Publicada em 23/05/2012 às 00h00. Atualizada em 12/06/2012 às 09h41

Lábio leporino? Conheça as causas e como é tratada essa deficiência

A cada dois minutos, uma criança nasce com fendas no lábio e no palato. Conhecido popularmente como lábio leporino, o problema tem solução.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Fissuras no lábio e no palato (FL/P) constituem anomalias de desenvolvimento facial comuns.  A cada dois minutos, uma criança nasce com fendas no lábio e/ou no palato, sendo 660 nascimentos por dia e 235 mil por ano. Com o crescimento populacional mundial, no futuro serão acrescidos mais 3.200 casos, por ano, de indivíduos com essas fendas. 

São classificadas em fissuras labiais quando ocorrem no lábio, fissuras palatinas presentes no palato ou céu da boca e aquelas que acontecem, no lábio e também no palato, denominadas de fenda lábio-palatina. Podem ser uni ou bilaterais como nas imagens 1 e 2.

Imagem 1

Imagem 2

A ocorrência dessas fendas varia em função de características socioeconômicas, raciais, étnicas e geográficas2. Europeus, nativos americanos e australianos aborígenes são mais acometidos pelas fissuras completas de lábio e palato, enquanto africanos e seus descendentes são mais afetados por fissuras isoladas de lábio3. No Brasil, os estudos quanto à incidência das FL/P são escassos e variam consideravelmente. De acordo com os levantamentos epidemiológicos brasileiros, a incidência de FL/P varia de 0,19 a 1,46 para cada 1.000 nascimentos3. 

Mesmo representando um defeito congênito comum, a origem das FL/P permanece incerta. Isto é, em grande parte, reflexo da complexidade e diversidade dos eventos moleculares envolvidos durante a formação da face na gestação com a participação de múltiplos genes e da influência de vários fatores ambientais. Abaixo, no Quadro 1, estão listados os principais fatores conhecidos até o momento, relacionados à origem das fendas.

Fatores de risco relacionados à ocorrência de fendas lábio-palatinas.

O ácido fólico e seus metabólitos são essenciais para o desenvolvimento normal do feto durante a gestação (Wolff et al., 2009). Ele atua na prevenção de defeitos de nascença no cérebro e na coluna vertebral do bebê no primeiro trimestre da gestação. A quantidade de ácido fólico requerida durante a gestação é de 5 a 10 vezes maior que aquela requerida por uma mulher fora do período gestacional. As doses diárias recomendadas são de 0,4 a 0,8 mg no período de, no mínimo, um mês antes da concepção até três meses ou 12 semanas de gravidez (1º trimestre). 

O principal problema dessa prevenção reside no fato de cerca de metade das gestações não serem planejadas e, assim, quando as mulheres descobrem que estão grávidas já é tarde para a suplementação com o ácido fólico ser realizada. Por esse motivo, o principal foco é que as mulheres em idade reprodutiva tenham uma alimentação balanceada que contenha alimentos ricos em ácido fólico. As principais fontes deste nutriente são as vísceras, o feijão e os vegetais de folhas verdes como o espinafre, aspargo e os brócolis, além de abacate, abóbora, carne de vaca, carne de porco, cenoura, couve, fígado, laranja, leite, maçã, milho, ovo e queijo.

O tratamento das fissuras lábio-palatinas requer abordagem interdisciplinar e diversos procedimentos cirúrgicos. Os centros especializados de tratamento atuam em âmbito ambulatorial e hospitalar e devem possuir equipes multiprofissionais atuando nas especialidades de otorrinolaringologia, odontologia, fonoaudiologia, psicologia, clínica médica, fisioterapia, enfermagem, nutrição, cirurgia plástica e serviço social.  Os pacientes devem ser assistidos desde o diagnóstico, muitas vezes com poucos meses de vida, até a completa reabilitação, que exige diversas cirurgias e um longo período de tratamento. 

Com o aperfeiçoamento do SUS, o Brasil conta com vários centros de excelência no tratamento de anomalias craniofaciais. Até 2006, o país possuía 29 centros credenciados nas cinco regiões brasileiras. Na Bahia já existe alguns serviços de atendimento ambulatorial e hospitalar aos indivíduos portadores de fissuras lábio-palatinas, sendo dois deles localizados em Salvador.

“As principais fontes deste nutriente são as vísceras, o feijão e os vegetais de folhas verdes como o espinafre, aspargo e os brócolis, além de abacate, abóbora, carne de vaca, carne de porco, cenoura, couve, fígado, laranja, leite, maçã, milho, ovo e queijo”.

Referências:

Referências:

Kot M, Jeromini JK. Analysis of family incidence of cleft lip and/or palate. Med Sci Monit. 2007;13:231-4.

Slayton RL, Willians L, Murray JC, Wheeler JJ, Lidral AC, Nishimura CJ. Genetic association studies of cleft lip and/or palate with hypodontia outside the cleft region. Cleft Palate Craniofacial J. 2003;40:274-9


Martelli-Júnior H, Orsi Júnior J, Chaves MR, et al. Estudo epidemiológico das fissuras labiais e palatais em Alfenas - Minas Gerais - de 1986 a 1998. RPG. 2006; 13: 31-5.


Materna-Kiryluka A, Wisniewska K, Badura-Stronka M, et al. Parental age as a risk factor for isolated congenital malformations in a Polish population. Paediatr Perinat Epidemiol. 2009; 23: 29-40.


Leite ISCG, Koifman S. Oral clefts, consanguinity, parental tobacco and alcohol use: a case-control study in Rio de Janeiro, Brazil. Braz Oral Res. 2009; 23: 31-7.


Johnson CY, Little J. Folate intake, markers of folate status and oral clefts: is the evidence converging? Int J Epidemiol. 2008; 37: 1041-58.

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Autor(es)

  • Silvia Regina de Almeida Reis / CROBA 1.817

    Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia, mestrado em Odontologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e doutorado em Patologia pela Universidade Livre de Berlim. Atualmente é professora de Patologia Oral da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia e do Curso de Odontologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. É responsável pelo Serviço de Patologia Oral e é Vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Odontologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

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