Publicada em 12/10/2016 às 00h00. Atualizada em 12/10/2016 às 17h58

O esporte no contexto das pessoas com deficiência

Modalidades, adaptações, benefícios e desafios. Saiba mais sobre como o esporte é utilizado por e para esse público.

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iSaúde Bahia – Quais esportes são mais indicados para cada tipo de deficiência física?

Marcelo Aparecido Gouveia – Para a deficiência visual, podemos mencionar os seguintes: atletismo (de arremessos, corridas e saltos), futebol de cinco jogadores, goalball e judô. Para deficientes físicos, a exemplo dos cadeirantes: basquete, bocha, esgrima, halterofilismo, natação, rugbi, tênis, tênis de mesa e voleibol. Para deficiência intelectual: atletismo, futebol de sete jogadores, hipismo e natação.

iSB – Pode mencionar algumas das modificações que são aplicadas aos esportes para que eles estejam adaptados às condições dos deficientes? Sabe se existe algum esporte que foi criado especificamente dentro do contexto dos deficientes físicos?

Marcelo Aparecido Gouveia – Podemos mencionar as seguintes modificações em esportes mais habituais:

- Basquete: não é necessário quicar a bola durante o deslocamento.

- Futebol de cinco: somente o goleiro tem visão; um guia fica atrás do gol, para dar orientações e, além disso, a bola tem um guizo para orientar os jogadores.

- Tênis: durante as partidas, pode-se quicar a bola duas vezes no seu campo, devido ao tamanho da quadra.

- Tênis de mesa: o atleta pode apoiar-se na mesa durante a jogada.

- Voleibol sentado: a quadra é menor, a rede é rente ao solo e todos os jogadores têm contato constante com o solo, por estarem sentados.

É importante destacar também que, como em alguns esportes, é de suma importância que os jogadores se orientem pelo som, é necessário que a torcida se mantenha em silêncio durante a partida e suas jogadas, podendo comemorar apenas nos momentos em que os pontos são efetuados.

Quanto a esportes criados especificamente para o caso dos deficientes, podemos citar o goalball (ou golbol), criado para os deficientes visuais, no qual os jogadores (três em cada time) ficam de olhos vendados, para equilibrar diferentes graus de deficiência visual, e se orientam, também, com o contato táctil com as linhas da quadra. Trata-se de uma modalidade criada em 1946, pelo austríaco Hanz Lorenzen e o alemão Sepp Riendle, como um meio de reabilitar ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, que adquiriram deficiência visual durante o conflito.

iSB – Quais benefícios a prática de esporte pode trazer aos corpos dos deficientes físicos e às suas habilidades?

Marcelo Aparecido Gouveia – Os benefícios para o deficiente praticante de esporte, na parte física, são: melhora das capacidades de força, resistência, flexibilidade, lateralidade e na condição cardiorrespiratória. Na parte intelectual, o esporte ajuda no processo de memorização, raciocínio, equilíbrio emocional e socialização. Quando o deficiente se torna um atleta, por sua vez, a melhora de suas condições e habilidades ocorre de maneira global e, acima da média, em relação aos não praticantes.

"Os benefícios para o deficiente praticante de esporte, na parte física, são: melhora das capacidades de força, resistência, flexibilidade, lateralidade e na condição cardiorrespiratória."

 

iSB – Em sua experiência, como avalia o atendimento que o Estado e a saúde pública prestam a esse público? Quais os principais desafios?

Marcelo Aparecido Gouveia – Nos projetos para portadores de deficiência, os quais tive a oportunidade de participar, pude vivenciar as dificuldades enfrentadas por eles pela falta de condições físicas (espaços) adequadas à realização das atividades. O principal desafio é a implementação de uma política pública competente voltada para os portadores de deficiência e com a devida fiscalização para o cumprimento das leis. Apenas assim será possível oportunizar espaços para práticas esportivas adaptadas às suas condições, melhorando, então, a qualidade de vida dessas pessoas.

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