Publicada em 14/06/2012 às 00h00. Atualizada em 01/05/2014 às 09h16

Seu filho precisa usar aparelho? Entenda como a ortodontia atua nas fases da infância e adolescência

O questionamento dos pais a respeito da época ideal de levar seus filhos ao ortodontista é um fato frequente na clínica odontológica.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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"O odontopediatra é o profissional que primeiramente identifica possíveis alterações dento-faciais e encaminha a criança ao ortodontista".

Pais de pacientes que possuem boa assistência odontológica são, normalmente, bem orientados quanto à necessidade de cuidados ortodônticos. O odontopediatra é o profissional que primeiramente identifica possíveis alterações dento-faciais e encaminha a criança ao ortodontista. 

Crianças muito pequenas podem apresentar perdas precoces de dentes decíduos (dentes de leite) por cárie e/ou trauma, podem ser portadoras de hábitos anormais de pressão (como sucção de chupeta e dedo), podem ser respiradoras bucais crônicas, com estreitamento do arco superior e mordida cruzada posterior, enfim, podem apresentar alterações dentárias e esqueléticas, na grande maioria das vezes, imperceptíveis ao olhar dos pais. 



A maior parte dos problemas presentes em crianças de três a cinco anos podem ser tratados a partir do início da troca dos dentes, dos seis aos sete anos, sem nenhum prejuízo aos resultados do tratamento. Por essa razão, a Associação Americana de Ortodontia (AAO) recomenda que as crianças sejam avaliadas por um ortodontista aos sete anos de idade, quando inicia a erupção dos incisivos permanentes. A decisão por interceder mais cedo, em alguns casos,  depende inteiramente da maturidade do pequeno paciente, que precisa permitir a realização dos  procedimentos clínicos e ser capaz de colaborar com o uso dos aparelhos.

Durante o início da dentição mista, momento em que inicia a substituição dos “dentes de leite” pelos seus sucessores permanentes, os pais atentam mais facilmente para as alterações na dentição dos seus filhos.  Eles se preocupam com o tamanho aumentado e a posição irregular dos incisivos, e esse é o motivo que os levam a procurar a orientação de um profissional.  Essa etapa de transição da oclusão humana, conhecida na literatura ortodôntica como “Fase do Patinho Feio”, descreve incisivos permanentes aparentemente “enormes” quando comparados a uma face ainda infantil, e que podem apresentar-se desalinhados e/ou projetados, afetando negativamente a estética do sorriso. Grande parte dessa desarmonia dento-facial é transitória e passa a ser menos percebida na proporção em que a criança cresce e se desenvolve.
Aos sete anos de idade, após o exame clínico ortodôntico, é necessário exame radiográfico panorâmico das arcadas dentárias, para avaliação da presença, posição e estágio de evolução dos germes dentários permanentes em desenvolvimento, além de outras informações complementares ao diagnóstico.

"Denomina-se Ortodontia Interceptora ou Interceptativa o tratamento realizado durante a dentição decídua ou mista".



Denomina-se Ortodontia Interceptora ou Interceptativa o tratamento realizado durante a dentição decídua ou mista. São, normalmente, intervenções  de curta duração que buscam diminuir a complexidade do problema e, na maioria das vezes, prepara para  uma segunda etapa de tratamento, após o estabelecimento completo da dentição permanente. 

O ortodontista, profissional que cuida das desarmonias dento-faciais, deve escolher o momento correto para intervir em cada indivíduo, visto que a época ideal para iniciar o tratamento ortodôntico depende, quase que exclusivamente, do tipo de problema apresentado pelo paciente. 

"Grande parte dos problemas que envolvem apenas o mau posicionamento dentário pode ser tratada após o estabelecimento completo da dentição permanente".

 

Grande parte dos problemas que envolvem apenas o mau posicionamento dentário pode ser tratada após o estabelecimento completo da dentição permanente. Já as desarmonias de origem esquelética, relativas ao tamanho e à posição dos ossos maxilares, devem ser abordadas em momentos distintos do crescimento e desenvolvimento facial, a depender do tipo e da localização da discrepância óssea.

O final da dentição mista e o início da permanente que acontecem, aproximadamente,  aos 10/11 anos de idade nas meninas e 12/13 nos meninos (com uma certa variação individual),  normalmente coincidem com o começo do último e maior surto de crescimento do indivíduo. Durante essa fase do desenvolvimento, conhecida como “surto de crescimento puberal”,  a dentição humana praticamente se completa e os ossos maxilares atingem seu máximo potencial de crescimento, definindo as características dento-faciais do adulto.  Por esse motivo, os tratamentos realizados nesse período conseguem obter modificações de modo mais rápido,   atingindo resultados melhores e mais  estáveis. É a última e melhor oportunidade que o ortodontista tem para tratar os problemas de origem esquelética, e quando os aparelhos ortopédicos apresentam seus melhores resultados, utilizando o próprio potencial biológico do paciente.



Deve-se atentar sempre ao fato de que cada indivíduo é um ser único, que possui características dento-faciais próprias e determinadas geneticamente. Assim, pode-se compreender que, tanto o plano do tratamento ortodôntico quanto o momento de sua realização não seguem uma simples “receita de bolo” nem possuem referências cronológicas estanques para todos os pacientes. O caminho ideal para a realização de uma ortodontia segura, correta e estável é a busca do profissional qualificado, que domine o diagnóstico dos problemas dento-faciais e saiba escolher o momento ideal para intervir em cada caso, individualmente.

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Autor(es)

  • Roberto Amarante Costa Pinto

    Roberto Amarante Costa Pinto / CROBA 5648

    Graduado em Odontologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1985. Mestrado em Ortodontia pela UFRJ entre 1996-1997. Membro da Associação Brasileira de Ortodontia (ABOR). Professor de ortodontia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP) no curso de graduação em odontologia. Professor convidado do curso de mestrado em ortodontia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na disciplina de Materiais Dentários para Ortodontia. Professor convidado do Curso de Especialização em Ortodontia da UNiversidade Federal da Bahia (UFBA) na disciplina de Materiais Dentários para Ortodontia.

  • Máyra Reis Seixas

    Máyra Reis Seixas / CROBA 3996

    Graduada em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1992. Mestrado em Ortodontia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 1996-1997. Diplomada pelo Board Brasileiro de Ortodontia em 2010. Membro do Colégio Brasileiro de Diplomados pelo BBO e membro da Associação Brasileira de Ortodontia (ABOR).

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