Publicada em 30/05/2017 às 12h58. Atualizada em 07/06/2017 às 12h39

Saliva: um importante protetor da cavidade bucal

Ela possui muitas funções. Saiba mais sobre o assunto.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
Compartilhe

A saliva é um fluido biológico que possui várias funções envolvidas no equilíbrio da saúde bucal. É produzida por três pares de glândulas salivares maiores, submandibular, sublingual, parótida e de glândulas menores dispersas pela mucosa oral. Além de água, proteínas e glicoproteínas, a saliva é composta por bactérias, lipídios, células descamadas eíonscomo bicarbonato e fosfato, responsáveis, principalmente, pela manutenção do pH da saliva em repouso, que corresponde a, aproximadamente, 6,8.

A produção diária de saliva de um indivíduo saudável é de cerca de 1,5L. Quando essa produção está reduzida ou exageradamente aumentada, uma investigação por parte do cirurgião-dentista deve ser realizada. Apesar de acometer cerca de 30% da população, é importante entender que a sensação de “boca seca” ou xerostomia, deve ser distinguida da queda real na produção salivar (hipossalivação), a qual é diagnosticada através de exames como a sialometria e requer uma investigação mais profunda da sua causa. 

Como causas da hipossalivação, tem-se, principalmente, a utilização de fármacos. Cerca de 400 medicamentos comuns têm potencial de causar redução da produção salivar em algum grau. Dos pacientes acima de 65 anos, a maioria faz uso regular de algum tipo de medicação com essa capacidade. As principais drogas reportadas são anti-hipertensivos, opioides, antidepressivo, anti-Parkinson, anti-histamínicos e sedativos.

Outra causa comum e mais grave que leva a uma queda acentuada da produção salivar é a radioterapia na região da cabeça e do pescoço. Essa modalidade de tratamento do câncer também afeta as células não tumorais atingidas, podendo causar atrofia e fibrose do tecido glandular, quando as glândulas salivares estão incluídas na área irradiada. Os efeitos indesejados da radioterapia dependem da dose total de radiação, podendo ser temporários ou permanentes. Quando associada à quimioterapia, os efeitos são ainda mais deletérios, impactando severamente na qualidade de vida do paciente por dificultar a deglutição e, muitas vezes, requerer alimentação por meio de sondas. Além disso, pelo fato de a saliva atuar protegendo a mucosa do dano mecânico e reduzindo a colonização por micro-organismos, uma importante complicação do tratamento oncológico, a mucosite oral, pode se instalar mais facilmente. Entretanto, essa relação ainda não está completamente elucidada. Outras modalidades terapêuticas como a quimioterapia isolada e os transplantes de células-tronco hematopoiéticas ou medula óssea também são capazes de alterar a produção salivar. Diante desse quadro, é imperativa a inserção do cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar de atenção ao paciente oncológico, a fim de prevenir ou intervir nessas ocasiões.

Condições que causam desidratação, como o diabetes mellitus e a doença renal, doença de Alzheimer, bulimia nervosa, ansiedade e outras condições sistêmicas que afetam as glândulas salivares, como a síndrome de Sjögren, fibrose cística, sarcoidose e infecções, a exemplo do HIV, hepatite C e citomegalovírus, também podem acarretar hipossalivação.

Pacientes com hipossalivação severa podem apresentar distúrbios da deglutição, de articulação da fala ou do paladar, intolerância a alimentos ácidos ou picantes e sensação de queimação da mucosa. Além disso, pode modificar a microbiota oral e aumentar os riscos de desenvolvimento da cárie, doença periodontal e infecções oportunistas, a exemplo da candidíase.

Manejo da hipossalivação e xerostomia

Pacientes que sofrem de hipossalivação e/ou xerostomia induzida por medicamentos podem ser tratados de várias maneiras. A saliva artificial e gomas-de-mascar com xilitol – um álcool-açúcar que não apresenta capacidade de causar cárie – podem ser indicados para reduzir o desconforto causado por essas condições ou estimular a produção salivar. A pilocarpina é uma substância química que também pode ser utilizada, pois é capaz de estimular a produção salivar, mas existem outras possibilidades terapêuticas disponíveis. 

Como já citado anteriormente, as alterações salivares podem impactar das mais diversas formas na saúde bucal. Logo, qualquer modificação percebida pelo paciente deve ser reportada ao cirurgião-dentista, a fim de que a causa e forma de tratamento mais adequada sejam instituídas. Já para os pacientes sob tratamento oncológico, a inserção do profissional de odontologia na equipe multidisciplinar pode auxiliar prevenindo essas condições clínicas ou reduzindo o desconforto provocado pela hipossalivação e/ou xerostomia, quando eslas estiverem presentes.

Referências:

BADER, James D.; VOLLMER, William M.; SHUGARS, Daniel A. et al. Results from the Xylitol for Adult Caries Trial (X-ACT). J AmDent Assoc., v. 144, n. 1, p. 21–30, 2013.

EDGAR, M.; DAWES, C.; O’MULLANE, D. Saliva e Saúde bucal: Composição, Funções e Efeitos Protetores. 3. ed. São Paulo: Editora Santos, 2010, 145p.

HASSONA, Yazan; SCULLY, Crispian. Salivary changes in oral mucosal diseases. Periodontology 2000, v. 70, p. 111-27, 2016.

Compartilhe

Saiba Mais

    Conteúdo Relacionado
     

    Redes Sociais