"Quando a necessidade de depilação se apresenta não por conta de um modismo ou convenção de época, mas por razões orgânicas, o ideal é avaliar bem cada caso”.
Antes de partir para a escolha de um método mais confortável de eliminação de pelos, existem algumas considerações que devem ser feitas, especialmente no caso do público feminino. Quando a necessidade de depilação se apresenta não por conta de um modismo ou convenção de época, mas por razões orgânicas, o ideal é avaliar bem cada caso. Alterações hormonais, por exemplo, podem ser causa de excesso de pelos. O mero tratamento estético, nesses casos, deve ser segunda opção em relação a uma consulta com um endocrinologista, um dermatologista ou um ginecologista.
Pelos grossos ou engrossados, em grande quantidade e presentes em partes do corpo em que não é comum encontrá-los no corpo feminino podem ser resultado de ovários policísticos, níveis de hormônios descontrolados, entre outros problemas de saúde. A orientação é sempre procurar um médico para investigar as causas desse excesso para se definir o melhor tratamento, que, normalmente, é investigar e equilibrar taxas hormonais.
Acontece, eventualmente, a ocorrência de pelos encravados em mulheres com níveis elevados de hormônios masculinos. Em outros casos, isso acontece porque o próprio fio é naturalmente enrolado e seu formato dificulta o rompimento da pele, mantendo-o sob o tecido. Se a situação for esta, existem algumas dicas que podem ajudar a aliviar o problema, como usar esfoliante leve alguns dias antes de iniciar a depilação da área ou um creme com ácido salicílico, para ajudar a descamar a pele. Se o problema é hormonal, o encravamento pode se dar pela produção excessiva de oleosidade (sebo), que obstrui a saída do pelo.

Isso dito, vale lembrar que existem várias técnicas de depilação disponíveis, com resultados diferentes para diferentes casos. O ato de retirar pelos, puxando a pele, já teve que ser necessariamente bastante doloroso e traumático - vide a época dos antigos gregos, que inventaram uma varinha chamada estrigil, precursora das lâminas do século 20 - mas o avanço das tecnologias possibilita viver essa experiência sem tantos incômodos.
Cuidados
Para evitar as foliculites - inflamações dos folículos de onde crescem os pelos, que se assemelham a pequenas espinhas e que são bem recorrentes após processos depilatórios - recomenda-se geralmente a aplicação de um anti-inflamatório. A depender da gravidade, sempre sob orientação médica, pode-se recorrer a cremes com antibióticos ou, em último caso, antibióticos por via oral.
Um detalhe importante é que, a cada episódio de infecção na pele, há uma maior produção de pigmentos no local. Isso pode resultar em manchas, quando acontece de haver pelo encravado ou foliculite e a região sofrer atritos ou manipulação indevida, que pode estimular seu escurecimento. Quando essas manchas já apareceram, sua remoção poderá ser feita usando-se cremes clareadores à base de hidroquinona e/ou ácido kójico, prescritos por médico dermatologista. A depender da gravidade, pode-se usar o peeling, que renova a pele, removendo os sinais. Mulheres de pele morena, com mais pigmentação, têm mais tendência para manchas.
“Alguns cuidados podem ser tomados para se fazer uma depilação o mais confortável possível. Na véspera, se possível, deve-se esfoliar a pele e evitar aplicar cremes pesados ou óleos no corpo”.
Alguns cuidados podem ser tomados para se fazer uma depilação o mais confortável possível. Na véspera, se possível, deve-se esfoliar a pele e evitar aplicar cremes pesados ou óleos no corpo. Não se tratando da técnica a laser, a depilação pode ser feita após o banho, com a epiderme limpa e livre de produtos que contenham álcool. Depois da depilação, a pele deve ser higienizada com água e sabonete neutro. Pode-se usar um hidratante suave para minimizar irritações. Deve-se evitar talco, álcool, perfumes ou cremes pesados logo após o procedimento.
Quer saber mais? Veja algumas dúvidas esclarecidas pela Dr.ª Lívia Lobo.

Médica dermatologista, graduada pela Escola Bahiana de Medicina e especialista em Dermatologia com residência no Hospital Servidores do Rio de Janeiro (RJ), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia.