Publicada em 16/05/2012 às 00h00. Atualizada em 04/09/2012 às 23h51

Você tem diabetes? Proteja seu pé

No Brasil, ocorrem mais de 40 mil amputações dos membros inferiores em decorrência do diabetes. Quem tem a doença deve ficar muito atento aos pés para evitar infecções e até mesmo a necrose dos tecidos

CONTEÚDO HOMOLOGADO Bahiana
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" Essas complicações ocorrem por vários motivos, sendo, o mais comum, o mau controle do diabetes, que, a longo prazo leva a alterações nos nervos e faz com que o paciente tenha pé ressecado, redução da sensibilidade, malformação das unhas, rachaduras, dentre outras coisas".

Quem sofre de diabetes deve olhar para os pés com um cuidado todo especial. Uma unha encravada, qualquer ferimento, bolha ou corte, por mais leve que sejam, podem passar despercebidos e facilitar que uma infecção propague-se pelo organismo, atingindo as pernas e, nos casos mais graves, exigir intervenções cirúrgicas. Essas complicações ocorrem por vários motivos, sendo, o mais comum, o mau controle do diabetes, que, a longo prazo leva a alterações nos nervos e faz com que o paciente tenha pé ressecado, redução da sensibilidade, malformação das unhas, rachaduras, dentre outras coisas. Na maioria das vezes, as pessoas não percebem esses sintomas e, para piorar, a diminuição da circulação contribui para que ferimentos não cicatrizem e  tornem-se porta de entrada para infecções.

Quando esses sinais aparecem, temos aquilo que os endocrinologistas chamam de pé diabético, uma complicação do diabetes, doença caracterizada pelo excesso de glicose (açúcar) em nosso organismo. Como o próprio nome sugere, o problema trata-se de uma enfermidade que atinge as pernas, tornozelos e, principalmente os pés, provocando lesões. Normalmente, o diabético só se dá conta dos danos quando já estão em estágio avançado, o que torna o tratamento extremamente difícil.


Fique atento

O pé diabético geralmente ocorre naqueles pacientes que não fazem um controle adequado de seus níveis de glicemia (açúcar) no sangue.  Sem o cuidado necessário, há a destruição dos tecidos dos membros inferiores e, em casos mais complicados, o endurecimento das paredes dos vasos sanguíneos, algo que dificulta a circulação. O problema não aparece em todos os diabéticos, mas principalmente naqueles que negligenciam a doença, não se cuidam, não seguem uma dieta adequada, não tratam o colesterol ou não se preocupam com um estilo de vida saudável.

É preciso estar atento, pois, caso não exista um cuidado efetivo com a saúde, podem surgir complicações maiores e bem desagradáveis. Se você não der atenção àquela unha encravada, ao pequeno corte presente na sola do pé ou não se importar com a bolha presente no dedão, essas pequenas coisas, que antes pareciam banais, podem causar uma infecção bastante grave ou uma necrose sem condição de cura. Quando esse tipo de coisa acontece, a única saída é a amputação total ou parcial do pé ou perna. E pior, tal procedimento é mais comum do que parece.

"...entre as cerca de 40 mil cirurgias realizadas no Brasil, 90% delas são em decorrência de complicações provocadas pelo diabetes".



De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Cardiovascular,  entre as cerca de 40 mil cirurgias realizadas no Brasil, 90% delas são em decorrência de complicações provocadas pelo diabetes. Isso porque a doença deixa os pés insensíveis, facilitando as lesões e alterações vasculares que dificultam a cicatrização, pois o sistema imunológico de um diabético é menos eficaz do que o de uma pessoa sem a doença. Portanto, o menor machucado pode infeccionar e evoluir para um grave caso de gangrena.

Sintomas e tratamento

Quem tem pé diabético pode desenvolver neuropatia e doença arterial periférica. A primeira significa falta de sensibilidade no local afetado, enquanto a segunda caracteriza-se pela diminuição da circulação do sangue nos membros inferiores. A presença desses dois problemas gera formigamento, dormência, queimação, cãibras, presença de dor intensa, surgimento de lesões de difícil cicatrização, calor ou frio.

A observação e o cuidado diários com os pés são muito importantes, até porque a simples ausência de dor não significa que tudo esteja bem. Caso surja qualquer ferimento ou algum dos sintomas mencionados, dirija-se a um médico o mais rápido possível para que não haja uma complicação maior. Não espere para “ver se vai melhorar”, procure ajuda logo. Infelizmente, o tratamento do pé diabético não é feito precocemente porque, muitas vezes, o paciente ainda não sabe que tem a doença ou se recusa a aceitar o diagnóstico, já que os sintomas iniciais não provocam grande incômodo. 



A prevenção é a maneira mais eficaz de evitar a complicação. Antes de tudo, é preciso cuidar do diabetes e realizar exames regularmente para averiguar como andam os níveis do açúcar no sangue. Com relação aos pés, sempre fique atento a qualquer ferimento ou calos, sempre corte as unhas, após o banho, seque bem a região, escolha sapatos confortáveis e que não ofereçam agressão aos pés. Como ninguém quer comprometer a saúde, é importante se cuidar, procurar um médico e começar a observar os pés assim que o diabetes for diagnosticado, é a melhor saída. 

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Autor(es)

  • Dr.ª Maria de Lourdes Lima

    Dr.ª Maria de Lourdes Lima / CRM BA 9079

    Médica Endocrinologista da ENDOGENE Doutora em Medicina e Saúde pela Universidade Federal da Bahia Professora adjunta do curso de graduação e Pós-graduação da Escola Bahiana de Medicina Supervisora da Residência em Endocrinologia do Hospital Roberto Santos – SESAB

Serviços Gratuitos
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