Publicada em 24/09/2013 às 00h00. Atualizada em 29/10/2013 às 16h19

Conheça alguns métodos naturais de purificação da água

Em entrevista, o biólogo Dr. Sidney Santana nos apresenta métodos alternativos para purificar a água, a maneira correta de limpar a caixa-d’água e nos fala ainda sobre a importância da ingestão regular desse precioso líquido.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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iSaúde Bahia – Quais métodos alternativos para purificação da água podem ser utilizados por quem não possui um filtro em casa? 

Sidney Santana – Fervura – A água é aquecida até ao ponto de ferver, mantendo-se a fervura por, pelo menos, cinco minutos, que é o tempo suficiente para inativar ou matar a maior parte dos microorganismos que nela possam existir.

SODIS – Utilização da energia solar para a destruição de microorganismos patogênicos presentes na água para consumo humano.

Filtros Caseiros – Uso de materiais de diferentes granulometrias e substâncias absorvedoras.

iSB – Qual composto químico deve ser utilizado para purificar a água e como deve ser o procedimento para essa purificação? Qual é a proporção de composto químico/litro d’água recomendada? 

Sidney Santana – O composto químico mais utilizado para purificar a água é o hipoclorito de sódio (NaClO), mais conhecido como água sanitária, devido ao baixo custo, fácil aplicabilidade e alta eficiência.

Para 1L de água, deve-se adicionar duas gotas de água sanitária, homogeneizar e, após 30 minutos, essa água poderá ser consumida.

Para quem usa caixa d’água, adicionar cinco colheres de sopa de água sanitária para cada 1.000 litros de água e, após 30 minutos, a água poderá ser consumida.

iSB – Qual a importância de se manter a caixa-d’água da casa sempre limpa? Sabão, detergente e outros produtos de limpeza podem ser utilizados para limpá-

Sidney Santana – Porque periodicamente surgem incrustações escuras que se instalam nas paredes das caixas-d’água, formando uma película biológica constituída por amálgama de óxidos metálicos, poeiras atmosféricas, microorganismos vivos e mortos (bactérias, fungos, algas etc.). Essa película está sempre em crescimento e provoca na água grandes contaminações, maus cheiros, bem como a deterioração dos equipamentos e dos sistemas de incêndio.

iSB – O Sr. conhece um método para matar organismos na água que consiste em deixar garrafas com água sob o sol? Poderia explicar um pouco sobre esse método, como ele funciona?

Sidney Santana – Sim, o método é chamado de SODIS (Desinfecção Solar da Água). Ele é um método muito simples, ecologicamente sustentável, uma solução de baixo custo para se beber água tratada em nível doméstico. O SODIS usa energia solar para a destruição de microorganismos patogênicos (organismos causadores da contaminação da água com doenças), melhorando, com isto, a qualidade da água de beber. Isso acontece porque os microorganismos patogênicos são vulneráveis aos efeitos da luz solar: radiação no espectro da luz UV-A (comprimento de onda 320-400nm) e calor (aumento de temperatura da água). Há uma combinação destes dois efeitos, tornando-os, em conjunto, muito maior que a sua soma, em separado. 

O SODIS é ideal para desinfetar quantidades pequenas de água de baixa turvação. A água contaminada é colocada em garrafas de plástico transparente (garrafas PET) e exposta à plena luz solar durante seis horas. No período de exposição solar, os microorganismos causadores de doenças são destruídos. Havendo nebulosidade durante pelo menos 50% do período, as garrafas de plástico precisam ser expostas durante dois dias sucessivos para produzirem água segura para consumo. Porém, se as temperaturas da água excederem 50°C, uma hora de exposição é suficiente para obter água boa para consumo. A eficiência do tratamento pode ser melhorada se as garrafas de plástico estiverem acomodadas em superfícies refletoras da luz solar, como alumínio ou placas de ferro onduladas.

iSB – O Sr. conhece o tratamento eletrolítico, que usa a eletricidade para separar elementos químicos da água? Pode falar um pouco sobre como funciona?

Sidney Santana – O tratamento eletrolítico pode ser usado em águas de abastecimento e residuárias. A utilização de eletricidade para tratar a água foi proposta primeiramente na Inglaterra em 1889. A aplicação da eletrólise no beneficiamento mineral foi patenteada por Elmore, em 1904. A eletrocoagulação (EC) com os eletrodos de alumínio e ferro foi patenteada nos EUA, em 1909. Um método para purificação de água potável por EC foi feito primeiramente em grande escala nos EUA, em 1946. Este método utilizou os anodos de alumínio para produzir flocos de hidróxido de alumínio pela reação no eletrodo seguida pela hidrólise. Flocos eletrogerados sedimentaram rapidamente, removendo a cor da água. Em 1956, Holden tratou a água de rio na Grã Bretanha usando os eletrodos do ferro com um tipo similar de sistema. Ambas as investigações em 1946 e em 1956 mostraram resultados promissores, por exemplo, com a alta qualidade da água medida pela remoção de turbidez e cor.

O tratamento eletrolítico consiste no uso da eletrólise para transformar resíduos recalcitrantes em mais biodegradáveis, aumentar a coagulação e flotação de contaminantes e poluentes e, também, em diminuir a toxicidade de águas residuárias. O tratamento eletrolítico pode ser implantado em pequenas áreas, por exemplo: em hospitais, pequenas empresas e regiões rurais. 

Em virtude do investimento relativamente alto em comparação ao uso de produtos químicos e do alto custo da eletricidade, tecnologias eletroquímicas para o tratamento de água não apresentam grandes aplicações no mundo.

" A ingestão de água em estado inadequado, ou seja, água não tratada pode causar várias doenças, as chamadas doenças de veiculação hídrica..."

iSB – Quais problemas a água em estado inadequado pode causar em quem a ingira?

Sidney Santana – A ingestão de água em estado inadequado, ou seja, água não tratada pode causar várias doenças, as chamadas doenças de veiculação hídrica, a partir da contaminação de agentes patogênicos, tais como bactérias, vírus, protozoários e helmintos.

iSB – É necessário beber água mesmo quando não se tem sede?

Sidney Santana – Sim. A água está envolvida em vários processos metabólicos do nosso organismo. Ela é utilizada para a digestão, para a absorção e para o transporte de nutrientes; serve de meio para uma série de processos químicos; assume o papel de solvente para os resíduos do corpo e também os dilui para reduzir sua toxicidade, ajudando no processo de excreção do corpo. Ajuda ainda a manter a temperatura do corpo estável. Além disso, a água proporciona uma camada protetora para as células do corpo e, sob a forma de líquido amniótico, protege o feto em desenvolvimento. 

Quando sentimos sede, significa que o nosso corpo já se encontra em processo de desidratação. Portanto, devemos ingerir água regularmente durante todo o dia, mesmo que não sintamos sede, independentemente da estação do ano, pois, no verão, a ingestão deve ser intensificada, em função da maior perda, e no inverno principalmente, porque nesse período a percepção de sede diminui.

 

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Autor(es)

  • SIDNEY CARLOS DE JESUS SANTANA /

    Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica do Salvador, mestrado em Ecologia e Biomonitoramento pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutorado em Química Ambiental no Instituto de Química da UFBA, com experiência nas áreas de Ecologia, Poluição Ambiental, Análise e Tratamento de Água, Bioensaios e Impacto Ambiental. Atualmente é professor assistente da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

 

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