Publicada em 17/04/2017 às 00h00. Atualizada em 17/04/2017 às 10h22

Um olhar da geriatria sobre a doença de Parkinson

Sintomas, problemas associados, quais são os membros da equipe multiprofissional, confira essa e muitas outras informações nesta entrevista.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Descrita pela primeira vez em 1817, por James Parkinson, essa doença degenerativa, embora também possa aparecer em pessoas jovens, atinge principalmente a população idosa. O iSaúde Bahia conversou então com a geriatra Dra. Roberta França, que ressalta a importância da equipe multiprofissional, para ajudar a família a lidar com o processo da doença e cuidar do paciente, destacando, também, a necessidade de não envolver o problema em mistificações, o que dificultaria encará-lo de forma mais leve e tranquila.

iSaúde Bahia – Como é o trabalho que o geriatra desenvolve com o paciente que apresenta a doença de Parkinson?

Roberta França – Pacientes com doença de Parkinson precisam ser vistos de forma multidisciplinar. O geriatra rege o trabalho, orientando a família, o paciente e os profissionais que devem trabalhar junto ao paciente, trazendo a ele o máximo de qualidade de vida.

iSB – A quais sintomas o idoso ou a própria família devem estar atentos para identificar a doença de Parkinson?

Roberta França – A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, na qual a função motora é a mais visivelmente comprometida e, assim, a que mais chama a atenção da família. Apesar do tremor ser o sintoma que todos temem, ele, muitas vezes, não se apresenta inicialmente. Devemos nos atentar para o caminhar arrastado, a dificuldade em tirar o pé do chão ao andar, a rigidez para realizar movimentos e a sua lentificação, além da redução do volume da voz e, por vezes, engasgos.

iSB – Quais outros problemas a doença de Parkinson pode causar ou reforçar, nos idosos? São muito perigosos esses problemas?

Roberta França – Por lentificar o movimento e o andar ficar comprometido, há um sério aumento do risco de quedas e, consequentemente, fraturas. Outros grandes problemas são os engasgos, com risco de broncoaspiração, constipação severa (prisão de ventre), além da depressão.

iSB – Comumente, o geriatra trabalha junto (ou em interlocução) com uma equipe multiprofissional nesse tratamento? Quais outros profissionais integram essa equipe?

Roberta França – Uma equipe multidisciplinar é fundamental. O fisioterapeuta será responsável por melhorar a marcha, ajudando no equilíbrio, na prevenção de quedas e na manutenção da autonomia. A fonoaudióloga, por sua vez, trabalhará a fala e a deglutição, promovendo, assim, a prevenção dos engasgos. A psicóloga também é de suma importância para auxiliar o paciente a compreender sua doença e a lidar com suas limitações. O geriatra, enfim, precisa estar aberto ao diálogo diário com a equipe, sempre visando o bem- estar do paciente.

"O mais importante diante de uma doença crônica é a informação. Quando nos conscientizamos de uma situação, acabamos por desmistificar os problemas e as questões são encaradas de forma mais leve e com mais tranquilidade."

iSB – Quais recomendações se pode fazer à família de uma pessoa que precisa conviver com a doença de Parkinson?

Roberta França – O mais importante diante de uma doença crônica é a informação. Quando nos conscientizamos de uma situação, acabamos por desmistificar os problemas e as questões são encaradas de forma mais leve e com mais tranquilidade. Oriento sempre as famílias a lerem sobre a doença, perguntarem tudo e jamais ficarem com dúvidas. O diálogo é fundamental e a chave para que todos convivam em harmonia e compreensão. Nesse sentido, é importante ressaltar que o trabalho da equipe multidisciplinar vai muito além de tratar o paciente. Sua função é auxiliar essa família a lidar com o processo da doença e cuidar do paciente da melhor forma possível.

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Autor(es)

  • Roberta França / CRM 52744859

    Formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Estácio de Sá. Membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e da Sociedade Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica. Professora da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer). Palestrante em temas diversos sobre saúde do idoso. Idealizadora e responsável pelo portal www.cantinhodageriatria.com.br.

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