Publicada em 12/12/2013 às 00h00. Atualizada em 12/12/2013 às 08h44

Você já fez colonoscopia? Entenda para que serve o exame e quando fazer

Dr. Luiz Queiroz explica sobre o exame, é considerado padrão-ouro para vigilância e triagem do câncer colorretal

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A colonoscopia é um exame endoscópico feito pelo reto que visualiza todo o intestino grosso até uma parte do intestino delgado, chamado íleo terminal. O exame é feito sob sedação anestésica e dura cerca de 20 a 30 minutos. Antes de ser feito, requer uma minuciosa limpeza do intestino com uso de substâncias apropriadas e pode ser utilizado para fins diagnósticos e também terapêuticos.

Com relação ao diagnóstico, está incluída a vigilância e a triagem quanto ao câncer de cólon, além da avaliação de sinais de doenças inflamatórias do cólon e do intestino delgado distal. Pode ainda servir para avaliar a resposta a um tratamento (a exemplo da retocolite ulcerativa). Quanto às indicações terapêuticas, a colonoscopia pode servir para retirada de lesões pré-cancerígenas (pólipos), ou pequenos cânceres, retirada de corpos estranhos, além de provocar a parada de sangramento por meio de injeção de substâncias.

Saiba mais: Saiba mais sobre o Câncer do Intestino e a importância da Colonoscopia

Triagem ou vigilância quanto ao câncer de cólon

Colonoscopia é considerada o exame padrão-ouro para vigilância e triagem do câncer colorretal. A idade de início da triagem é variável de acordo com as características específicas do paciente. Iniciar-se-á bem mais cedo, se o paciente tem uma história familiar desse tipo de câncer, colo retal, dois ou mais casos, de câncer colo retal em parentes de primeiro grau (pais, filhos ou irmãos).  

Sem história familiar, admite-se que a colonoscopia deve ser realizada até os  60 anos. Mas, se houver história familiar deve ser iniciada cinco anos antes da idade do aparecimento mais precoce na família. Se forem encontrados pólipos (lesões verrucosas), elas devem ser retiradas durante a colonoscopia. Nem todo pólipo configura uma lesão pré-cancerosa, apenas os adenomas o são. Uma vez encontradas essas lesões adenomatosas, o paciente deverá fazer colonoscopias regulares em um espaço de tempo determinado, dependendo do tipo e gravidade da lesão.

Sangramento gastrointestinal baixo

Pacientes com sangramento intestinal baixo, evacuação de sangue vivo ou coagulado, ou teste positivo para sangramento oculto, devem realizar o exame para diagnóstico e, possivelmente, tratamento do sangramento pela própria colonoscopia. As anemias por deficiência de ferro também devem ser investigadas por colonoscopia, a depender da condução e do raciocínio clínico aplicado a cada caso.

Sintomas gastrointestinais baixos

A colonoscopia deve ser feita em pacientes com diarreia crônica significante sem uma explicação evidente. Esses pacientes podem ter o intestino biopsiado por meio deste exame para viabilizar o diagnóstico. Pacientes com obstipação ou prisão de ventre, podem necessitar de uma colonoscopia para avaliação do quadro. Ainda podem ser submetidos pacientes com quadros de dor abdominal, dentro de um protocolo de investigação clínica.

Exames de imagem anormais

A colonoscopia pode ser feita para esclarecer achados em exames de imagem em que sugiram comprometimento intestinal. Anormalidades em exames baritados (por contraste) e em tomografias podem requerer uma colonoscopia para completar a investigação clínica.

Avaliação de tumores sincrônicos ou metacrônicos

Pacientes que têm câncer colorretal, podem ter duas lesões simultâneas em diferentes áreas do intestino, por isso é fundamental realizar uma colonoscopia completa em casos que já tenham um diagnostico de câncer colo retal. Isso deve ser feito antes da cirurgia para que se possa fazer um bom planejamento cirúrgico e para que não se seja haja surpresas durante o procedimento.

Uma vez que o paciente tenha tido um câncer colorretal, ele deverá realizar colonoscopias em intervalos regulares para o resto da vida, pois eles têm um risco aumentado de desenvolverem novos cânceres, chamados lesões metacrônicas.

Doença Inflamatória Intestinal

Nas doenças inflamatórias como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, a colonoscopia pode ser feita, tanto para diagnóstico como para avaliação da resposta ao tratamento instituído, além da realização de biópsias que podem diagnosticar a atividade, bem como complicações dessas doenças.
Nas indicações terapêuticas podem ser feitas retiradas de corpo estranho, descompressão e correção de volvo sigmoide (torção do intestino sobre seu próprio eixo), além de dilatações de estreitamentos com balões, entre outras muitas indicações.

Concluindo, devemos dizer que a colonoscopia é um excelente método de diagnóstico e de tratamento que, se usado com sabedoria e de forma criteriosa, pode trazer inúmeros benefícios na prevenção, acompanhamento, diagnóstico e tratamento de diversas doenças do intestino.

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Autor(es)

  • Dr. Luiz Queiroz / CRM 9566

    Médico gastroenterogista, com experiência em hepatologia e mestrado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e professor da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

Colonoscopia

É um exame endoscópico feito pelo reto que visualiza todo o intestino grosso até uma parte do intestino delgado, chamado íleo terminal. O exame é feito sob sedação anestésica e dura cerca de vinte 20 a trinta 30 minutos.

 

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