Publicada em 10/01/2018 às 16h41. Atualizada em 10/01/2018 às 16h48

Você sabe o que é a fitofotodermatose?

O uso adequado do protetor solar é mais um dos fatores importantes para evitar essa e muitas outras doenças de pele que atacam no verão!

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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Brotoeja, “bicho geográfico”, melasma... Com o aumento da radiação solar, no verão, todas essas doenças de pele têm sua incidência aumentada. Para falar sobre esses problemas, seus sintomas, modos de prevenção e tratamentos, o iSaúde Bahia conversa com a médica dermatologista e professora Clarissa Félix Almeida.

iS – Por que o verão é uma estação do ano em que ocorrem muitas doenças de pele? 

Clarissa Félix Almeida – No verão, o aumento da radiação solar e das temperaturas favorece o aparecimento ou exacerbação de dermatoses dependentes desses fatores, que são várias, desde as queimaduras solares, passando pelas miliárias, até doenças que podem atingir não somente a pele, como o lúpus.

iS – O que são as fitofotodermatoses? No caso das manchas que insistem em não sumir, há algo que possa ser feito para eliminar, mais rapidamente, o problema?

Clarissa Félix Almeida – Fitofotodermatoses são as dermatoses que, para ocorrerem, dependem da interação entre substâncias derivadas de plantas e a radiação solar.  Podem ocorrer durante todo o ano, mas, como nessa época o que não falta é radiação solar, elas se tornam ainda mais comuns. Um exemplo típico é a dermatite, que aparece quando a pele entra em contato com o limão, ingrediente tão usado nas praias, em caipirinhas e tira-gostos, e fica exposta ao sol. Pode ocorrer desde um leve eritema até o surgimento de bolhas, com posterior aparecimento de manchas escuras nos locais atingidos. Com o tempo, as manchas vão clareando. É importante proteger a região do sol. Quando as manchas persistem, pode ser necessário o uso de clareadores.

iS – Como a pessoa adquire e o que é esse problema conhecido como “bicho geográfico”? Quais sintomas ele apresenta e como é o tratamento realizado contra isso? Esse problema pode gerar complicações maiores? 

Clarissa Félix Almeida – O “bicho geográfico” é causado por parasitas eliminado nas fezes de cães e gatos. Quando a pele entra em contato com areia contaminada, por exemplo, desenvolve lesões eritematosas, que costumam coçar, de formato “serpinginoso”, representando o trajeto do parasita na pele. O tratamento depende do grau de acometimento, podendo ser tópico ou oral. Como complicação, pode ocorrer infecção secundária ou eczematização das lesões. Existe um tipo semelhante, a larva migrans visceral, que pode ser transmitida pela ingestão de água e alimentos contaminados, mas esta não é complicação da larva migrans cutânea, é causada por outras espécies de parasitas.

 

                                       Lesão de larva migrans cutânea

iSB – O que é a brotoeja? Há alguma relação entre o uso do filtro solar e o aparecimento desse problema?

Clarissa Félix Almeida – A brotoeja, ou miliária, ocorre quando há obstrução dos ductos sudoríparos, que são os canais que drenam o suor desde a porção da glândula que o produz até a superfície da pele. O suor continua sendo produzido, mas não consegue passar por esses canais, então acaba por romper os ductos e extravasa para dentro da pele, gerando inflamação. Com o aumento das temperaturas nessa época do ano, a miliária é outra dermatose que se torna mais frequente. A obstrução dos ductos sudoríparos pode ser desencadeada pelo próprio calor, pela sudorese excessiva, pelo uso de óleos em geral, bronzeadores, pomadas a até fotoprotetores muito oleosos.

iSB – E o melasma, o que é? É verdade que esse problema atinge principalmente as mulheres? Por quê? Como é o tratamento feito para eliminar ou minimizar esse problema? 

Clarissa Félix Almeida – Melasma são aquelas manchas escuras que aparecem com mais frequência na face, mas podem ocorrer no colo, membros superiores, locais cronicamente expostos à radiação solar. Ocorre com mais frequência nas mulheres porque os hormônios femininos desempenham papel importante na sua formação, por isso está relacionado também à gravidez, ao uso de contraceptivos hormonais, e à terapia de reposição hormonal.  Apesar disso, é muito observado também nos homens, principalmente nos que se expõem cronicamente ao sol, já que a exposição solar é o fator desencadeante mais importante do melasma. O passo mais importante para o tratamento é a proteção solar, com o uso diário de fotoprotetores, chapéus, óculos, etc. Cremes clareadores também devem ser usados, com bastante cuidado, nesta época do ano, já que o uso de formulações mais agressivas pode até agravar o problema, se a pele for exposta à radiação solar. Em casos persistentes, podem ser feitos peelings, aplicações intradérmicas com ácido tranexâmico, sessões de indução percutânea de colágeno por agulhas e o uso de lasers. É importante lembrar que a proteção solar deve ser a longo prazo, sob pena de retorno das lesões.

Recentemente, a atriz Cléo Pires publicou no seu Instagram uma fotografia chamando atenção para o melasma.

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