Publicada em 08/06/2012 às 00h00.

Você sabe como melhorar sua autoestima?

Ter uma boa autoestima é fundamental para nos sentirmos mais confortáveis e seguros diante da vida. Quando ela não está bem, é hora de investigar o que anda errado e tentar mudar

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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A autoestima corresponde à maneira como nos julgamos e nos sentimos em relação a nós mesmos. Quem tem problemas com ela tende a ser tímido, fica inibido em algumas situações e, em casos extremos, não gosta de ser visto ou lembrado, de forma alguma, pelos outros. Com isso, muitos tornam-se isolados, não têm motivação para fazer as coisas, deixam de procurar os amigos,  restringem suas atividades sociais e de lazer, consideram-se inferiores, incapazes de solucionar seus problemas e têm pensamentos negativos.

"Quem tem problemas com ela tende a ser tímido, fica inibido em algumas situações e, em casos extremos, não gosta de ser visto ou lembrado, de forma alguma, pelos outros".

 

De onde vem a autoestima?

Ter uma boa autoestima é fundamental para o nosso bem-estar. Quando ela está alta, temos as sensações de felicidade, realização pessoal, (auto)confiança e amor próprio. Além disso, há uma tendência a sermos mais independentes, seguros de nossas capacidades, persistentes no êxito de nossos objetivos, mais apto a resolver melhor os problemas do dia a dia, sem falar no interesse constante por novas metas pessoais e profissionais.



Ao contrário do que alguns imaginam, a autoestima não é uma característica que nasce conosco ou que surge quando respiramos pela primeira vez, mas sim de algo construído a partir das relações que criamos com os indivíduos ao nosso redor, sejam eles nossos cuidadores, como pais, avós e professores, ou ainda outras pessoas que fazem parte de um convívio social mais amplo, a exemplo de amigos, colegas de classe e vizinhos.  

"... se nossos pais são exigentes, nos rejeitam ou, até mesmo, são superprotetores conosco durante a infância, podemos, no futuro, nos tornarmos filhos inseguros ou retraídos".

A autoestima é formada a partir do modo como essas pessoas nos tratam e nos incentivam. Por exemplo, se nossos pais são exigentes, nos rejeitam ou, até mesmo, são superprotetores conosco durante a infância, podemos, no futuro, nos tornarmos filhos inseguros ou retraídos. Se, em nosso convívio social, somos maltratados, sofremos algum tipo de agressão por parte de vizinhos, parentes e colegas, essas situações também podem interferir (em graus variados) sobre a nossa autoestima. No entanto, se recebemos atenção e afeto adequados, somos reconhecidos por nossas conquistas, certamente, teremos comportamentos menos retraídos, mais positivos e menos pessimistas.

Vejamos o caso do filme O Discurso de Rei (2010), de Tom Hooper. A produção se passa entre as décadas de 1920 e 1930 e se foca na história do príncipe Albert, que é gago e não consegue falar em público. Porém, essa é uma tarefa da qual não pode se eximir, já que é membro da realeza britânica e deve falar ao vivo em transmissões radiofônicas. Ninguém do reino conseguia ajudá-lo, até que ele encontra Lionel, que oferece uma ajuda focada a partir de uma relação próxima entre terapeuta e paciente. Ao examinar o histórico do paciente, um dos problemas identificados dizia respeito à ausência de pessoas que funcionassem como amigas para Albert. Na medida em que o futuro rei consegue interferir nesse processo, sua gagueira vai melhorando, assim como sua autoestima e confiança em si mesmo.




Desse exemplo podemos tirar duas lições: 1 – os laços afetivos e sociais são de grande importância para o modo como nossa autoestima é concebida; 2 – É perfeitamente possível tomar atitudes capazes de melhorarem nosso amor próprio e (auto)confiança .

Problemas variados, soluções diversas 

Além das situações que vimos, os problemas de autoestima também podem se relacionar a outras situações diversas: desde o fato de pertencermos a grupos identitários marginalizados por raça, gênero, religião, orientação sexual, classe social, ou por nos sentirmos fora dos padrões hegemônicos que vigoram na sociedade, até os padrões de beleza, por exemplo. 

"Nesses casos, é importante construirmos relações com as quais possamos desenvolver sentimentos de Amizade, com A maiúscula, porque precisamos ter ao nosso redor pessoas confiáveis, companheiras e fiéis".

Nesses casos, é importante construirmos relações com as quais possamos desenvolver sentimentos de Amizade, com A maiúscula, porque precisamos ter ao nosso redor pessoas confiáveis, companheiras e fiéis. Se meu colega tem preconceitos que me afetam, é bom procurar por companhias que me façam bem.  As relações com pessoas solidárias proporcionam uma melhora na autoestima e na (auto)confiança.

Se o indivíduo não conta com uma rede de relacionamentos confiáveis, buscar ajuda psicológica é o primeiro passo para trabalhar melhor a autoestima. Procurar assistência é investir em si. Para muitos, esse primeiro passo talvez seja o mais difícil, pois implica assumir que não se está bem consigo mesmo e está na hora de mudar, de querer a mudança. Como a autoestima é algo mais complexo do que o modo como esta palavra tem sido usada, algumas pessoas não conseguem entender porque pode ser tão difícil alterar estados de baixa autoestima. Fazer isso envolve um trabalho grande de modificação em nossas relações interpessoais e no modo como nos enxergamos.

Num nível mais amplo, há ainda outra lição: lutar por uma sociedade mais solidária, pode fazer diferença na construção da autoestima de todos nós.

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Autor(es)

  • Ana Maria Matos Rodrigues

    Ana Maria Matos Rodrigues / CRP 03/6636

    É graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especialista em Filosofia do conhecimento e Linguagem pela UNISINOS e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Psicóloga com experiência na implantação de serviços de psicologia em equipes multiprofissionais em CAPS, CRAS e CREAS. Tem experiência na área de Educação, Saúde Mental e Assistência Social e atualmente leciona na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

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