Publicada em 06/01/2012 às 18h17. Atualizada em 10/01/2012 às 09h06

Você sabe identificar as principais situações de emergência?

A partir de hoje, o iSaúde Bahia vai explicar os sinais, sintomas, fatores de risco e o que você deve fazer em situações de emergência. Neste primeiro artigo: infarto agudo do miocárdio.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O infarto agudo do miocárdio é uma das principais emergências hospitalares. É responsável por grande parte das mortes no Brasil e no mundo e principal causa de morte no mundo ocidental. 

Ele ocorre devido a falta de oxigênio no músculo cardíaco. As artérias coronárias são as responsáveis pela irrigação do músculo cardíaco, que necessita do oxigênio presente no sangue para exercer sua atividade de contração. Essa contração do coração é o que permite que o sangue seja enviado para todas as partes do corpo. Assim, quando há uma interrupção desse fluxo o músculo cardíaco sofre o que chamamos de isquemia (a falta de oxigênio) comprometendo o bom funcionamento do coração. 

“A principal causa de obstrução do fluxo sanguíneo são as placas de gordura chamadas de ateromas ou placas ateroscleróticas”.



A principal causa de obstrução do fluxo sanguíneo são as placas de gordura chamadas de ateromas ou placas ateroscleróticas. Essas placas podem se formar em diferentes lugares do corpo, inclusive no próprio coração. Quando essa placa de rompe (se solta da parede do vaso) ela gera um fenômeno tromboembólico ( a parte que se soltou viaja através da corrente sanguínea e quando encontra um vaso mais fino essa placa viajante não consegue passar, ocluindo o vaso e interrompendo o fluxo sanguíneo). Pode ocorrer também por progressão local da placa (ou seja, na própria artéria coronariana) que cresce e obstrui o vaso.

São fatores de risco para ocorrência do infarto:
- Idade avançada (acima de 50 anos);
- Falta de atividade física;
- Colesterol e triglicérides altos no sangue (o colesterol é o principal componente da placa aterosclerótica);
- Diabetes;
- Tabagismo;
- Obesidade;
- Estresse recorrente ou frustrações;
- Sexo masculino (os infartos acometem mais os homens do que as mulheres);
- Menopausa (a incidência aumenta no sexo feminino com a menopausa, pois os hormônios femininos são importantes protetores cardíacos).

A pessoa que sofre um infarto pode vir a falecer no momento deste ou só posteriormente, devido às inúmeras sequelas que essa patologia pode deixar. Dentre estas, estão as arritmias (alterações na frequência e/ou rítmico cardíaco) e a insuficiência cardíaca ( quando o coração não consegue mais exercer corretamente sua função de bombear o sangue para todo o organismo). Essas sequelas ocorrem porque no momento em que as células que compõem o músculo do coração ficam sem o oxigênio, todas as suas atividades são interrompidas gerando lesão irreversível na região. Essa lesão é o que se chama de necrose ou infarto (morte celular). Quanto mais tempo a área permanecer sem o fluxo sanguíneo, piores as conseqüências. Cerca de 50% das mortes ocorrem na primeira hora que sucede o infarto. Ou seja: quanto antes for identificado o infarto, maiores as chances de vida do paciente e de evitar essas lesões irreversíveis. 

Por isso, fique atento aos sintomas que uma pessoa pode ter quando estiver infartando. São eles:

- Dor em aperto no peito durante alguns minutos (que pode irradiar para o braço esquerdo, ombro, e parte inferior do rosto);
- Sensação de desmaio;
- Suor frio;
- Palidez;
- Falta de ar;
-Náuseas (enjôo) e vômitos;
- Dores no estômago ou na barriga (a dor no estômago pode se parecer como um refluxo ou gastrite);
ATENÇÃO! Ás vezes, o infarto não se manifesta como “aquela” dor típica, localizada no peito!!

Assim que perceber que uma pessoa está infartando, é importantíssimo seu encaminhamento para uma emergência mais próxima, a fim de se evitar os danos às células cardíacas, minimizando as sequelas e evitando a morte do paciente. No hospital, o paciente terá acesso aos principais exames que diagnosticarão a isquemia, dentre eles o eletroencefalograma e a dosagem das enzimas sanguíneas que então elevadas em uma situação de infarto. Além disso, contará com um suporte avançado de vida que inclui o uso do desfibrilador (aparelho que gera um choque elétrico, utilizado em situações de parada cardíaca). 


“A angina, assim como o infarto, surge por conta de uma isquemia cardíaca.  Porém, na angina a isquemia cardíaca é transitória”.

Diferente do infarto, muitas pessoas têm o que se chama de angina. A angina, assim como o infarto, surge por conta de uma isquemia cardíaca.  Porém, na angina a isquemia cardíaca é transitória. Os sintomas são bem parecidos com os do infarto, mas tendem a melhorar quando o paciente fica em repouso e quando faz uso de medicação vasodilatadora, como o nitrato (essas drogas aumentam o diâmetro do vaso permitindo o restabelecimento do fluxo sanguíneo). A dor do infarto não melhora com o repouso nem com o uso de medicação! 

A principal forma de se evitar o infarto é combater seus fatores de risco.A prática de atividade física regular, manutenção do peso ideal e uma dieta pobre em gordura é o que se tem de mais eficiente para diminuir a incidência desta patologia. Faça sua parte, cuide da sua saúde!

Na próxima semana, falaremos de Acidente Vascular Cerebral. Fique ligado!

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Autor(es)

  • Liga Acadêmica de Emergências Clínicas - LAEC

    Liga Acadêmica de Emergências Clínicas - LAEC /

    Liga Acadêmica de Emergências Clínicas - LAEC Integrantes: Alexandra Figueira Parra Luguera Camila Kruschewsky Falcão Cely Valadres Galvão Ribeiro Ciro Costa Saraiva e Santos Daniela B Nascimento Djario da Silva Costa Junior Gerson Batista dos Santos Nunes Felipe da Silva Pereira Hani Dourado Al Khatib Juliana Ferrari Oliveira Keylla Freitas Passos Luciano Arthur O. da S. Pereira Lídice Correia Reis Maiave M. F. de Matos Priscila Leite dos Santos Rafael Maia Amoedo Renata Silva de Cerqueira Renata Trindade El Fahl Thayse Fernandes Lins Thiago de Araujo Aragão Vanessa Ferrari Oliveira Vinicius Bitencourt Novaes Vinícius Lima Moraes Professor Orientador: Paulo André Jesuino dos Santos - CRM BA 9117 Possui graduação em Medicina pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública (1987), mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal da Bahia (1999). É doutorando em Medicina e Saúde pela Universidade Federal da Bahia, no Programa de Alunos Especiais Docentes-PAED. Atualmente é professor assistente da Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública e professor assistente da Universidade Federal da Bahia. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Cirurgia e Medicina Intensiva, atuando principalmente nos seguintes temas: hérnia inguinal, hénias da parede abdominal, infecção sítio operatório, cirurgias videolaparoscópicas, choque, sepse, suporte básico e avançado de vida, trauma e educação médica.

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