Publicada em 05/10/2017 às 16h02.

Você sabe a diferença entre a alergia a proteína do leite de vaca e intolerância à lactose?

A nutricionista materno infantil, Emily Brandão, explica ao iSaúde Bahia.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A alergia à proteína do leite de vaca (APLV), uma das alergias mais comuns na primeira infância, é uma reação alérgica às proteínas do leite de vaca e seus derivados (queijo, iogurte, manteiga etc.), a qual pode ser mediada por reação imunológica específica ou não. 

Os sintomas variam de acordo com o tipo da alergia (mediada por IgE, não mediada por IgE ou mista), podendo ocorrer alterações na pele (coceira, inchaço), manifestações respiratórias (renite, asma) e gastrointestinais (diarreia, obstipação, vômito, dores abdominais).

Após o diagnóstico, o qual deve ser realizado pelo pediatra, a criança deve ser submetida ao tratamento, que se caracteriza pela exclusão total do alérgeno da dieta. Ou seja, a criança não deve consumir nenhum alimento que possua leite de vaca e/ou derivados. Após um período, esses alimentos deverão ser reintroduzido aos poucos na alimentação da criança, como forma de teste para observar se a resistência já foi adquirida. Mas isso deverá ocorrer mediante orientação do pediatra que a estiver acompanhando. 

"Os leites e derivados de outros animais não são indicados para substituir o leite de vaca, pois é possível que a criança também tenha reação a esses leites devido à similaridade entre as proteínas. "

Os leites e derivados de outros animais não são indicados para substituir o leite de vaca, pois é possível que a criança também tenha reação a esses leites devido à similaridade entre as proteínas. Existem leites e fórmulas infantis específicos para essa condição e que deverão ser prescritas pelo nutricionista ou pelo pediatra que estiver acompanhando a criança. Além disso, muita atenção deve ser dada à alimentação para que a criança não venha a ter deficiências nutricionais e prejuízos no seu crescimento e desenvolvimento.

Vale ressaltar que a APLV não é o mesmo que INTOLERÂNCIA À LACTOSE (IL). Esta última caracteriza-se por uma deficiência na produção da enzima lactase a qual digere a lactose (carboidrato do leite). Dessa forma, não há reação alérgica, mas sim de intolerância. Os sintomas mais comuns da IL são excesso de gases intestinais, dor abdominal e diarreia. 

Diferentemente da APLV, nos casos de IL, o indivíduo poderá consumir leite e derivados, desde que não contenham a lactose ou, a depender do grau de intolerância (algumas pessoas toleram ingerir certa quantidade de lactose), poderá consumir até mesmo as versões tradicionais, porém, em menores quantidades ou, também, é possível consumir o leite e derivados tradicionais e, em seguida, ingerir a enzima lactase, a qual já é amplamente comercializada.

Referências:

Koletzko S, et al. Diagnostic Approach and Management of Cow’s-Milk Protein Allergy in Infants and Children: ESPGHAN GI Committee Practical Guidelines. JPGN 2012;55: 221–229.

Vandenplas Y, De Greef E, Devreker T. Treatment of Cow’s Milk Protein Allergy. Pediatric Gastroenterology, Hepatology & Nutrition. 2014;17(1):1-5.

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