Publicada em 05/09/2011 às 17h34. Atualizada em 06/09/2011 às 15h41

Lesão, torção, fratura? Será o caso de você usar uma órtese?

Com os grandes avanços tecnológicos, as órteses e próteses têm auxiliado pessoas com deficiência ou em processo de reabilitação a realizarem atividades do dia a dia com autonomia e dignidade.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Alguma vez na vida já tivemos contato com uma órtese.  São exemplos de órteses as palmilhas, calcanheiras, joelheiras, coletes, munhequeiras, além das órteses funcionais de posicionamento e elétricas. Estas últimas mais indicadas para problemas traumáticos ou articulares.

De acordo com a Organização de Normas Internacionais (International Standards Organization) – órtese é um dispositivo aplicado externamente ao corpo e usado para modificar as características estruturais ou funcionais do sistema musculoesquelético. Apesar da semelhança com a prótese, ela tem etimologia muito diversa. É oriunda da palavra grega orthósis, formada, por sua vez, de orthós: reto, direito, e o sufixo – is. Este sufixo grego expressa ação, estado ou qualidade. Orthósis, no caso, é a ação de endireitar, de tornar reto, retificar.

O uso das órteses foi registrado na literatura desde a antiguidade. HIPÓCRATES abordou interessantes discussões sobre métodos de tratamento para fraturas, deslocamentos, deformidades congênitas e outros problemas ortopédicos. Nesta época, vários recursos eram utilizados para manter um braço ou uma perna melhor posicionado, por exemplo: o uso do couro, madeira, borracha, gesso de Paris e gesso sintético eram os recursos comumente utilizados. Com o advento da indústria moderna, novos materiais foram desenvolvidos, assim como houve maior interesse por parte dos profissionais de reabilitação de se aperfeiçoarem e especializarem na avaliação e confecção destes dispositivos. Na atualidade os materiais mais adequados para construção das órteses são os termoplásticos de baixa temperatura. Este tipo de material permite um fácil manuseio e maior conforto para os usuários.

Objetivos das órteses: estabilizar ou imobilizar, prevenir ou corrigir deformidades que são passíveis de correção, proteger contra lesões, auxiliar na cura ou maximizar a função. O princípio primário por trás da prescrição de uma órtese é a melhora da função; é um importante recurso no tratamento e auxilia no processo de reabilitação.

Podem ser classificadas quanto à confecção: órteses pré-fabricadas e as modeladas; ou quanto à função: órteses estáticas e as dinâmicas.
Para se prescrever/indicar uma órtese, é importante uma avaliação minuciosa por um profissional especializado e capacitado, da anatomia e biomecânica considerando-se todos os aspectos motores e funcionais do membro.

Antes de confeccioná-la, é fundamental:

- Conhecer o material a ser utilizado – ao selecionar o material apropriado para um dispositivo ortótico é necessário considerar-se a força, durabilidade, flexibilidade e o peso do material. Termoplásticos de baixa temperatura têm boa indicação, porém possuem diferentes características em seu estado natural e quando aquecidos;

- Considerar a praticidade – a órtese deve atender as necessidades terapêuticas do paciente, ser leve, ter um valor acessível, fácil para colocar e retirar tanto pelo paciente e/ou o cuidador e que ambos estejam cientes do porquê de sua utilização;

- Organização - antes da confecção da órtese deve-se ter em mãos todos os materiais necessários. Durante a confecção é importante permitir o posicionamento adequado do paciente e do membro a ser manipulado; após a confecção fornecer orientações aos pacientes e familiares quanto à manutenção, conservação, tempos e períodos de uso e retorno para reajuste se necessário.

Que tipo de paciente pode se beneficiar com o uso de uma órtese?

 A órtese é indicada nos casos em que o paciente não consegue manter uma parte do corpo na posição funcional, quando há presença ou tendência à deformidade e quando há necessidade de repouso e imobilização de uma articulação. Todavia, todo paciente que apresentar alguma sequela ou deformidade que leve a limitação da capacidade funcional, seja decorrente de uma lesão neurológica (por ex. Acidente Vascular Cerebral, Paralisia Cerebral, Traumatismo Craniano) ou uma lesão traumato-ortopédica (por ex. fratura, lesão de tendão, lesão nervosa), assim como aqueles que necessitem de proteger alguma estrutura após reparação cirúrgica, pode necessitar de uma órtese.

- Contra-indicação de órtese: É fundamental saber quando uma órtese não trará benefício ao paciente. Crianças com deficiência mental muito grave não se beneficiam com o uso de órtese, pois não podem compreender a melhor maneira de utilizá-las, assim como alguns casos de pacientes que procuram tratamento muito tarde, já com retrações musculares importantes e padrões motores anormais fixados.

Considerações Importantes

• Estar atento quanto à avaliação, prescrição e confecção da órtese, esta deve ser feita por profissional especializado na área, e ser confeccionada de acordo com a necessidade individual de cada paciente.

• A órtese tem que ser utilizada como um recurso facilitador, pois ao contrário pode ser uma barreira. A aceitação e colaboração do paciente pelo seu uso deve ser um fator preponderante para o sucesso do tratamento.

 “Não existe órtese para determinado diagnóstico. Toda órtese, desde que traga benefício para o paciente, deverá ser indicada".

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Autor(es)

  • Isa de Jesus Coutinho / CREFITO 5445 TO

    Doutoranda em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Mestra em Medicina em Saúde Humana pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Pedagoga. Terapeuta Ocupacional. Diretora do CMEI Virgen de La Almudena. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Comunidades Virtuais (www.comunidadesvirtuais.pro.br).

  • Ana Carolina Pazin de Carvalho / CREFITO 9432

    Terapeuta Ocupacional . Aprimoramento e Aperfeiçoamento em Terapia Ocupacional Hospitalar e Ambulatorial (FAMERP-SP). Pós graduação lato sensu em Reabilitação da Mão e Membros Superiores /Órteses (FCMMG). Conceito de Estimulação Tegumentar Kinesio - Taping.

Serviços Gratuitos
  • SerTo - Serviço de Terapia Ocupacional
    Escola Bahiana De Medicina e Saúde Pública
    Tel.: (71) 3276 8200
    Av. Dom João VI, nº 275, Brotas, Salvador, Bahia,CEP: 40290-000
  • Instituto Bahiano de Reabilitação
    Fundação José Silveira
    Tel.: (71) 3504-5900
    Av. Presidente Vargas, 2947,Ondina,Salvador,Bahia
 

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