Publicada em 14/08/2012 às 00h00. Atualizada em 24/10/2012 às 10h15

O que você precisa saber sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis

Conhecidas popularmente como doenças venéreas, as enfermidades sexualmente transmissíveis podem também ser transmitidas pelas roupas íntimas e contato com objetos contaminados. Fique atento.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"DSTs é um tema relevante, pois o crescente número de indivíduos infectados vem demonstrando que as doenças venéreas representam um problema de saúde pública que envolve o governo, a religião, a cultura e, até mesmo, as relações familiares".

As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), conhecidas como doenças venéreas, podem ser transmitidas diretamente pela relação sexual com o parceiro portador da doença e, indiretamente, por meio de roupas íntimas mal higienizadas ou contato com objetos contaminados. Diante do grande desconhecimento das principais vias de transmissão, as DSTs vêm acometendo pessoas mundialmente. DSTs é um tema relevante, pois o crescente número de indivíduos infectados vem demonstrando que as doenças venéreas representam um problema de saúde pública que envolve o governo, a religião, a cultura e, até mesmo, as relações familiares.

Os agentes infecciosos associados às DSTs podem ser vírus, bactérias e protozoários, responsáveis por diversos sinais clínicos como bolhas, verrugas, feridas ou corrimentos. Sífilis, gonorréia, cancro mole e linfogranuloma venéreo são doenças sexualmente transmissíveis causadas por bactérias; hepatite B, C e D, herpes simples, HIV, HPV, causadas pelos vírus; e tricomoníase, causada pelos protozoários. 

Dentre os contraceptivos existentes como a pílula do dia seguinte, os preservativos feminino e masculino, anticoncepcional oral e injeções anticoncepcionais, o preservativo masculino é considerado o melhor método preventivo, pois além de evitar gravidez indesejada atua na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. 

 

Assim, o não uso do preservativo facilitaria a transmissão e a disseminação dessas doenças venéreas, as quais devem ser diagnosticadas o quanto antes para serem devidamente tratadas. Caso contrário, podem evoluir para complicações mais graves como a infertilidade, infecções neonatais, malformações congênitas, aborto e câncer.
 
A maioria das doenças venéreas pode ser detectada através do exame preventivo (colpocitológico) que examina as células coletadas no colo do útero. O principal objetivo é detectar o câncer de colo de útero em estágio precoce e anormalidades nas células mesmo que em condições não cancerizáveis. O preventivo deve ser realizado por todas as mulheres sexualmente ativas, pelo menos uma vez por ano, ou de acordo com a recomendação médica. Em se tratando do sexo masculino, existe a peniscopia, um exame bastante conhecido, indicado para homens que apresentam suspeita de infecção pelo HPV. Este é um método utilizado para detectar, através de uma lupa de aumento, alterações cutâneas provocadas pelo HPV classificadas como subclínicas. 

Quando existe alguma alteração no preventivo, é necessário solicitar exames específicos para comprovar possíveis infecções, possibilitando saber o estágio da doença e, consequentemente, o melhor tratamento a ser realizado. Entre os diversos exames existentes, o VDRL é utilizado para auxiliar no diagnóstico da sífilis; a hepatite B pode ser detectada através da pesquisa inicial dos marcadores sorológicos HBsAg (antígeno de superfície do vírus da hepatite B). 

"Outra situação que interfere no crescente número de pessoas com essas doenças é a falta de diálogo entre pais e filhos relacionado à educação sexual".



A disseminação das DSTs vem aumentando em todo o mundo mesmo existindo métodos disponíveis para a sua prevenção. Esse aumento pode ser justificado por diversas razões, entre as quais, a responsabilidade do governo que deve investir mais em programas educativos, a fim de expor a importância dos cuidados, da prevenção e do acompanhamento médico. Além disso, possibilitar um maior acesso aos métodos preventivos, não só ao preservativo, mas também às vacinas que, a exemplo das vacinas contra o HPV,  ainda não  disponíveis na rede pública. 

Outra situação que interfere no crescente número de pessoas com essas doenças é a falta de diálogo entre pais e filhos relacionado à educação sexual. O esclarecimento e a importância da prevenção podem e devem começar no âmbito familiar, onde os pais podem estabelecer um ambiente tranquilo para uma comunicação que permita que as dúvidas dos filhos sejam sanadas ou, pelo menos minimizadas, evitando consequências indesejáveis como gravidez não-programada e possível infecção com os micro-organismos já citados. E, por último, mas não menos importante, conceitos culturais e religiosos como as restrições sexuais impostas às mulheres e a influência de doutrinas religiosas contrárias ao uso do preservativo muitas vezes interferem na prevenção e acabam contribuindo para a disseminação dessas doenças. 

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Autor(es)

  • Alena Ribeiro Alves Peixoto Medrado / CROBA 4211

    Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia, mestrado e doutorado em Patologia Humana pela Fundação Oswaldo Cruz/ UFBA. Atualmente, é professora adjunto da Universidade Federal da Bahia e da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Na graduação, leciona nos componentes curriculares de Interação Microrganismo-hospedeiro, Processos Gerais de Patologia, Biomorfofuncional I e Processo Saúde Doença II. É integrante do corpo permanente do Programa de Pós-graduação da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, orientando mestrandos e desenvolvendo projetos de pesquisas nas áreas de patologia geral e bucal. Ademais, é Tutora do Programa de Educação Tutorial (PET-Odonto-EBMSP) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

  • Thiara Lopes /

    Aluna de Iniciação Científica do 9º semestre do Curso de Odontologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

  • Mônica Franca / CRO-BA 5344

    Mestre em Imunologia e Profa. do Componente Curricular de Processo Saúde Doença II do Curso de Odontologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

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