Publicada em 12/03/2018 às 15h46. Atualizada em 15/03/2018 às 15h25

Os benefícios da laserterapia em lesões orais

Muito utilizada na prática clínica atual, a técnica ainda é pouco conhecida por muitos profissionais da área odontológica. Saiba mais.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A laserterapia representa uma opção disponível nas mais variadas especialidades da Odontologia e sua ação é obtida com o auxílio de um equipamento específico, que pode ser classificado em duas famílias, conforme sua potência e capacidade de interação com os tecidos: laser de baixa intensidade de energia e laser de alta intensidade de energia. 

A palavra “laser” advém da abreviação de seu próprio significado, (Light Ampli-fication by Stimulated Emission of Radiation), ou seja, amplificação da luz por emissão estimuladade radiação. 

O Laser de Baixa Potência (LBP) surgiu em 1967 e, logo em seguida, Endre Mester foi o primeiro pesquisador que descreveu o seu efeito “bioestimulador” em ratos. A razão pela qual o laser é denominado de baixa potência ou de baixa intensidade de energia, é que a radiação emitida pelo aparelho afeta os pro-cessos metabólicos das células-alvo, com produção de efeitos bioestimulantes que resultam na ocorrência de eventos celulares e vasculares, os quais interferem diretamente no processo de cicatrização.

Embora seja muito utilizado na prática clínica atual, as suas respectivas indica-ções, aplicações e mecanismo de ação ainda são pouco conhecidos por muitos profissionais da área odontológica. Do ponto de vista clínico, o LBP oferece a esses profissionais uma modalidade de tratamento rápido, atraumático, indolor e seguro, além de ser muito bem tolerado pelo organismo humano. 

O LBO pode ser utilizado como terapia tradicional e/ou coadjuvante para o tratamento de inúmeras enfermidades orais, a exemplo do alívio da dor aguda e crônica, nos casos de estomatite aftosa recorrente (afta), úlceras traumáticas, lesões herpéticas, pericoronarite, gengivite, lesões vesículo-bolhosas, queilite angular, síndrome da ardência bucal, trismo, mucosite, entre outras lesões. O número de sessões da laserterapia varia conforme as características da lesão a ser tratada e de acordo com o perfil do paciente.

A mucosite oral representa um dos principais efeitos colaterais da terapia oncológica. Inicialmente, manifesta-se com áreas avermelhadas, e em seu estado mais evoluído, úlceras dolorosas e debilitantes podem surgir. Muitas vezes, por conta dessas lesões dolorosas, o paciente não consegue se alimentar adequadamente pela via oral e apresenta um déficit nutricional, com necessidade de modificação ou interrupção do tratamento oncológico. Até o presente momento, a laserterapia é considerada a modalidade terapêutica mais eficaz no tratamento dessa afecção, uma vez que pode promover um efeito analgésico, anti-inflamatório e cicatrizante, pois acelera o processo de reparo tecidual dessas lesões, com consequente melhora na qualidade de vida desses pacientes.

Adicionalmente, o LBP apresenta ampla utilização para o alívio da dor em lesões orais da doença do enxerto contra o hospedeiro, que representa uma condição clínica grave em pacientes onco-hematológicos que foram submetidos ao transplante de medula óssea. Ao promover a diminuição da sensação dolorosa, o paciente aumenta a ingestão alimentar, com diminuição dos índices de morbidade e mortalidade.

A herpes simples e a estomatite herpética são infecções virais comuns, com alto poder de transmissão. Suas lesões contagiosas geralmente causam dor e desconforto ao paciente. O LBP apresenta bons resultados nessas afecções, pois promove a redução da sintomatologia dolorosa, além de aumentar o inter-valo de novos episódios de lesões recorrentes, principalmente em pacientes com a imunidade comprometida. 

Alguns estudos demostraram que o LBP apresenta atividade imuno-estimuladora, ou seja, a ação do laser produz um efeito antiviral proporcional ao efeito estimulante da imunidade do paciente, o que, em lesões herpéticas, pode substituir fármacos comumente utilizados, como o Aciclovir. Vale ressaltar que a ação analgésica, anti-inflamatória e bioestimulante do laser representa uma forma de tratamento coadjuvante e não o tratamento definitivo dessas afecções.

As aftas, juntamente com as úlceras traumáticas, representam as principais lesões encontradas na cavidade oral. Causam dor, desconforto e podem durar até duas semanas. O uso do laser nessas lesões promove analgesia imediata após a primeira sessão e regressão rápida através da otimização da cicatrização, pois a energia aumenta a imunidade local, o que impede, por longo período, a recidiva no local da aplicação.

A hipossalivação (diminuição do fluxo salivar) é um sinal característico de pacientes submetidos à quimioterapia e radioterapia em região de cabeça e pescoço. Está relacionada com quadros de desconforto ao se alimentar, dor, secura e ardência bucal, infecções locais e cáries. Apesar da existência de inúmeras modalidades terapêuticas que estimulem a produção de saliva, muitas não apresentam resultados satisfatórios. Dessa maneira, o LBP tem sido amplamente utilizado em ensaios clínicos com resultados positivos. Estudos recentes mostraram que seu efeito não é transitório, pois ele promove o estímulo direto nas glândulas salivares. Dessa maneira, essa terapia parece ser promissora e seu emprego em clínicas odontológicas é bastante viável.

O trismo se caracteriza pela limitação na abertura de boca. Representa uma desordem frequente em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, que pode ser decorrente da cirurgia e/ou radioterapia local. Geralmente, o paciente queixa-se de dor e comprometimento no movimento de abertura e fechamento de boca. Atualmente, além de exercícios fisioterapêuticos, indica-se o LBP para o tratamento da sintomatologia dolorosa e redução do trismo, através da sua atuação direta sobre as inserções musculares e nos pontos gatilho.

O laser tem demonstrado ser mais uma opção terapêutica na clínica odontológica, em virtude dos seus efeitos benéficos, principalmente em pacientes sob tratamento oncológico, com melhora significativa na qualidade de vida deles. Entretanto, estudos adicionais precisam ser realizados na tentativa de expandir o conhecimento sobre seu mecanismo de ação e indicações, para que se torne uma terapia mais acessível à população em geral, já que é bem tolerado pelo organismo e representa uma terapia conservadora e indolor.

Referências:

1. Ross G, Ross A. Photobiomodulation: AnInvaluable Tool for All Dental Specialties. J Laser Dent2009;17(3):117-124.

2. Hamblin MR, Demidova TN. MechanismsofLowLevel Light Therapy. Proc SPIE 2006; 6140: 1-12.

3. Oton-Leite AF, Elias LSA, Morais MO, Pinezi JCD, Leles CR, Santos MAG et al. Effectoflowlevel laser therapy in thereductionof oral complications in patientswithcanceroftheheadandnecksubmittedtoradiotherapy. SpecCareDentist 2013; 33(6): 294-300. 

4. Palma LP, Gonnelli FAS, Marcucci M, Dias RS, Giordani AJ, Segreto RA et al. Impactoflow-level laser therapyonhiposalivation, salivar ph, and-qualityoflife in headandneckcancerpatients post-radiotherapy. Lasers MedSci 2017; DOI 10.1007/s10103-017-2180-3.

5. Catão MHCT. Os benefícios do laser de baixa intensidade na clínica odontológica na estomatologia. Rev Brasil Patol Oral 2004; 3(4):214-18.

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