará escondida sempre que a pessoa estiver com os olhos abertos. Com os olhos fechados, poderão ser vistas em uma distância de conversação, apesar de ficarem tão discretas quanto as cicatrizes de cirurgias estéticas palpebrais indicadas para o rejuvenescimento (blefaroplastia).

Curiosidade

Como as colônias japonesas, chinesas e coreanas são pequenas na Bahia, a procura por esse tipo de procedimento é pequena, quando comparamos com o estado de São Paulo, por exemplo. No Japão, muitos jovens procuram esse tipo de cirurgia, apesar da cultura tipicamente conservadora. 

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