Publicada em 04/09/2017 às 13h33. Atualizada em 04/09/2017 às 13h40

Você sabe o que é Adenoma pleomórfico?

Saiba mais sobre esse tumor que se desenvolve nas glândulas salivares.

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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O termo “adenoma” diz respeito a um tumor benigno de tecido glandular, enquanto o “pleomórfico” relaciona-se à variedade de tipos celulares que podem ser encontrados nessa neoplasia. O adenoma pleomórfico é considerado o tumor benigno mais comum das glândulas salivares maiores, a exemplo da parótida, e corresponde a 53% dos casos clínicos confirmados através de estudo anatomopatológico. E pode-se desenvolver também em qualquer glândula salivar menor. 

Estudos têm relatado que esse tipo de tumor acomete com mais frequência indivíduos com idade correspondente à 5a década de vida e pertencentes ao sexo feminino. No que se refere aos dados epidemiológicos, sabe-se que as neoplasias de glândulas salivares compreendem aproximadamente 3% a 10% dos tumores que afetam a região de cabeça e pescoço e que a incidência global desses tumores varia de 0,4 a 13,5 casos por 100.000 indivíduos no ano.

Do ponto de vista clínico, o adenoma pleomórfico apresenta-se como lesão nodular única, consistência endurecida, móvel e indolor à palpação.  A transformação maligna é rara e ocorre principalmente após recidivas do tumor ou em casos nos quais ele apresente um longo tempo de evolução. Nessa situação, recebe a denominação de carcinoma ex-adenoma pleomórfico.

Com relação à sintomatologia apresentada pelos pacientes com adenoma pleomórfico, a única manifestação clínica observada é o aumento de volume da região afetada na mucosa oral. Entretanto, nos casos em que o adenoma pleomórfico torna-se maligno, o paciente poderá apresentar dor, paralisia facial e ulceração da pele.

No que se refere ao tratamento do adenoma pleomórfico, preconiza-se a excisão cirúrgica da lesão e, para os casos de malignização do tumor, a radio e/ou quimioterapia como tratamento adjuvante. As taxas de recorrência local, regional e a distância dos tumores malignos variam em torno de 40%, 15% e 11%, respectivamente, e estão relacionadas a um pior prognóstico.

Sabendo-se que o diagnóstico dos tumores de glândula salivar representam um verdadeiro desafio, devido à complexa aparência morfológica e comportamento clínico variável dessas neoplasias, recomenda-se visitas periódicas ao cirurgião-dentista para o estabelecimento de um diagnóstico mais acurado não somente do adenoma pleomórfico, mas também de outros tumores de glândulas salivares.  

Referências:

1- Neville BW, Damm DD, Allen CM. Patologia oral e maxilofacial. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. 

2- Nader ME, Bell D, Sturgis EM, Ginsberg LE, Gidley PW. Facial Nerve Paralysis due to a Pleomorphic Adenoma with the Imaging Characteristics of a Facial Nerve Schwannoma. J Neurol Surg Rep, 2014; 75(1): e84–e88.

3- Junior AT, De Almeida OP, Kowalski LP. Neoplasias de parótida: análise de 600 pacientes atendidos em uma única instituição. Braz J Otorhinolaryngol, 2009; 75(4):497-501. 

4- Chitturi RT, Veeravarmal V, Nirmal RM, Reddy BVR. Myoepithelial cells (MEC) of the salivary glands in health and tumours. J ClinDiagn Res, 2015; 9(3): ZE14-ZE18.

5- De Oliveira FA, Duarte ECB, Taveira CT, Máximo AA, De Aquino EC, Alencar RC, Vencio EF. Salivary gland tumor: a review of 599 cases in a brazilian population. Head Neck Pathol. 2009; 3(4): 271-5.

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Autor(es)

  • Alena Ribeiro Alves Peixoto Medrado / CROBA 4211

    Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal da Bahia, mestrado e doutorado em Patologia Humana pela Fundação Oswaldo Cruz/ UFBA. Atualmente, é professora adjunto da Universidade Federal da Bahia e da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Na graduação, leciona nos componentes curriculares de Interação Microrganismo-hospedeiro, Processos Gerais de Patologia, Biomorfofuncional I e Processo Saúde Doença II. É integrante do corpo permanente do Programa de Pós-graduação da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, orientando mestrandos e desenvolvendo projetos de pesquisas nas áreas de patologia geral e bucal. Ademais, é Tutora do Programa de Educação Tutorial (PET-Odonto-EBMSP) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública.

  • Flávia Godinho Costa Wanderley / CROBA 14373

    Possui Graduação em Odontologia pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Mestranda em Processos Interativos dos Órgãos e Sistemas da Universidade Federal da Bahia.

  • Antônio Márcio Marchionni / CROBA -BA-CD-5122

    Cirurgião Dentista pela Universidade Federal da Bahia (1998); Mestre em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2001); Doutor em Laser na Odontologia pela Universidade Federal da Bahia (2008); Professor do Curso de Odontologia da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública nas Disciplinas de Odontologia Especial e Cirurgia Bucomaxilofacial III; Professor da pós-graduação do Curso de Especialização em CTBMF pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública; Preceptor da Residência em CTBMF pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB); Membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial. Membro da American Society for Laser Medicine and Surgery (ASLMS). Atua principalmente nos seguintes temas: Cirurgia Bucomaxilofacial, Implantodontia, Estomatologia e Laser.

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